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Deixa Ela Entrar | Crítica

Filme de vampiro do momento é metáfora para a adolescência (não, não estamos falando de Crepúsculo)

Marcelo Hessel
26 de Outubro de 2008

Deixa Ela Entrar

Deixa Ela Entrar

Låt den Rätte Komma In
Suécia , 2007 - 110
Drama / Suspense

Direção:
Tomas Alfredson

Roteiro:
John Ajvide Lindqvist

Elenco:
Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg

Ótimo
deixe ela entrar
deixe ela entrar
deixe ela entrar

A associação do vampirismo com uma idéia de heroísmo e maldição não é nova no cinema, mas o filme sueco Deixa Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In, 2008) consegue renovar o gênero - e conquistar fãs em festivais mundo afora - por fazer dessa maldição uma metáfora das dificuldades da adolescência.

Primeiro conhecemos Oskar (Kåre Hedebrant), garoto de 12 anos, cansado de ser saco de pancada na escola, que treina seu revide sozinho no quarto, com uma faca. Quem parece um vampiro aqui é ele: loiro, retraído, branco quase albino, com sangue nos olhos e, descobriremos depois, até uma tendência para o masoquismo. Mas Oskar é só um garoto normal.

Até o dia em que ele conhece Eli (Lina Leandersson), garota que acabou de se mudar para o prédio de Oskar e que chama atenção pela janela do quarto, tapada com papelão. Como Oskar, Eli não é muito de socializar. E ela também tem 12 anos, só que há muito mais tempo. Acabam ficando amigos, no jardim coberto de neve diante do prédio, à noite.

A relação clássica do gênero pressupõe um vampiro secular, ciente do fardo que carrega, e um humano, que, na sua breve e ignorante existência, inveja o poder do outro. É evidente que, ao descobrir que Eli é uma vampira, Oskar não se afastará - pelo contrário. Os acontecimentos seguintes são aqueles que, nesta história de formação, definirão quem Oskar realmente é.

Há toda uma tradição envolvendo o gênero, e o diretor Tomas Alfredson se livra um pouco dessa carga com uma dose de ironia. O pai de Eli só toma leite, o gordo que testemunha os crimes é criador de gatos, o blusão que Oskar veste na casa do pai parece uma capa vermelha de Drácula... Ao adicionar em seu filme realista uma dose de caricatura, Alfredson se permite não levar-se a sério demais.

E cria-se então espaço para fazer um pequeno grande filme. Alfredson tem grande apuro estético no uso do scope - a proporção 2,35:1 de tela é ideal para as paisagens suecas - e à atmosfera gelada adiciona-se um senso de economia na hora de mostrar a vampira em ação. É suspense, enfim, que o diretor procura, e espalhar aos poucos as imagens de terror (como o rosto desfigurado ou a combustão) amplia e valoriza esse suspense.

Deixa Ela Entrar tem seus didatismos - como contaminar a mulher mais velha para mostrar como Eli é heróica na sua luta interior - mas no final prevalecem a bela construção da relação dos dois garotos e as analogias com a adolescência normal (como o complexo de Electra de Eli levado às últimas consequências). Se você é fã de Crespúsculo, em particular, ou de filmes de vampiros, de modo geral, não deixe de assistir.

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Comentários (15)

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Dri Dri (14/02/2013 09:56:05)   6 0
Excelente filme, mas não concordo com alguns pontos da critica. Não vi o complexo de Elektra mencionado. A relação de Eli com seu suposto pai é mais de "senhora" e "serviçal", do que de pai e filha. Acredito que ele era como Oskar, um garoto que ela acaba envolvendo. O que nos leva a pensar se Eli tem realmente algum sentimento por Oskar, ou está apenas usando-o, porque enxergou nele um possível substituto para seu "pai". Também não vi didatismo algum, muito pelo contrário, o filme é muito rico e deixa várias brechas para a interpretação de cada espectador.

*http://cosmicrash.blogspot.com.br/



Patrícia Patrícia (09/04/2012 14:03:30)   8 0
Gente, que filme lindo! Fiquei abalada. Pena que metade das pessoas que conheço se recusem a ver por causa da má fama de filmes de vampiro deixada por Crepúsculo.



Aninha Aninha (22/11/2011 04:16:55)   51 1
Assisti esse filme na HBO, e adorei! U filme interessante, e muito longe da Hollywood land.



Danielle Danielle (22/08/2011 05:55:21)   375 1
Filme MUITO bom. Taí uma coisa interessante a se fazer, explorar mais outros mundos cinematográficos, que não seja só o americano. Vale a pena conferir.



LordMarcio LordMarcio (05/08/2011 01:12:11)   87 2
Nada a ver a crítica!
5 ovos merecidos!
obra prima!!!



Gabriel Gabriel (26/06/2011 15:01:49)   21 0
Contém SPOILERS

Filmaço. Assisti ontem na HBO. A crítica foi meio pobre, deixou de abordar muitas coisas, como o pessoal mencionou: o fato de Eli ter sido um menino (nem precisa recorrer ao livro original para ver isso, a ligeira cena de nudez da vampira permite ver uma cicatriz no púbis, além de ela ter dito duas vezes que não era uma menina) e a possibilidade de Eli estar manipulando Oskar para substituir Hakan. Mas acredito que o Hessel não comentou isso para evitar spoilers, o que é compreensível e perdoável.

