Crítica: A Órfã

Espanhóis dominam o suspense hollywoodiano, mas o material nem sempre rende

Marcelo Hessel
03 de Setembro de 2009

A Órfã

A Órfã

Orphan
EUA , 2009 - 123
Suspense

Direção:
Jaume Collet-Serra

Roteiro:
David Johnson, Alex Mace

Elenco:
Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, CCH Pounder, Jimmy Bennett, Margo Martindale, Aryana Engineer

Bom
a órfã
a órfã
a órfã

O diretor catalão Jaume Collet-Serra é um dos nomes da Espanha que cada vez mais emigram para fazer suspense e terror em Hollywood, ao lado de Jaume Balagueró (A Sétima Vítima), Juan Antonio Bayona (O Orfanato) e Juan Carlos Fresnadillo (Extermínio 2), entre outros. Depois de estrear com A Casa de Cera, agora Collet-Serra dirige A Órfã (Orphan, 2009).

Na trama, um casal, interpretado por Vera Farmiga e Peter Sarsgaard, não consegue superar o luto pela morte de seu terceiro rebento, que morreu ainda na barriga da mãe. Assim, eles decidem adotar uma filha em um orfanato para meninas já na pré-adolescência. Lá encontram a pequena russa Esther (Isabelle Fuhrman). Ou talvez Esther é quem os tenha escolhido.

Em seu primeiro trabalho hollywoodiano, Collet-Serra já mostrara ser bom de climas, e aqui ele joga com uma ambientação clássica do gênero - a floresta de inverno, de árvores secas e muita neve - aliada a premissas interessantes (a menina surda, por exemplo). Infelizmente, tanto para Collet-Serra quanto para seus pares hispânicos, há sempre uma fórmula a seguir em Hollywood, e o roteiro de David Johnson e Alex Mace não consegue se desprender dela.

A fórmula, neste caso, é a do núcleo familiar dividido por um mal puro: esse mal se funde à rotina da família, faz despertar crises íntimas que estavam no passado e, por fim, termina dividindo a família (ou pelo menos aquelas que não têm forças para se reunir e vencer o mal no fim). O problema de A Órfã é que, antes de descambar para o maniqueísmo, Esther tinha potencial para ser algo mais complexo do que esse mal puro.

Fala-se, afinal, de como o drama da adoção modifica a vida tanto dos pais e dos filhos que já estavam lá quando da criança que está chegando agora. Até certo ponto no filme, as manifestações de maldade de Esther são, olhando de perto, apenas insegurança de quem está tentando se adequar ao novo ambiente. Por extensão, o fato dela ser maltratada pelas outras crianças pode ser visto como instinto de preservação dos filhos diante da nova irmã.

É um material promissor que, ao mesmo tempo que discute a responsabilidade de criar uma família não tradicional, permitiria os sustos e as atmosferas típicas do gênero sem caracterizar um maniqueísmo. Em outras palavras, daria para criar uma personagem amedrontadora com base em simples psicologia infantil, sem a necessidade da backstory medonha que o roteiro de A Órfã a certa altura joga no colo do espectador. Do jeito que resultou, A Órfã não só presta um desserviço ao difícil ofício de quem trabalha com adoção (e com psiquiatria), como desperdiça o talento de Collet-Serra, Sarsgaard e Farmiga.

No fim, a competência do espanhol se limita a evitar o completo ocaso daquilo que poderia ter sido um filme menos trivial.

Assista a cenas do filme

Saiba onde o filme está passando



Galeria de vídeos

Publicidade

Comentários (18)

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Guilherme Santos Guilherme Santos (30/12/2013 12:35:58)   14 1
Este filme não dá medo não se preucupem , isto está mais para suspense



sem avatar Kell (11/12/2013 13:34:53)   -8 0
Esse "crítico" deveria ser demitido.
Retribuição ganhou mais ovos que A ÓRFÃ.
só aqui no Omelete mesmo. -.-



André Filipe André Filipe (14/09/2013 19:14:18)   1199 1
olha,n achei esse filme essa coisa toda não...3 ovos se forçar muito...



sem avatar Maran (20/10/2012 04:15:50)   1379 0
Hessel, como sempre, estragando o "Omelete".



Diego Francisco Diego Francisco (19/02/2012 10:20:16)   901 1
O filme é brilhante, daria 04 ovos.



sem avatar Hérick (15/02/2012 13:47:17)   3 1
ME PERDOEM... MAS CRITICAR ESSE FILME É A MESMA COISA QUE CRITICAR DEUS! UM DOS FILMES MAIS BRILHANTES DOS ULTIMOS TEMPOS! E AS ATUAÇÕES FORAM IMPECAVEIS.



Gustavo Gustavo (04/05/2011 21:24:34)   91 1
Eu ate que gostei da reviravolta, ate o meio do filme realmente tinha um clima sinistro, me prendeu bastante, e me surpreendi com a reviravolta, porem a parte mais para o final do filme não foi muito boa.

No geral um bom filme de suspense/terror.



Walker Walker (21/03/2011 19:13:09)   6 1
Filme perfeito, adoro filme assim, terror psicológico com uma excelente trama, você fica preso a história a todo momento.



Jota Jota (09/02/2011 11:37:00)   -8 -3
Comentário mal avaliado pelos leitores. Clique para ler.


sem avatar g (05/02/2011 10:41:48)   -3 -3
Comentário mal avaliado pelos leitores. Clique para ler.


Publicidade
sem avatar 1.berto (31/12/2010 19:58:37)   -1 -1
Excelente crítica. "Um núcleo familiar dividido por um mal puro". É isso aí. Nada demais nesse filme. Dois ovos já estariam mais que suficientes.



Anderson Anderson (14/09/2010 22:53:33)   225 -1
Um clima estranho, com uma montagem aleatória que cansa, uma personagem mais estranha que já vi, mais sacado que tudo, a não ser pelo final, totalmente estupido e que tenta surpreender, mas é bobo de mais... Bizarro, bizarro, bizarro. Sinceramente me sinto estranho agora depois que assisti



Β•Я•Ц•Ŋ•Ø Β•Я•Ц•Ŋ•Ø (07/08/2010 23:06:35)   19 0
Gostei bastante. Eu, que depois de O Chamado e REC, não tenho grandes esperanças com o suspense-terror na telona atualmente, me surpreendi com este filme (achei que seria mais feijão com arroz). Curti o backstory lá que deram...e acho que se fosse mesmo baseado apenas em psicologia infantil, seria um Anjo Mal moderno. Curti tb a Esther, acho que ela merecia uma continuação heheh

Discordo que o filme seja negativo para a adoção, inclusive pela história nada comum que se revela no final.



sem avatar deisi (23/07/2010 23:40:52)   -1 -1
o filme é criativo, porém tras reflexões fortes em relação a adoção, como se fosse um estranho que colocamos dentro da nossa casa, e que nao tem vínculos com nada e nem com ninguém, há filmes melhores....




Omeletop : cinema

Cinema

Os filmes em cartaz, a programação das salas de cinema, bilheterias, trailers, criticas de filmes, cartazes, entrevistas com astros e as novidades de Hollywood.

Séries e TV

As séries de televisão dos EUA, minisséries, os destaques da TV e as novidades na programação.

Música

Os shows que vem por aí no Brasil, os lançamentos musicais, novos álbuns e música grátis para download.

Games

Os novos games, críticas de jogos, trailers, imagens e mais novidades do mundo dos videogames.

Quadrinhos

As novidades das histórias em quadrinhos no Brasil e no mundo, previews de HQs e críticas de lançamentos nas bancas e livrarias.

Advertisement