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Diana | Crítica

Cinebiografia esvazia a princesa para falar da cultura da celebridade

Marcelo Hessel
17 de Outubro de 2013

Diana

Diana

Reino Unido / França / Bélgica / Suécia , 2013 - 113 minutos
Biografia / Drama

Direção:
Oliver Hirschbiegel

Roteiro:
Stephen Jeffreys, Kate Snell (livro)

Elenco:
Naomi Watts, Naveen Andrews, Douglas Hodge, Geraldine James, Daniel Pirrie, Juliet Stevenson, Cas Anvar, Charles Edwards

Bom
diana
diana
diana

Diana começa em Paris, na noite do acidente de carro que matou a princesa britânica, vivida por Naomi Watts no filme. A câmera do diretor alemão Oliver Hirschbiegel (A Queda!) segue a atriz num plano-sequência pelo quarto, mas nunca mostra o rosto dela. Quando Diana se vira para a câmera, como se percebesse que está sendo seguida, Hirschbiegel recua.

Ao emular o estilo invasivo dos paparazzi, o diretor já indica, neste começo de filme, o tipo de enfoque que procura. Diante do desafio de compreender uma das personalidades mais mitificadas do século 20, Hirschbiegel escolhe filmar a celebridade Lady Di, a Princesa do Povo - a câmera fica circulando a atriz, fazendo zoom-ins meio bruscos, sempre num jogo de tentativas de aproximação -, na esperança de que isso lhe permita alcançar a mulher Diana Spencer.

Isso faz de Diana uma cinebiografia peculiar, porque parte do princípio de que a vida de celebridade não é só uma máscara, mas uma forma legítima de expressão. A imagem famosa de Diana no iate de Dodi Fayed, solitária no trampolim, vitimizada, ganha outra conotação no filme, quando já temos plena consciência da maneira como Diana usa a exposição na mídia a seu favor.

Então a questão que em teoria se coloca é se esse interessante "estudo da celebridade" consegue, ou não, transformar-se num estudo de personagem. É aí que Diana joga com nossas expectativas, porque enquanto personagem a Diana do filme não é muito mais do que uma princesa trágica de contos de fada, inclusive com coadjuvantes que suprem os espaços consagrados desse tipo de história: o médico é o príncipe encantado, a acupunturista vira a ama confidente, o milionário e seu iate representam o vilão e o cativeiro.

Talvez seja por isso que a mídia inglesa, tão habituada a enxergar suas figuras públicas como celebridades, tenha reagido negativamente ao filme, porque Hirschbiegel de certa forma denuncia esse vício: sua Diana é uma figura romântica esvaziada (ela põe os olhos no médico e no plano seguinte já está sonhando com a cabeça no travesseiro, roboticamente apaixonada), disposta a se moldar sob o olhar do outro. Nesse sentido, a transformação mais impressionante de Naomi Watts é em cena mesmo, nas muitas Dianas a que ela dá forma quando as câmeras estão ligadas ou desligadas.

Então se o filme soa insatisfatório na hora de reconstruir essa personagem de carne e osso (porque Diana Spencer, no fim, parece uma pessoa bastante desinteressante), talvez seja porque Diana na verdade está mais interessado no espectro, na elegia, na princesa Diana inventada por todos que, fatidicamente, terminou substituindo a "real". E enquanto estudo da celebridade - e, por extensão, enquanto estudo do olhar - o filme questiona: existe diferença entre o real e o mediado?

Diana | Cinemas e horários



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Comentários (12)

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Diogo Diogo (21/10/2013 16:32:21)   0 0
Hessel fale mais sobre o filme ... as suas críticas estão ficando chatas



Professor X Professor X (18/10/2013 22:03:30)   2434 0
aff... crítica do Hessel nem me dou ao trabalho de ler!!!



João Vitor João Vitor (18/10/2013 13:22:52)   8 0
Tá me parecendo uma biografiazinha méh..
________________________________________

http://youtu.be/5IQoo5ctHSk
___________________________



sem avatar Marcos (18/10/2013 12:38:43)   2 1
A caracterização da Naomi realmente ficou boa...Um pouco Cassandra do "Sai de Baixo", mas ainda assim boa


Eduardo Eduardo (18/10/2013 19:16:18)   -49 1
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...


TLA TLA (18/10/2013 09:25:08)   859 0
Em certos pontos a Naomi ficou bem parecida com a princesa.
Será que a monarquia aceitou ver ou reproduzir no país?



Marlon Marlon (17/10/2013 21:34:29)   2907 0
Eu nunca imaginei que essa cinebiografia fosse funcionar. Diana foi exageradamente perseguida pela mídia, e o filme certamente teria de se resumir a isso.

Mas a caracterização realmente ficou muito boa, ponto para Naomi.



Alerson Alerson (17/10/2013 20:50:12)   1340 0
Desde os trailers já se mostrava como um filme fraco.Agora a Naomi Watts realmente ficou bem parecida com a Diana.Se ela foi indicada ao Oscar naquele tb fraco O Impossível,não duvido nada desse.


sem avatar kelevra (17/10/2013 21:10:23)   18 0
eu gostei de O Impossível. E olha q infelizmente fui obrigado a assistir dublado...

Galo Galo (18/10/2013 10:40:19)   1293 0
Também gostei de O Impossível.

Não é "o filme", mas é bem feito e a história prende a atenção.


Agora, aquela rápida cena que mostra o que aconteceu com ela durante o tsunami, no final do filme, foi sinistra. ;-)


G. brucew G. brucew (17/10/2013 18:15:40)   1997 1
Surpreso com as críticas a esse filme mundo afora, estão detonando o filme!




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