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Marley e Eu

Adaptação do romance best seller é chorosa e uma exaltação à resignação

Érico Borgo
24 de Dezembro de 2008

Marley e Eu

Marley e Eu

Marley & Me
EUA , 2008 - 120
Drama

Direção:
David Frankel

Roteiro:
Scott Frank, Don Roos

Elenco:
Owen Wilson, Jennifer Aniston, Eric Dane, Kathleen Turner, Alan Arkin, Nathan Gamble, Haley Bennett, Clarke Peters

Regular
Marley
Marley
Marley

Antes que me chamem de insensível, "anti-canita" ou coisa parecida, já começo esta crítica informando que não consegui segurar as lágrimas ao final de Marley e Eu (Marley & Me, 2008). Mas bem que tentei (o que me rendeu uma dor de cabeça que durou horas). Acontece que o clímax é mestre numa universal forma de manipulação melodramática que encadeia todos os mais sofridos acontecimentos e frases possíveis. Dessa forma, segurar as lágrimas beira o impossível. Mas é perfeitamente possível odiar tê-las vertido.

O filme dirigido por David Frankel (O Diabo Veste Prada) adapta o livro do colunista do Philadelphia Inquirer John Grogan. Best seller recente, o romance reúne as memórias do autor sobre seu labrador Marley e relata "as importantes lições de vida que seu cachorro neurótico o ensinou".

O grande problema é que não vejo as tais "importantes lições" prometidas na sinopse do filme e no material de divulgação que o casal Grogan (ele é vivido por Owen Wilson, ela por Jennifer Aniston) extrai de seu cachorro. Trata-se de um drama sobre maturidade, sim. Sobre um homem aprendendo a lidar com suas responsabilidades. Mas o cão... esse é mera desculpa estética e medida de tempo, já que a história começa com sua compra e termina na sua velhice. A relevância do animal à história é quase nula.

O filme até tenta - dá inúmeras pistas que a chegada do cachorro possa estar mudando seu dono, mas elas se restringem a comentários de terceiros, que percebem como Marley virou assunto da coluna que o protagonista escreve. O roteiro da adaptação, escrito a quatro mãos por Scott Frank e Don Roos, falha ao efetivamente demonstrar essa importância, talvez pressupondo que o público já a conheça das páginas impressas.

O cachorro torna-se dessa maneira apenas um conforto visual, um facilitador, numa história que - seja qual for a mídia - julguei lamentável, de alguém conformando-se ao que outras pessoas esperam dele na vida.

Ao longo do filme, o personagem e autor do romance auto-biográfico passa de alguém que nutria sonhos a um sujeito enjaulado num cotidiano medíocre. Vai trabalhar como colunista (ele queria ser repórter), vai morar no bairro que detestava (pela segurança), recusa a oportunidade de uma vida...

É inacreditável como as pessoas consumiram essa história e exaltaram esse livro simplesmente por um cachorro! Ok, estou exagerando... não apenas pelo cachorro, mas por um final (e não me refiro ao destino do bicho) "feliz" que faz com que todas as pessoas que já desistiram de seus sonhos e adequaram-se resignadas ao conceito mais clichê possível de família, aquela coisa de comercial de margarina, sintam-se um tantinho mais felizes consigo mesmas.

Ao meu ver pessoas assim precisam de um chute no traseiro, não de tapinhas nas costas. Que saudade do cinema que mostrava um Roy Neary abandonando tudo e todos em nome do desconhecido em Contatos Imediatos do Terceiro Grau... Mas esse sou apenas eu. Para os conformistas, Marley & Eu merece nota máxima. A minha é mesmo abaixo da média. E só não é pior porque o cachorro é fofo, fofo...

Leia entrevista com Jennifer Aniston e Owen Wilson


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Comentários (4)

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André B André B (27/03/2012 01:05:34)   663 0
Estranho como a crítica se preocupa mais em falar das pessoas que gostaram do filme do que do próprio filme.

Achei o filme razoável. Menos melodramático do que parece (não é nada impossível não chorar no final).

De fato, algumas questões poderiam ser melhor trabalhadas, como a dualidade do protagonista com o tal Sebastian. De fato, a vida não é só pegar as coisas e sair pelo mundo. Ou talvez seja, mas isso é uma questão de escolha, e não me vejo no direito de ficar criticando a escolha dos outros, afinal cada um carrega o próprio fardo.



sem avatar Luiz (24/02/2012 13:06:20)   0 0
Eu gostei bastante do filme.
99% das pessoas que conheço gostaram do filme.
Única conclusão que chego, é que só pessoas que acham que são inteligentes e críticos não gostaram do filme.
As vezes ser crítico é ser uma pessoa normal.



DDanilo DDanilo (04/07/2011 15:05:14)   -162 -2
Cara,perdi meu cachorro hoje(ele morreu),e quem tem(ou ja teve) um cão como companheiro sabe que eles acabam se tornado bem mais que um animal de estimação,acabam virando um parente,um irmão,um filho e a perda de um ente querido causa mudanças em você...

Não sei se o Érico sabe o que isso significa...

O cão vai e a unica coisa que fica é a coleira,a corrente,marcas de moveis roídos e a saudade que nunca vai embora...



Vinícius Vinícius (22/04/2010 00:07:50)   199 1
Concordo que as tais mudanças proporcionadas pelo cachorro não sejam lá muito visíveis no filme (não li o livro), mas acho que talvez o Érico tenha já ido de mal com o filme pro cinema. :D

Não acho que a mensagem do filme seja "desista dos seus sonhos e seja o que os outros esperam de você".

No meu ponto de vista o filme tenta nos mostrar que nem sempre na vida tudo ocorre como planejado, as vezes nós somos pegos de surpresa e temos que nos adaptar à certas mudanças. No entanto, nós podemos acabar nos surpreendendo ao descobrir que, mesmo não estando nos nossos planos, as mudanças as vezes trazem coisas boas para as nossa vidas também.




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