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Crítica: Horas de Verão

Novo filme do francês Olivier Assayas se apóia no talento do diretor de fotografia Eric Gautier

Marcelo Hessel
17 de Outubro de 2008

Horas de Verão

Horas de Verão

L'Heure d'été
França , 2008 - 103
Drama

Direção:
Olivier Assayas

Roteiro:
Olivier Assayas

Elenco:
Charles Berling, Jérémie Renier, Juliette Binoche, Edith Scob, Dominique Reymond, Isabelle Sadoyan

Ótimo
horas de verão
horas de verão
horas de verão

Alguns críticos consideram o diretor de fotografia Eric Gautier o melhor operador de câmera em atividade no cinema mundial. Alguns cineastas também, tanto que o francês de 47 anos trabalhou recentemente em três longas fora do circuito europeu: Diários de Motocicleta, Santos e Demônios e Na Natureza Selvagem. E atualmente roda Taking Woodstock com Ang Lee.

São os trabalhos recentes de Gautier com os cineastas Patrice Chéreau (Irmãos), Arnaud Desplechin (Reis e Rainha) e Olivier Assayas (Demonlover, Clean), porém, que melhor sintetizam seu talento. São filmes em que não há uma marcação de cena muito rigorosa, então o câmera precisa acompanhar a imprevisibilidade dos atores e também captar gestos e minúcias - ao mesmo tempo em que faz esse esforço parecer fácil, natural.

Gautier é mestre nisso, como fica evidente em Horas de Verão (L'Heure d'eté, 2008).

O filme escrito e dirigido por Assayas se passa ao longo de meses, mas trata de um período muito bem definido: um verão afetivo, das memórias de uma família que se reúne para passar férias em sua casa de campo. A casa em si, a 50 minutos de Paris, é um recanto de memórias: ali viveu um pintor cuja sobrinha-neta, Hélène (Edith Scob), agora está fazendo 75 anos de idade e preparando-se para deixar seu legado.

A questão é que dos três filhos de Hélène apenas o mais velho, Frédéric (Charles Berling), vive na França. Adrienne (Juliette Binoche) é artista nos EUA e Jérémie (Jérémie Renier) tem negócios em Pequim. Frédéric se indispõe quando a mãe lhe faz um breve testamento no dia do aniversário dela, mas o fato é que o futuro está logo aí. E a casa de campo é território do passado. Como preservar lembranças hereditárias, conciliá-las com o novo? É o que Assayas questiona nesse belo conto sobre o tempo.

O papel de Eric Gautier nesse passeio é inestimável. É como se fosse nosso guia turístico pela museologia da família. Em planos de média e longa duração, ele passa pelos corredores da casa de campo, registra móveis, pinturas, cerâmicas, filhos, netos, cunhadas. Seus movimentos são sutis. Os enquadramentos, com interações entre atores no primeiro e no segundo plano (e raramente lado a lado), investem nessa profundidade de campo para pegar as trocas de olhares com movimentos econômicos.

Há no roteiro alguns simplismos - como o momento na delegacia, para evidenciar o choque de gerações - mas o tom geral é dado não por essa idéia de choque, e sim por uma idéia, digamos, de transição tranquila. Essa percepção de que a imagem precisa ser retida com calma (daí o cuidado com movimentos desnecessários) está no centro da parceria de Gautier e Assayas.

Uma parceria que não é exibicionista, mas a serviço da história que se conta. O plano-sequência que fecha o filme, por exemplo, em que Gautier se aproxima do muro com a câmera na mão e em seguida sobe na grua para a panorâmica, é de dificílima execução, mas na tela parece a coisa mais simples do mundo.


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Comentários (3)

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Mika Mika (21/12/2011 21:54:51)   0 0
Um filme muito simples história cotidiana do dia a dia dos irmãos passando pela perda da mãe, porem ele consegue te chamar a atenção justamente pelos detalhes simples e prender a atenção até o final do filme. O choque de gerações e as descobertas dos filhos são intrigantes adorei recomendo.



Gustavo Gustavo (04/11/2011 11:34:08)   162 0
Vai passar hoje às 22h na TV Cultura.
Eu não vou perder!

Inté.



Adilson Adilson (11/11/2010 00:32:25)   0 0
um dos filmes mais maravilhosos que assisti nos últimos tempos.




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