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Crítica: Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

O road movie experimental de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz

Érico Borgo
23 de Outubro de 2009

Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo

Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo

Brasil , 2008 - 75
Drama

Direção:
Marcelo Gomes e Karim Aïnouz

Roteiro:
Marcelo Gomes e Karim Aïnouz

Elenco:
Irandhir Santos

Ótimo
Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo
Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009) por um lado é um típico filme-de-estrada... acompanha uma jornada tanto física quanto emocional. Por outro, é absolutamente inovador.

Marcelo Gomes (Cinema, Aspirina e Urubus) e Karim Aïnouz (O Céu de Suely) montam o road-movie a partir de sobras de filmagens realizadas para um documentário curta-metragem sobre o sertão nordestino, Sertão de Acrílico Azul Piscina. São cenas registradas na Bahia, Sergipe, Ceará, Alagoas e Pernambuco.

Verdadeiro experimento de montagem e roteiro, Viajo tem como protagonista José Renato, geólogo de 35 anos, que cruza o Sertão para avaliar as condições do terreno e estudar a viablidade da construção de um canal na região. Acontece que Renato jamais aparece em cena. O filme é todo em primeira pessoa, ordenando as imagens documentais, colhidas no início da década de 1990, com uma história ficcional contada através de narração em off.

Irandhir Santos (Besouro, A Pedra do Reino) interpreta Renato. Inicialmente sua voz é monótona, quase mecânica, e ele se limita a colocar apenas um ou outro comentário pessoal no meio do registro da jornada de 30 dias. Aos poucos, porém, conforme a sensação de isolamento e tristeza cresce na paisagem, o personagem vai deixando de ser o geólogo e passando a ser Renato, homem que sofre a saudade da esposa, deixada para trás. E não demora para que a verdadeira história do narrador seja desvendada.

Karen Harley faz um trabalho brilhante de montagem, reunindo registros em super-8, 16 mm e digital numa concisão narrativa que emociona, movida pela trilha sonora de Chambaril e a voz de Irandhir, que apesar de invisível está presente o tempo todo. Confesso que só não consegui concluir se as frequentes repetições de situações me incomodaram ou ajudaram no estabelecimento da sensação de monotonia do protagonista. De qualquer maneira, um excelente e contemplativo exercício de cinema.

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Comentários (4)

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sem avatar Fernando (24/05/2010 17:06:52)   1 0
Ontem fui assistir a esse filme, já q recebeu uma cotação tão boa assim do omelete. Ao final, o q representou com exatidão a qualidade dele foram as pessoas q foram embora no meio da sessão. É simplesmente um dos piores filmes q vi na minha vida. Só não conseguiu ser pior q Erva Daninha.

Não é um filme. É uma declamação poética com imagens ilustrativas. E uma declamação da pior qualidade. Qdo o personagem não está envolvido num papo técnico ininteligível de geólogo, está afundado numa dor de corno sem tamanho, o q é exponecializado pela música. A imagem é de péssima qualidade, quase sempre desfocada. Eu consigo fazer melhor com minha câmera do celular.

O filme é de dois diretores: o Incom e o Petente. Unindo o ruim ao pior ainda só podia sair um desastre. Ainda não tô acreditando q paguei 14 reais pra assistir àquilo.

Resumindo: se receberem ingresso de graça pra assistir à esse terror cinematográfico... joguem fora e vão fazer coisa melhor, pois é 1h15 de pura perda de tempo.



sem avatar Maria José (19/05/2010 23:48:59)   0 0
O filme é uma preciosidade em fotografia e trilha sonora. Cinema para os olhos, os ouvidos, a alma. Totalmente surpreendente e encantador. Os rapazes do Céu de Suely e Cinema, Aspirinas e Urubus sabem do que estão tratando.

mariajoséduarte



sem avatar SERGIO (08/05/2010 08:08:04)   0 0
Assisti em 07.05.2010. Realmente o filme é inovador. Nos apresenta uma nova formula de fazer cinema. A trilha sonora magnifica. O filme realmente nao foi bem aceito pelas pessoas que assistiam comigo. Perto, pasmem!, de meia duzia de testemunhas. So dizendo assim. Fora isto recomendo com louvor. Mas nao e para menos pois com dois diretores que fogem da mesmice no cinema nacional só poderiamos ver uma obra diferenciada.



Matheus Matheus (08/05/2010 03:42:00)   0 0
Filme interessante, passou na Mostra ano passado.
Na minha sessão, as pessoas não gostaram muito. Reclamam de que filme nacional só é crime-favela-filmes da globo, mas quando surge um bom filme, não se interessam em ir assistir e apoiar um nacional bom e diferente.
Agora é ver se com uma critica boa aqui, as pessoas deixem de reclamar e vão conferir.




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