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Crítica: Waltz with Bashir

Depois de Persépolis, mais uma animação traz para perto as guerras no Oriente Médio

Marcelo Hessel
13 de Outubro de 2008

Waltz with Bashir

Waltz with Bashir

Vals im Bashir
Israel / Alemanha / França , 2008 - 90
Animação / Guerra

Direção:
Ari Folman

Roteiro:
Ari Folman

Elenco:
Ari Folman, Dror Harazi, Ronny Dayag, Ron Ben-Yishai

Bom
waltz with bashir
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Depois de Persépolis, mais uma animação européia vem nos mostrar como as guerras no Oriente Médio podem dizimar a inocência da juventude. Waltz with Bashir (Vals im Bashir, 2008) opta pela animação porque as imagens da Guerra do Líbano - especificamente o massacre nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, em setembro de 1982 - são fortes demais para o live-action.

Bashir Gemayel é o nome do líder libanês morto naquele ano, em setembro, numa explosão em Beirute, apenas um mês depois de ter sido eleito presidente do país pelo parlamento. A resposta ao atentado palestino foi desmedida: com apoio do exército israelense, a milícia cristã Falangistas, que tinha Bashir como ídolo, invadiu os dois campos a oeste de Beirute e deixou - dependendo do lado do conflito em que você escolha acreditar - de 328 a 3.500 mortos.

O diretor de Waltz with Bashir, Ari Folman, era um desses jovens israelenses convocados pelo exército para ajudar os libaneses a conter o avanço da OLP no país. No início do filme, Folman (que já dirigiu na vida real dois longas em live-action e aqui se aventura pela primeira vez na animação) diz que fazer filmes tem sido a sua terapia - tanto que ele não se lembra de 1982. Ao ouvir o testemunho atormentado de um velho amigo, porém, Folman aos poucos começa a repassar de memória imagens da guerra.

Do ponto de vista técnico, temos uma animação que flui melhor nas cenas mais agitadas. Na hora de se voltar para os diálogos de personagens face a face, os movimentos ficam mais mecânicos, como se o filme tivesse sido feito em uma rotoscopia truncada.

Estética de lado, os melhores momentos do filme, assim como os melhores de Persépolis, fazem a crônica de uma juventude que flerta com valores ocidentais - o rock, o cosmopolitismo de Beirute, a ironia no trato da imagem de Gemayel - mas que é chamada a combater em nome da religião que ela herda há gerações. Waltz with Bashir cresce nesses instantes, mas a crônica não é seu foco principal. À medida que Folman vai deixando de aparecer e os "talking heads", os entrevistados, ganham mais espaço, o longa se torna mais um documentário de denúncia.

Não deixa de ser uma limpeza de consciência. Apoiado pelo diretor dos animadores, Yoni Goodman (cujo nome é incensado no site oficial do filme mas não aparece nos créditos principais na telona), Folman se exime da responsabilidade pelo massacre de duas formas. A primeira, muito pontual: colocando em cena um psicólogo que diz que Folman não teve culpa no episódio, já que apenas serviu de apoio aos Falangistas e não puxou gatilhos. A segunda, estrutural: transformando Waltz with Bashir, de relato pessoal, em documentário impessoal.

Como denúncia, Folman faz bem o serviço, ao conseguir de um dos entrevistados a declaração de que o então Ministro da Defesa de Israel, Ariel Sharon, tinha conhecimento do massacre. Como expiação de culpa, depois de ter começado bem (a imagem dos sinalizadores no céu é muito boa, assim como os belos olhos azuis de Folman diante da tragédia), flertando até com o onírico, resulta incompleto.


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