O Futuro da Humanidade Segundo a Ficção Científica - Parte 2: Distopia

Oito tipos de sociedades que não deram muito certo...

Flávia Gasi
19 de Setembro de 2012

Como o cinema de ficção científica imagina o nosso futuro? Na primeira parte do artigo especial, tratamos das possibilidades otimistas, as sociedades utópicas, harmônicas e ideais. Nesta segunda, apresentamos o oposto: a distopia.

Nos futuros distópicos, frequentemente pós-apocalípticos, onde impera a paranoia, mesmo as sociedades sob um véu de ordem e disciplina estão em desarranjo. Geralmente os filmes partem de dois grandes princípios: revelar a corruptividade do sistema ou apresentar os conflitos do protagonista em meio a uma sociedade decadente. Finais esperançosos, em que o individual vence a opressão coletiva, nem sempre são a regra. Aqui, a questão é o poder, e quem o exerce.

Distopias são a inspiração para um sem-fim de filmes de ficção científica. Na lista abaixo, então, você confere alguns representantes de vários gêneros das realidades distópicas, ao lado de outros filmes que se encaixam no mesmo perfil. Muitos dos escolhidos também podem ser classificados em mais de uma categoria, já que os filmes distópicos tendem a abordar mais de um aspecto do mundo em ruínas.

1984

Tipo de distopia: totalitarista

1984, em suas duas principais versões cinematográficas, de 1956 e 1984, e no romance homônimo de George Orwell, sintetiza o totalitarismo e a sociedade de controle. O cidadão abdica de suas liberdades pessoais em troca de uma política de segurança nacional e da promessa de um mundo sem crimes. O Estado passa a padronizar as classes sociais e o estilo de vida, tudo em prol de uma comunidade supostamente homogênea.

Imagine que uma câmera grava todos os seus movimentos, a cada instante, todos os dias. Dentro desse ambiente controlado, onde o Grande Irmão representa o panóptico perfeito, as regras se impregnam na rotina das pessoas de tal forma que, em dado momento, o controle total prescinde da câmera para continuar funcionando. Em 1984, ademais, a repressão do Estado não se dá somente por meio de coação e censura, mas por uma mudança de enfoque: propaganda manipulativa.

Este é o gênero de distopia mais utilizado no cinema de ficção científica, e já rendeu ótimos títulos - muitos deles, como 1984, também derivados da literatura, a exemplo de Fahrenheit 451, A Scanner Darkly – O Homem Duplo e Aeon Flux. Uma subdivisão da distopia totalitarista é a do Estado burocrático, em que os cidadãos, presos numa situação kafkiana, não conseguem driblar as regras do sistema simplesmente por elas existirem em excesso. Os filmes, nesse caso, tendem ao absurdo e à sátira, como Brazil e Idiocracy.

Blade Runner - O Caçador de Androides

Tipo de distopia: tecnológica

Outro subgênero abundante no cinema de ficção científica. Blade Runner, o filme de Ridley Scott de 1982 que adapta o romance Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick, é um dos principais exemplares do mundo "high tech, low life", isto é, quanto maior o conhecimento científico, pior a qualidade de vida da população. No caso das distopias, a aceleração da tecnologia pode causar um colapso iminente, seja pelo seu mau uso, pela falta de organização na superurbanização ou pela sociedade que apela para o crime como forma de sobrevivência.

Aqui não há um véu de utopia. O universo de Blade Runner apresenta um mundo totalmente caótico, que passa por problemas de superpopulação e poluição. Robôs orgânicos conhecidos como replicantes são criados para trabalhar em colônias fora da Terra, com um curto tempo de vida, e aqueles que tentam viver em meio aos humanos no planeta devem ser exterminados. Mas, nessa realidade esgarçada, o conceito de "humanidade" se perde - daí o conflito principal de Blade Runner, com seus replicantes revoltosos em busca de aceitação.

Já filmes como Matrix demonstram a mesma problemática das máquinas, mas em um mundo onde os humanos já foram totalmente subjugados. Outros exemplos de distopias tecnológicas incluem eXistenZ, Videodrome, Johnny Mnemonic – O Cyborg do Futuro, Metrópolis, O Exterminador do Futuro, THX-1138 e AI – Inteligência Artificial. Este subgênero também pode ser encontrado em inúmeras animações orientais, entre elas Akira, Ghost in the Shell - O Fantasma do Futuro e Appleseed.

O Livro de Eli

Tipo de distopia: pós-apocalíptica

O Livro de Eli, de 2010, é colocado como representante deste gênero por trazer uma versão clássica do apocalipse, com seus desdobramentos religiosos: o mundo passa por uma guerra nuclear que transforma o planeta em uma terra árida de ninguém, e, assim como em A Estrada, o refúgio possível, contra vilões que exploram a desesperança dos demais, talvez seja apenas o espiritual.

