4

Assista Agora

Era Uma Vez...

Diretor de 2 Filhos de Francisco reconta Romeu e Julieta no Rio de Janeiro dos dias de hoje

Marcelo Forlani
24 de Julho de 2008

Era Uma Vez...

Era Uma Vez...

Era Uma Vez...
Brasil , 2008 - 118
Drama / Romance

Direção:
Breno Silveira

Roteiro:
Patrícia Andrade, Domingos de Oliveira

Elenco:
Vitória Frate, Thiago Martins, Paulo César Grande, Rocco Pitanga

Bom
era uma vez
era uma vez
era uma vez...

A frase "Era uma vez..." é muito ligada aos contos de fada, aqueles bonitinhos em que a a princesa se casa com o príncipe encantado e os dois vivem felizes para sempre. No mundo real a história é outra. Os desafios são maiores que qualquer gigante, mais feios que os dragões e mais cruéis que madrastas com verruga na ponta do nariz. Apesar de alguns elementos estrategicamente plantados para justificar o título, o filme Era Uma Vez... (2008) tem pouco das histórias felizes que são contadas para as crianças.

O cenário é o Rio de Janeiro. A princesa, Nina (Vitória Frate), não mora em um castelo, mas sim em um apartamento de frente para a praia de Ipanema. E seu príncipe encantado é Dé (Thiago Martins), um dos milhares de jovens que desce o morro diariamente atrás de trabalho honesto. Da barraca de côco que fica na frente do apartamente dela, Dé acompanha o dia-a-dia da moça, as festas, as amigas, os problemas com os namorados. Sonha com o dia em que vai vencer a timidez e falar com ela.

A distância entre o casal é física, cultural e social, mas seria também intransponível? Não para os dois, que querem ficar juntos apesar de seus caminhos apontarem para horizontes diferentes.

O que acabou se tornando este romance dramático que você vai ver no cinema - e os lindos enquadramentos que eles fizeram do Rio de Janeiro merecem esse esforço seu - teve um início bem diferente. Quando Breno Silveira era o diretor de fotografia de Santa Marta - Duas Semanas no Morro (1987), de Eduardo Coutinho, ele passou um tempo na favela e decidiu que aquele duro cotidiano continha tudo o que era necessário para a sua estréia como diretor. Tentou, então, comprar os direitos de um livro chamado Cidade de Deus, de Paulo Lins. Chegou atrasado. Fernando Meirelles já tinha passado antes e o resto é história.

A solução foi chamar o mesmo Paulo para ajudá-lo a escrever uma nova história. Mas mesmo com o roteiro pronto e em mãos, Breno acabou se envolvendo com um outro projeto: 2 Filhos de Francisco, a história de Zezé de Camargo e Luciano. No papel, o filme tinha elementos para carregar o que a palavra popular tem de negativo. No entanto, o que se viu na tela foi um belo drama, muito bem filmado, que usou a popularidade dos biografados e se converteu na maior bilheteria nacional desde a Retomada.

Breno gosta de contar que fazer 2 Filhos de Francisco criou nele um gosto muito forte em falar de amor e emocionar as pessoas. Foi este sentimento que o levou a pegar a história escrita com Paulo Lins, que era bem mais violenta e reescrever, desta vez com a ajuda de Patrícia Andrade, a mesma que assinou o roteiro de 2 Filhos com Carolina Kotscho.

Se adicionou dramaticidade e elementos românticos, a trama caiu no clichê de recontar a história de Romeu e Julieta. Apesar de clássica e muito bem interpretada (com exceção do pai de Nina, papel do Paulo César Grande), a opção era óbvia demais. Mas Breno sabia disso e usou a última cena para fazer tudo ganhar novo sentido. Sabemos que no mundo real não dá para vivermos todos "felizes para sempre", mas ainda dá para melhorar muito!


Compartilhar

Comentários (4)

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

sem avatar Helano Jader (09/01/2012 19:28:28)   0 0
Tive, a exemplo dos outros colegas, a grata surpresa de ver "Era uma vez", que eu sequer sabia que ia passar na TV, na última sexta-feira.

Confesso que o filme não demorou a prender minha atenção, pois já na primeira fala da película, o protagonista diz "Moro no lugar mais bonito do mundo: o morro do Cantagalo" e depois mostra a vista de Ipanema. Para um apaixonado pelo Rio de Janeiro, como eu sou, e que acha que a cidade sempre será protagonista em qualquer filme que lá seja filmado e por isso dispensa qualquer "efeito especial", isso foi o suficiente para me prender na frente da TV.

Além disso, um roteiro muito bem estruturado numa trama em se pode rir, chorar, torcer e ficar aflito várias vezes, fazem de "Era uma vez" motivo de orgulho pro cinema nacional. Parabéns!



sem avatar larissa (07/01/2012 00:32:22)   1 0
Adoreiiii Demais...recomendo!!!



sem avatar Diego (07/01/2012 00:28:34)   1 0
Acabo de assistir o filme na TV, confesso que pelo nome eu não assistiria mas, com a TV já ligada. acompanhei suando frio e já prevendo que que de ruim viria a acontecer.

O filme é ótimo. Um roteiro que só peca no último instante mas que conduz muito bem o todo. Os atores estão fantásticos. Interpretações de dar gosto de ver. A fotografia é linda.

Deviam realmente ter trocado o nome. O nome e as últimas atitudes dos personagens principais.


Diego Vinicius Diego Vinicius (07/01/2012 18:28:40)   -2 0
Também assisti o filme ontem e também não foi algo programado, pois o nome e o comercial do filme não havia me chamado a atenção. Mas a TV ligada, comecei assistindo por assistir, então, quando me dei conta me vi envolvido na trama, prevendo que mais cedo ou mais tarde alguma coisa muito ruim aconteceria. Resultado: no final de tudo acabei sofrendo por um filme que eu nem havia programado a assistir (risos). Mas se o filme conseguiu me prender e me envolver, só pode ser porque se trata de uma boa história e um bom diretor. Eu tinha botado fé que eles iriam viver felizes para sempre em uma pacata praia do nordeste, mas infelizmente a realidade foi mais determinante que o desejo dos telespectadores.



None