Nuovomondo
Itália/França
, 2006
- 112
Comédia /
Drama
Direção:
Emanuele Crialese
Roteiro:
Emanuele Crialese
Elenco:
Charlotte Gainsbourg, Federica De Cola, Vincenzo Amato, Francesco Casisa, Ernesto Mahieux, Andrea Prodan, Filippo Pucillo, Aurora Quattrocchi, Vincent Schiavelli
Novo Mundo (Nuovomondo), terceiro filme de de Emanuele Crialese, o diretor de Respiro, mostra a imigração italiana do início do século 20 aos Estados Unidos por um ponto-de-vista inusitado. Revela os preparativos para a viagem no local de origem, a travessia do Atlântico num navio lotado e a quarentena na Ilha Ellis, local vizinho à Estátua da Liberdade onde era realizada a triagem das pessoas às quais era permitida a entrada no país (quem viu O Poderoso Chefão II deve lembrar-se do jovem Vito Corleone no local).
Acompanhamos a jornada da Sicília, Itália, até Nova York através dos olhos da Família Mancuso. Salvatore (Vincenzo Amato), o pai, vende tudo o que tem para custear a viagem com os filhos e a velha mãe, em busca de trabalho, oportunidades e as riquezas que o Novo Mundo oferece, como míticos rios de leite, árvores que dão dinheiro e hortaliças colossais. A bordo do navio ele conhece a bela inglesa Lucy (Charlotte Gainsbourg), que viaja ao lado dos italianos com motivos misteriosos.
Crialese aborda as dificuldades da viagem de maneira genial. Ele evita todos os clichês do gênero - a começar pelo tema. Geralmente, filmes sobre imigrantes concentram-se na chegada ao país estranho, quase nunca mostrando o que foi perdido ou o que deixou-se para trás, e nas tonterias que os novatos fazem em sua nova e estranha casa. Ao optar por essa nova abordagem, o diretor faz doer na pele do público as agruras da mudança. Igualmente formidável é a maneira com que ele encontra para tratar seus personagens como pessoas que são, sim, inteligentes, mas que simplesmente desconhecem o que encontrarão adiante. Não há tontos, apenas deslocados.
Todos os três momentos são lindamente executados. Há seqüências e planos memoráveis, que têm como semelhança a habilidade do cineasta em sugerir, sem efetivamente mostrar (obviamente, economizando em seu orçamento por conta disso). Exemplos disso são a belíssima saída do navio da Itália (que jamais mostra a embarcação, apenas os dois grupos de pessoas: os que vão e os que ficam), a tempestade oceânica totalmente ambientada abaixo do convés e a primeira visão de Nova York - apenas contada por Salvatore. Sem falar na simples ausência da famosa Cena com a Estátua da Liberdade, presente em 9 entre 10 filmes de imigração.
Alternando momentos de grande emoção - sem apelar jamais ao melodrama, valendo-se apenas da interpretação de seu elenco - com diálogos e cenas engraçadíssimas, o diretor faz um excepcional registro da chegada de pessoas do mundo todo ao Novo Mundo. Aproveita ainda para tecer um ou dois paralelos críticos sobre a atual política de imigração estadunidense com a empregada no passado - ambas, curiosamente, muito distintas do poema de Emma Lazarus inscrito na base da Estátua da Liberdade: Venham a mim as massas exaustas, pobres e confusas ansiando por respirar liberdade. Venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade. Eu os guio com minha tocha...
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