O protagonista segue seus próprios valores morais enquanto parte em uma missão que pode alterar a situação e, no caso, trazer um pouco de esperança. Eli perambula por mais de 30 anos até encontrar uma cidadezinha cujo dono afirma conhecer um livro que poderá dar-lhe o poder de dominar as pessoas. O poder é uma das questões fundamentais de sociedades distópicas porque, mesmo que as histórias tenham focos diferentes, uma sociedade imperfeita é gerida por um governante imperfeito.

A escassez de gasolina, a poluição e a predileção por futuros desérticos e sem vida são a norma em filmes como Mad Max, Filhos da Esperança, Os 12 Macacos e Wall-E, mas a natureza vez ou outra se impõe no vácuo deixado pela humanidade, em filmes como Planeta dos Macacos, Waterworld - O Segredo das Águas e Eu Sou a Lenda, Embora a leitura religiosa não esteja sempre presente, não é difícil ver em dilúvios ou em mártires uma chance de interpretar essa variedade de filmes pelo viés bíblico.

Laranja Mecânica / Batalha Real

Tipo de distopia: criminosa

O filme britânico Laranja Mecânica, de 1971, e o japonês Batalha Real, de 2000, têm duas coisas em comum: ambos são baseados em romances homônimos, e trazem a violência como respostas a uma sociedade distópica. Em Laranja Mecânica, o crime organizado comanda as ruas, rivalizando com o papel do Estado, que está a ponto de perder a guerra. O crime, aqui, funciona em resposta ao totalitarismo, mas acaba criando, inevitavelmente, outro tipo de pressão.

Já em Batalha Real, o crescimento da população mundial foi tamanho que esgotou os recursos naturais do planeta. Para controlar as massas e manter a população acuada, o governo cria um jogo: jovens de 15 e 16 anos são atirados em uma ilha para exterminar uns aos outros, até que sobre somente um. Assim, o crime é utilizado como mecanismo de repressão.

Batalha Real tem com Jogos Vorazes, obviamente, um parestesco próximo, mas outros filmes de distopias em que a violência é institucionalizada incluem também No mundo de 2020, Delicatessen, Death Race 2000 e Fuga de Nova York, entre muitos outros.

Admirável Mundo Novo

Tipo de distopia: prazerosa

Você será totalmente controlado por um governo ou uma instituição, mas não se preocupe: você vai gostar. Em Admirável Mundo Novo (filme criado para TV em 1980, inspirado pelo romance de Aldous Huxley), a sociedade poderia ser uma utopia, tudo funciona de maneira perfeita, as pessoas vivem de forma harmônica, sempre serenas ou felizes. A vida sexual é encorajada, já que serve apenas como fonte de prazer - a reprodução é sempre in vitro e controlada. Porém...

Para manter-se feliz, o cidadão deve usar Soma, uma droga projetada para desativar sentimentos impróprios. Aqueles que não querem viver em sociedade, podem optar por morar nas suas margens. Na trama do filme, a sociedade passa a ser questionada por alguns poucos, quando um dos Selvagens é reinserido na cidade. O livro ainda ganhou outra adaptação para a TV, em 1998.

Outros bons exemplos desta distopia são Fuga do Século 23 (o filme de 1976 mostra a sociedade perfeita, mas que assassina seus cidadãos quando eles atingem 30 anos de idade) e Equilibrium (de 2002, em que o uso de drogas mantém a sociedade serena, já que ter emoções é considerado um crime).

Vampiros de Almas

Tipo de distopia: alienígena

E se a distopia estivesse lá fora? Aqui, uma raça alienígena é que passa a controlar a sociedade. Porém, o funcionamento dessa nova comunidade é bem parecido com a distopia totalitarista: os cidadãos se tornam homogêneos, não há violência, mas também não há individualidade ou sexualidade.

Vampiros de Almas - que ganhou três remakes: Os Invasores de Corpos (1978), Os Invasores de Corpos - A Invasão Continua (1993) e Invasores (2007) - foi produzido em 1956, numa época da Guerra Fria em que o cinema B de Hollywood trabalhava com o medo comunista constantemente como metáfora em suas ficções científicas. Como os alienígenas parasitas dominam humanos mas não os deformam, tudo na aparência permanece normal, e a paranoia se estabelece mais uma vez como norma da distopia.

Claro, o mundo se torna um local absolutamente utópico, mas para os invasores. Outra sugestão é Cidade das Sombras, de 1998, cuja versão do diretor saiu no Brasil em Blu-ray em junho deste ano.

