Nos anos 40, as matinês de cinema viviam seu auge. Numa época em que ainda não havia a televisão, toneladas de séries de aventura invadiam as telas oferecendo ao público o escapismo necessário numa sala de projeção perto de sua casa.
Legiões de fãs iam religiosamente assistir toda semana às peripécias de seus heróis e descobrir como eles se safariam da enrascada em que se meteram no final do episódio anterior. Os quadrinhos serviram de fonte de inspiração para muitos desses seriados. Tarzan, Flash Gordon, Super-Homem, Fantasma, Buck Rogers, Capitão América, Mandrake, Capitão Marvel, entre tantos outros cativaram o público; cada um à sua maneira, com suas virtudes e defeitos em particular. Por um lado, houve ousadias que marcaram época (Flash Gordon) e sucessos de público e crítica (Capitão Marvel) e do outro... bem... havia o Batman.
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Em 1943, apenas quatro anos após ter surgido nas HQs, o Morcegão debutava nas telas. Pagando o mico num seriado de 15 capítulos, batizado por aqui de O Morcego, dirigido por Lambert Hillyer e produzido pela Columbia Pictures. Nele, o nosso herói, ajudado, é claro, pelo Menino-Prodígio, combate as maquinações do terrível Dr. Daka!
Mas quem diabos seria esse vilão&qt& Daka não passava de um japonês fanho que tinha o hábito de alimentar seus crocodilos de estimação com frangos, que trazia numa cesta de piquenique. Isso não o impedia de, nas horas vagas, tentar dominar os EUA com uma máquina capaz de transformar pessoas em zumbis. Estes, por sua vez, eram controlados por meio de um moderníssimo microfone. A propósito, o esconderijo do dito por si só já era um luxo. Além de todo ornamentado em motivos orientais, com direito à estátua de Buda ao fundo, localizava-se no trem-fantasma de um parque de diversões. Genial, não&qt&
Daka era o vilão perfeito para o momento histórico em questão. Afinal, o mundo vivia a Segunda Guerra Mundial e um oriental só poderia representar a encarnação do mal para olhos ianques. Exatamente por ressaltar esse tipo de preconceito, o seriado foi duramente criticado ao se valer de estereótipos raciais simplesmente para faturar um troco fácil.
CHIFRINHOS DENGOSOS
E os nossos queridos protagonistas, como eram&qt& Bem, digamos que um orçamento cruel e a inexistência de tecidos colantes não fizeram nada bem ao figurino da dupla dinâmica. Tanto que parecem ter sido costurados às pressas pelo fiel mordomo Alfred (William Austin). Ele, por sinal, fazia papel de escada cômica na série.
Batman (Lewis Wilson) penou no seu capuz folgado. Mais parecia um pedaço de pano enrolado na cabeça, enfeitado por deprimentes chifres molengas. O físico de Wilson também não ajudava muito. Definitivamente, não inspirava "terror no coração dos criminosos". Robin (Douglas Croft) era um moleque franzino com cabelo ridículo em estilo "pré-Dragon Ball". Coitado! Apanhava o tempo todo dos capangas de Daka. Enfim, duas figuraças que não passavam a menor credibilidade a suas personagens. Na verdade, ajudaram a perpetuar cenas constrangedoras. Riso certo até ao mais ofendido dos fãs. Sinta alguns...
BAT-MOMENTOS ANTOLÓGICOS:
Enfim, um "tesouro arqueológico" do trash, recheado de surpresas até mesmo para o espectador mais desatento. Mas que só vale a pena ser visto avançando a imagem para os momentos mais inglórios da carreira do Homem-Morcego. E pensar que teve continuação anos mais tarde...
1949 - A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
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Tem gente que não aprende com os erros, não é mesmo&qt& Não bastasse o vexame do seriado anterior, os produtores tentaram mais uma vez faturar nas costas da dupla dinâmica. Com o título A volta do Homem-Morcego (Batman and Robin), novamente com 15 episódios, sob a direção de Spencer Bennet. Desta vez, porém, trataram de mudar o elenco furreca, por outro tão sem-vergonha quanto. Batman (Robert Lowery) é tão desengonçado quanto seu antecessor, Sua roupa, apesar de mais escura, continua tão desajeitada e desconfortável quanto sua antecessora. Fazendo questão de salientar seu físico rechonchudo. Sem falar nos "chifrinhos", que se mantiveram murchos. Robin (John Duncan) já havia passado e muito da idade de ser chamado de menino-prodígio. Na época, o garotão transitava pela casa dos trinta. Das HQs, entram em cena a fotógrafa Vicki Vale (Jane Adams) e o Comissário Gordon (Lyle Talbot). Entretanto, o roteiro... bem, continuou a mesma alegria de antes. Sinta só:
Os intrépidos cruzados recebem de Gordon a incumbência de recuperar um avançadíssimo aparelho de controle remoto, capaz de deter, à distância, a marcha de um automóvel, de um avião ou de um trem... menos a dupla dinâmica, claro.
Não é que o tal aparato foi surrupiado pelo gênio do crime de plantão: o malévolo Mago, um sujeito trajando um originalíssimo traje preto no estilo Ku Klux Klan. Para piorar a situação, o coisa ruim ainda possui o temível (rufem os tambores...) Raio da Morte, um feixe elétrico que torna invisível qualquer coisa... além de ter o poder destrutivo de uma bomba atômica, claro.
A produção em si continuou paupérrima: cenas de luta no melhor estilo Gigantes no Ringue, efeitos especiais toscos até para os padrões da época e demonstrações privilegiadas de canastrice. Mais uma pérola do humor involuntário, tamanhas as atrocidades cometidas com os vigilantes de Gotham.
Depois disso, Batman ficaria longe das telas até 1966, quando um longa (na verdade o piloto da sua série cômica de TV) foi exibido nos cinemas. Uma produção genuinamente cinematográfica só viria mais tarde. Desta vez, nada de filmeco feito nas coxas e sim, um filmão feito nas coxas...
continua na próxima semana
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