Confissões de uma Mente Perigosa | Crítica

Confissões de uma mente perigosa

Marcelo Forlani
30 de Abril de 2003

Confissões de uma mente perigosa
Confessions of a dangerous mind - EUA, 2002
Ação/humor - 113min.

Direção: George Clooney
Roteiro: Chuck Barris (livro), Charlie Kaufman

Elenco:
Sam Rockwell, George Clooney, Jennifer Rae Westley, Drew Barrymore, Julia Roberts, Rutger Hauer, Maggie Gyllenhaal, David Julian Hirsh, Jerry Weintraub, Frank Fontaine

"Cool" é uma expressão da língua inglesa que é muito usada para destacar algo ou alguém que é muito legal, descolado, acima da média, excepcional, estiloso, obrigatório. Esta palavrinha de apenas quatro letras (três, na verdade, se levar em consideração que uma delas se repete) vem sendo falada há tanto tempo que ninguém sabe ao certo quando começou. Alguns relatos dizem que foram os negros, que começaram a usá-la na década de 30, mas que a popularização veio mesmo com os jazzistas dos anos 40 e que a 2ª Guerra Mundial tratou de espalhá-la no mundo todo.

Em português não há uma palavra que tenha a mesma força. Já usaram o "da hora", "do balacobaco", "irado", "animal", mas estas expressões acabam logo caindo em desuso.

Bom, todo este blablablá foi só para você entender o que é "cool", porque George Clooney É COOL!

Foram se os tempos em que ele era o Dr. Doug Ross, o médico bonitão da série E.R. (Plantão médico, quando passava na Globo). Hoje, ele é uma das pessoas mais importantes de Hollywood. Ator de filmes como Três Reis (Three Kings, de David O. Russell - 1999) e E aí, meu irmão, cadê você? (O Brother, Where Art Thou?, dos irmão Cohen - 2000). Clooney assumiu também a função de produtor. Ao lado de Steven Soderbergh (Traffic) criou a Section Eight, de onde saíram Onze Homens e um segredo (Oceans Eleven - 2001) e Solaris (idem - 2002).

Agora, Clooney deu mais um passo e virou também diretor. O resultado de sua primeira aventura por trás das câmeras é Confissões de uma mente perigosa (Confessions of a Dangerous Mind - 2002). O filme conta a história de Chuck Barris, um produtor de TV americano que inventou game-shows como The Dating Game e The Gong Show. Nunca ouviu falar? Errado. Você conhece estes dois programas, mas eles passavam (ainda passam?) na TV brasileira com outros nomes. O primeiro show foi chamado no Brasil de Namoro na TV e o segundo é o Show de calouros. Mas não é só isso. Barris diz que enquanto inventava estas atrações foi também um agente da CIA e matou 33 pessoas! Está tudo escrito na sua autobiografia.

O roteiro baseado no livro foi feito por Charlie Kaufman, o mesmo que escreveu os ótimos Quero ser John Malkovich (Being John Malkovich, de Spike Jonze - 1999) e Adaptação (Adaptation, de Spike Jonze - 2002). Clooney havia gostado tanto do projeto que continuava interessado em interpretar o agente Jim Byrd mesmo depois de ver o filme sendo cancelado três vezes e passar nas mãos de diretores do quilate de David Fincher (O quarto do pânico) e Curtis Hanson (8 Mile). Mas quando Bryan Singer (X-Men) pulou fora do barco, Clooney resolveu que seria a hora de finalmente dirigir um longa-metragem.

Apaixonado pelos filmes dos anos 60 e 70, o diretor "emprestou" muito da estética dos filmes desta época. As passagens de câmera são um dos pontos altos da parte técnica da fita. Cenários, luzes, pessoas e câmeras se movem de forma discreta para mostrar a passagem do tempo de uma forma inteligente. Para o papel principal foi chamado Sam Rockwell (As Panteras), um ator não muito famoso para o público em geral, mas bastante talentoso. O elenco de apoio foi conseguido à base de uma poderosa agenda telefônica. Em algumas ligações, Clooney conseguiu chamar seus amigos Drew Barrymore e Julia Roberts para os papéis secundários e ainda Brad Pitt e Matt Damon para uma ponta rapidíssima, mas muito engraçada.

O resultado final de tudo isso é tão cool que nem parece que se tratar da estréia de Clooney na direção. Aliás, se continuar assim, ele vai ter que mudar seu nome para George Coolney.



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Comentários (2)

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sem avatar Glauco (31/07/2013 12:32:43)   0 0
Não acho George Clooney um bom ator... deveria ter ficado em Plantão Médico... mas, quanto a direção, está de parabéns...
Julia Roberts pode ter a beleza que for, mas apenas para comédias românticas...
Sam Rockwell e Drew Barrymore nada a declarar contra... e o roteiro de Kaufman que é do balacobaco...



Gabriel Gabriel (01/02/2013 09:53:23)   15 1
A crítica praticamente só falou do Clooney e nada do filme ¬¬




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