A Decadência de uma Espécie

Tipo de distopia: feminista

Assim como filmes retratam o feminino de forma utópica, em que a questão do gênero fica mais equacionada, também há o seu oposto: na distopia feminista, a sociedade reprime as mulheres. No caso do filme A Decadência de uma Espécie, de Volker Schlöndorff, de 1990, o futuro é demonstrado na República de Gileade, em que o governo totalitarista controla a reprodução e a maioria das mulheres é estéril. Aquelas que podem gerar filhos são escravizadas e forçadas a procriar. No tipo ainda cabem questões como a redução do papel feminino a atividades forçadas domésticas.

RoboCop - O Policial do Futuro

Tipo de distopia: corporativa

O controle aqui é realizado não pelo governo, mas por uma ou mais corporações, que podem tanto determinar o estilo de vida dos cidadãos (frequentemente mascarado como oferta de bens de consumo) como serem, elas mesmas, os agentes de destruição. No caso de RoboCop - O Policial do Futuro, de Paul Verhoeven, as comunidades vivem à mercê da violência, até que a empresa OCP toma para si o papel da segurança pública e cria um ciborgue que pode eliminar a criminalidade.

O que a corporação não imaginava, porém, é que seu rato de laboratório, um policial chacinado que sobrevive graças à tecnologia, pudesse lutar tanto para manter a sua humanidade. Na obra, assim como em outras distopias deste tipo, as empresas que conduzem o mundo são uma visão exacerbada do capitalismo selvagem. A publicidade, inclusive, passa a ser a maior ferramenta de gestão do controle.

Outros exemplos: O Quinto Elemento, Rollerball – Os Gladiadores do Futuro, A Ilha, Resident Evil, O Vingador do Futuro, Paranoia 1.0.



Comentários (39)

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sem avatar Rafa (02/02/2013 17:51:15)   8 0
Coincidentemente, assisti a um filme que fala de maneira bem interessante sobre o assunto, chama "Uma Sombra Passou Por Aqui" (The Illustrated Man, 1969).



Bat Masterson Bat Masterson (22/09/2012 08:30:58)   3 0
Outro filme sobre este tema: "THX 1138".



Cesar DS9 Cesar DS9 (21/09/2012 08:30:42)   732 1
Flavia Gassi, e o que você acha de Duna, tanto o filme de 1984 quanto os livros, tem lugar nessa distopia?

Infelizmente não conheço A Fundação, mas acho Duna a idéia mais fantástica sobre o futuro da humanidade, principalmente como apresentado no filme do Linch, daquele jeito sinistro e melancólico, é fascinante.

Não seria um tipo de distopia religiosa, já que o Paul revoluciona o universo de um jeito meio messiânico? Não li os livros me baseio no filme com o kyle maclachlan.



DR. Zaius, ministro da ciência e defensor da fé! DR. Zaius, ministro da ... (21/09/2012 01:21:19)   1030 2
Pena que a mini-série de admiravel mundo novo não tenha saído nem em VHS no Brasil. Assisti quando saiu na Globo, em 1980. Fabulosa!



Carlos Fênix Carlos Fênix (20/09/2012 18:22:56)   105 1
excelente artigo, uma coisa que eu pensei ao terminar de ler, faltou falar da distopia brasileira, talvez o termo não seja adequado já que estamos no presente, mais se analizar temos alguns elementos basicos, degradação social, manipulação pejorativa da midia, do estado e da igreja, nivel cultural baixo (a programação da tv por exemplo e as misicas).



Lico Blade Lico Blade (20/09/2012 14:46:41)   1618 1
Muito bom esse artigo, nota 10! Parabéns!



Willie Willie (20/09/2012 14:09:21)   795 1
Excelente artigo, parabéns a menina Gassi! Mas discordo sobre a distopia Admirável Mundo Novo ser entitulada "prazerosa". Bem diferente disso, ela é totalmente alienante, corporativa e ditatorial.

A Estrada [The Road] é um dos filmes mais "belos" [se é que é possível!] e poderosos sobre distopia pós-apocalíptica. Recomendo a todos!

Uma pergunta; em que categoria se encaixaria o filme O Dia Seguinte [The Day After], sobre hecatombe nuclear?



Shadow Play Shadow Play (20/09/2012 13:50:12)   389 1
Essa equipe do Omelete só manda bem , muito bem escrita a máteria.Instigante.
Vi a maioria dos filmes citados.E mesmo os filmes "menores" valem a pena serem vistos.
Outro dia mesmo revi Akira e Metrópolis.Filmes que já estavam sendo esquecidos da minha mémoria.



TREMDEDOIDO TREMDEDOIDO (20/09/2012 10:14:06)   26 2
Poxa vida !!! Esqueceram de V de Vingança !!
:/


Shadowman Shadowman (20/09/2012 12:57:05)   1266 -2
A Flávia só colocou filme bom na matéria. Pra que estragar tudo colocando um filme ruim como V de Vingança.