Mas essa especulação do Márcio e do Dark Nerd de que Hakan tenha sido recrutado por Eli quando ele era criança e que ela está fazendo a mesma coisa com Oskar, embora seja muito lógica, muito coerente e muito bonita até, por acrescentar uma simetria bem trágica ao filme, não é o que acontece no livro e não foi a intenção original do roteirista, embora ele tenha reconhecido que é uma interpretação possível (estou baseando o que digo no FAQ do IMDB sobre o filme, convido todos a darem uma olhada). No livro, Hakan foi recrutado por Eli já adulto, ele era um professor pedófilo e essa naturalmente seria a razão de ele ter se aproximado de Eli.

Mas eu não gosto de ficar recorrendo a material externo para avaliar um filme, cada filme deve ser julgado pelo que ele contém, então não acho válido dizer que definitivamente Hakan foi recrutado já adulto. O filme simplesmente deixa a origem dele em aberto e se você quiser interpretar que ele passou pela mesma história que o Oskar está passando durante o filme, você pode. Mas você também não pode dizer que Eli definitivamente é um vampiro de 220 anos de idade que foi castrado só porque o livro diz isso, porque filme e livro são coisas diferentes. O filme deixa uma certa ambiguidade, ele sugere que Eli na verdade é um menino, mas não declara abertamente. Eu mesmo não reparei na cicatriz no púbis de Eli na primeira vez que assisti.



nehemias nehemias (10/03/2011 10:38:40)   -1 0
melhor filme de vampiro.



Nerd Entendido Nerd Entendido (13/02/2011 02:36:29)   67 1
Acho que o filme não tem nada de ditático, mto pelo contrário. Mta coisa fica por conta do espectador perceber e tirar suas conclusões: O fato de Eli ser um menino castrado, o pai de Oskar ser gay, o pai da Eli ser um menino que envelheceu ao lado dela, entre outros.

Eu acredito que o pai dela na verdade é um menino que cresceu ao lado dela, logo o complexo de Electra não se aplicaria.



sem avatar Marcio (07/02/2011 18:02:02)   10 0
Não sei se vocês notaram mas o "pai" de Eli (fala sério chamar o cara de pai) me da a impressão de ser um Oskar mais velho. Minha impressão é que ela adotou ele quando ele tinha a idade de Oskar.

Outra coisa que infelizmente o autor da crítica não se preocupou em perquisar - Eli é um garoto, na estória que originou o filme ele foi castrado a 200 anos atrás, por isso Oskar se assusta ao tentar espiar Eli trocar de roupa. Inclusive teve uma tentativa de se fazer a cena da castração mas o diretor desistiu quando soube que teria de castrar um porco vivo para ter realismo.

http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%A5t_den_r%C3%A4tte_komma_in

Em entrevista a Karin Luisa Badto, Alfredson explicou porque não filmou a cena: "Tentei fazer uma cena de flashback, onde vemos a castração de Eli [o garoto vampiro] duzentos anos atrás, com closes muito próximos de uma faca se aproximando da pele, começando a cortar e eu disse para o pessoal da maquiagem “quero fazer isso”. Eles disseram “você não pode fazê-lo a menos que seja com um animal de verdade porque se você está muito perto da câmera não pode usar borracha ou efeitos especiais então eu disse “OK, vamos fazer assim então” e daí eu esqueci do assunto e o diretor assistente disse “nós já temos o porco”. Eu disse “que porco?” “O porco para a cena do corte. Um porco vivo. Ele está lá fora junto com o matador”. Então eu saí do estúdio e um açogueiro estava de pé com sua faca. O porco me olhava com olhos tristes. Eu disse não. Eu não conseguiria dormir se nós tivéssemos o matado. É carma ruim."



sem avatar Diego Mode (01/02/2011 17:06:59)   2 0
O filme é muito bom, mas a crítica foi péssima. Primeiro, parece que o autor não sabe o que é complexo de electra, mas vai um link para se descobrir:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_Electra

Além disso, o último paragrafo é triste. Dizer que o filme cai em didatismos (não percebo que o filme tenha tentado passar essa mensagem) ou que é recomendado aos fãs de Crepúsculo foi demais.



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Leonardo Leonardo (18/12/2010 20:36:31)   -1 1
Honestamente, até agora estou tentando achar o tal complexo de Electra ao qual o crítico se refere.



Β•Я•Ц•Ŋ•Ø Β•Я•Ц•Ŋ•Ø (26/09/2010 00:24:55)   18 0
Maravilhoso! Bom ver de vez em quando um filme que não tenha a fórmula holywoodiana. Daqueles filmes que te conduzem sem esforço, e que mesmo ao final, continua em sua mente. Arte cumprindo sua missão.



sem avatar Rafael (25/09/2010 23:58:25)   7 0
faz tempo que nao vejo um filme de vampiro tao bom , espero que o remake seja tao bom quanto o original ...



Fabiano Fabiano (22/06/2010 03:17:05)   497 0
Melhor que Crepúsculo, definitivamente



sem avatar MONIQUE RAFAELA (11/04/2010 22:55:40)   0 0
Filme lindo, com uma história bem original.




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