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Crítica: Tinha Que Ser Você

Dustin Hoffman, Emma Thompson e um diretor "segura-vela"

Érico Borgo
18 de Junho de 2009

Tinha Que Ser Você

Tinha Que Ser Você

Last Chance Harvey
EUA , 2008 - 93

Direção:
Joel Hopkins

Roteiro:
Joel Hopkins

Elenco:
Dustin Hoffman, Emma Thompson, Eileen Atkins, Kathy Baker, Liane Balaban, James Brolin

Regular
Tinha que ser você

Harvey (Dustin Hoffman) é um pianista de jazz que ganha a vida escrevendo trilhas sonoras para comerciais de televisão. Kate (Emma Thompson) trabalha para uma agência de pesquisas no principal aeroporto londrino. Ele viaja para a Inglaterra para comparecer ao casamento da filha. Na bagagem, uma relação conturbada com a família e a ex-esposa e sérios problemas no trabalho. Ela, por suas vez, vive às voltas com uma mãe superprotetora e com suas próprias inseguranças.

Harvey e Kate encontram-se por acaso no aeroporto, depois que ele descobre que foi despedido e que sua filha prefere ser acompanhada ao altar pelo padrasto. Do flerte casual - e um tanto melancólico - surge uma amizade verdadeira.

O diretor e roteirista Joel Hopkins perdeu em Tinha Que Ser Você (Last Chance Harvey) uma oportunidade incrível de realizar um romance memorável.

Contando com dois dos maiores atores em atividade - Dustin Hoffman e Emma Thompson -, nos papéis principais, o cineasta deveria ter colado sua câmera neles, se sentado em sua cadeira e observado o texto que escreveu criar vida. Porém, resolveu interferir demais... e o que devia ser um belo drama romântico sobre duas pessoas se descobrindo tornou-se um amálgama de estilos e clichês pouco convincente.

Hopkins se perde em montagens açucaradas e subtramas desnecessárias, esquecendo dos talentos que tem à disposição. Quando é a dupla que está em cena, disparando seus diálogos, o filme flui com grande interesse. No entanto, não demora para que o diretor decida criar sua própria versão de sequências como as batidas moça-experimentando-vestidos, ou música-romântica-embalando-passeio-com-a-câmera-ao-longe. Chega a ser constrangedor quando isso acontece.

O cineasta é muito mais feliz quando deixa ambos próximos em público, andando às margens do Tâmisa e conversando sobre suas existências. É ali que Harvey e Kate, através de Dustin e Emma, se tornam personagens verossímeis, com visões realistas do amor, dos relacionamentos e da vida, duas pessoas que você poderia ouvir conversar o dia inteiro - mas que Hopkins insiste em interromper. Tremendo sujeito sem-vergonha esse diretor... segurando vela desse jeito e quebrando todo o clima.


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