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Crítica: O Garoto de Liverpool

Falta criatividade à cinebiografia de John Lennon adolescente

Marcelo Forlani
30 de Setembro de 2010

O Garoto de Liverpool

O Garoto de Liverpool

Nowhere Boy
Reino Unido, Canadá , 2009 - 98 min
Biografia / Drama

Direção:
Sam Taylor Wood

Roteiro:
Matt Greenhalgh

Elenco:
Aaron Johnson, Anne-Marie Duff, Kristin Scott Thomas, Thomas Sangster, David Threlfall, Josh Bolt, Sam Bell

Bom
O Garoto de Liverpool
O Garoto de Liverpool
O Garoto de Liverpool

Em uma visita guiada por Liverpool são obrigatórias passagens por Strawberry Fields, Cavern Club, o Liverpool Concert Hall e inúmeros outros lugares que se tornaram turísticos principalmente depois que quatro garotos nascidos ali naquela cidade portuária no norte da Inglaterra ganharam o mundo e ficaram conhecidos como os Beatles. Passados quase cinquenta anos do início do seu sucesso, não deve mais haver fatos sobre as vidas de John, Paul, George e Ringo que os fãs já não saibam. Mesmo assim continuam sendo lançados livros e filmes sobre eles.

O mais recente é O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, 2009), que biografa a adolescência de John Winston Lennon (1940-1980), entre seus 15 e 20 anos, época em que descobriu o rock n' roll, formou sua primeira banda (The Quarrymen) e conheceu Paul McCartney e George Harrison.

Mas o foco central da trama não está no relacionamento de Lennon com os colegas de banda, ou a criação de músicas que os tornaram famosos. A diretora Sam Taylor Wood prefere arriscar uma abordagem mais pessoal e traumática para o garoto, mostrando o relacionamento com Julia e Mimi, respectivamente a mãe que abandonou o menino e tia que o criou. Julia, que virou versos até que amorosos na época dos Beatles, também foi tema na carreira solo de Lennon, quando ele escreveu de forma bem direta a sua crítica: "Mother, you had me, but I never had you / I wanted you, you didn't want me" (Mãe, você me teve, mas eu nunca tive você / Eu queria você, mas você não me quis). Já Mimi é referenciada em qualquer obra sobre a história dos Beatles como a mulher que deu a Lennon a sua primeira guitarra.

Mas isso não quer dizer que a vida do garoto sempre foi rosas com a tia e espinhos com a mãe. O filme mostra justamente o contrário no seu começo. Assim que Lennon descobre que sua mãe biológica mora perto de sua casa, ele vai bater à sua porta. Antes de mais nada, ele quer entender o que aconteceu, solucionar o quebra-cabeças criado pela sua memória de criança. Passado o choque inicial, os dois começam a sair juntos, e Julia o ensina a tocar os primeiros acordes no banjo e o significado de rock 'n roll ("quer dizer sexo", ensina). A relação é bastante estranha, com sinais de depressão e até insinuações incestuosas. Do outro lado, Mimi sofre com a perda do marido e a possibilidade de ver o menino que criou como seu próprio filho voltar a sofrer quando sua impulsiva irmã o abandonar de novo.

Paralelo a tudo isso, o rock 'n roll vai entrando na vida de Lennon. Primeiro com disquinhos de vinil, depois com seu violão e por fim com suas bandas e um dos mais importantes ingredientes para um bom roqueiro: o sofrimento.

Não encare o filme como uma obra definitiva sobre a vida do futuro Sr. Yoko Ono, mas use-o como atalho para entender quem é aquele garoto que alguns anos mais tarde diria que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. Aaron Johnson (o Kick-Ass) tem momentos em que consegue reproduzir o jeito metido e o sotaque de Lennon, mas não consegue dar ao filme o diferencial que o afastaria de inúmeros outros filmes biográficos apenas corretos. O Garoto de Liverpool parece um verbete de enciclopédia: apresenta os fatos, as datas, mas lhe falta criatividade artística, algo que John sempre teve de sobra.

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Comentários (7)

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sem avatar Atmisto (08/12/2010 11:08:44)   -2 0
prefiro ver o filme antes de tirar qualquer conclusão



Eric Eric (03/12/2010 09:52:39)   7 -1
Esse Aaron Johnson me lembra um filha da mãe que eu conheço. Então não vou ver.



sem avatar Marcos (03/12/2010 03:00:50)   1 0
Também não concordo com a critica. Foi dura de mais, e em aspectos em que o filme acerta. Principalmente em relação a falta de criatividade artística, que na minha opinião o longa teve de sobra. E outra, gostei muito da atuação do Aaron Johnson.



sem avatar Pedro Henrique (05/10/2010 17:21:24)   0 0
A primeira guitarra quem deu foi a mãe, Julia, não a tia, Mimi. O filme é ruim.



sem avatar Paulo Vinicius (01/10/2010 16:49:55)   64 0
forlani só uma coisa, você fala que falta criatividade artistica ao filme, mas toda sua critica e sinopse anterior aponta o contrario, a própria pacificação da relação conturbada com a mãe e o contrario com a tia já é prova disso, só que se trata de um filme histórico então fatos e datas tem que estar lá, nem I'm not here consegue fugir disso...



Matheus Matheus (01/10/2010 03:02:45)   0 0
Eu gostei do filme, até concordo com alguns pontos da crítica mas não com tudo. Gostei bastante da atuação do Aaron Johnson tambem. E do filme por mostrar a parte mais rockabilly do Lennon. trilha sonora do filme muito boa tambem, Jerry lee Lewis, Buddy Holly, Elvis, Gene vincent...


E uma dica ai para o pessoal que quer continuar com a história dos beatles no cinema.
O 'Nowhere Boy' termina com os fatos que iniciam o filme 'Backbeat - Os 5 garotos de Liverpool', que é a partida de Liverpool para apresentações em Hamburgo na Alemanha.



sem avatar Daniel (30/09/2010 15:06:43)   0 0
não concordo em quase nada da critica, tanto em atuaçoes quanto inovaçoes. não é a toa que foi um dos maiores sucessos britanicos do ano passado (critica principalmente). mas respeito a opinião.




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