Mencionar a HQ poderia até ser válido, mas o filme é um lixo.

sem avatar Francisco (20/09/2012 17:32:04)   9 0
V de vingança apesar do filme ter sido considerado fraco é uma obra prima dos HQs e merecia sim estar nessa lista.

TREMDEDOIDO TREMDEDOIDO (21/09/2012 10:42:23)   26 1
Quer dizer que "O livro de Eli", "Aeon Flux" ou mesmo o invasores de 2007 dão de 1000 a 0 no V de Vingança ????!!!!
Vixe !!!!


nilton nilton (20/09/2012 08:58:55)   -2176 1
muito bom



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Pinto Pinto (19/09/2012 23:46:47)   212 1
Muito bom o texto, principalmente pelas referencias e dicas.

Agora, mesmo que o artigo seja sobre FC no cinema, vale citar "Shadowrun" como uma distopia corporativa ao extremo.



Fabiano Fabiano (19/09/2012 23:22:25)   13 1
Gostei deste especial e somando a estes filmes me lembrei de um produzido na Polônia chamado Seksmisja ou Sexmissão, realizado em 1984 e conta a história de um futuro onde por causa de um cataclismo nuclear todos os homens morreram e só sobreviveu dois deles que participaram de um experimento científico e ficaram congelados por um tempo, embora o filme tenha um perfil machista ele é divertido, mostrando as mulheres de forma "masculinizadas" e fazendo uma crítica ao feminismo.



Cesar DS9 Cesar DS9 (19/09/2012 22:46:03)   732 2
Bela matéria, a Flavia podia escrever mais no site.

Como eu havia comentado na parte anterior, não posso deixar de mencionar como Distopia a série de tv Battlestar Galactica de 2004/2009.

SPOILER

Distópia Tecnológica. (deve ser)

A série narra que a vida começou em Kobol, um planeta sabe-se lá onde e desde então, o homem vive um ciclo de nascimento, conhecimento tecnológico super avançado e destruição e depois tudo se repete até a nossa vez, humanos da Terra.

O final da série é espetacular justamente porque nos deixa no limiar de uma nova era, a era da robótica.

Por favor, assistam a série e depois o filme O Plano.

Eu nunca vou me cansar de vender o peixe dessa série, porque ela é um marco na tv e muito superior como ficção cientifica e drama a vários filmes badalados lançados no cinema, tipo, o recente O Vingador do Futuro.

http://www.youtube.com/watch?v=rrddRK7_Yec



Lico Blade Lico Blade (20/09/2012 14:49:08)   1618 1
Fiz uma maratona de Battlestar Galactica nesse ano e não me decepcionei, a série é ótima mesmo.


OPTIMUS OPTIMUS (19/09/2012 20:16:46)   0 2
Série de matérias muito bacana.
É bom lembrarmos q visionários do universo de ficção, como Julio Verne, previram diversos fatos que vieram a se consolidar no futuro.



Ironic Ironic (19/09/2012 20:11:52)   592 1
LOca essa matéria para mim que sou um apaixonado por ficção!

Parece que só mesmo Star Trek mostra um futuro utópico "ideal e perfeito"...o resto é muito sombrio.

Não...não vou colocar Star Wars...não tenho certeza se ele se enquadra como Ficção Científica e se passa em outro lugar...e tb se levando em conta que se não colocarmos os filmes em ordem cronológica e sim em que foram feitos...o mal venceu!


sem avatar Francisco (20/09/2012 17:33:45)   9 1
Star wars se encaixaria em qual utopia (ou distopia?).


Rodolfo Rodolfo (19/09/2012 19:52:45)   353 1
Parabéns mais uma vez Omelete. Belo artigo.

E agora, qual será o outro especial?




Pedro Pedro (19/09/2012 19:51:42)   689 1
1984 É a melhor obra distópica na minha opinião. Por que talvez se não fosse ela,hoje teriamos um mundo diferente. Tivemos algumas lutas contra esse tipo de futuro,ESSA É UMA REALIDADE QUE QUEREMOS EVITAR. E O PIOR
SPOILER ALERT

O final do livro é horrivel-protagonista morte e tal- mas é fantastico



Zé (19/09/2012 19:46:20)   2477 1
Mais alguns: On the Beach - apocalíptico, Childhood's End - alien, Atlas Shruged - hm, corporativo?, A Canticle for Leibowitz - PA,...



Castiel Castiel (19/09/2012 19:43:55)   76 2
Essa é a última parte? Só para saber...

E belo texto, Flávia. Eu mesmo, confesso, não conhecia a maioria dessas obras.

Acho bacana esses comparativos de futuros da sociedade de sci-fis. É bacana que muita coisa disso, ou daquilo, realmente faz parte do nosso presente(ou futuro, do ponto de vista da época que esses filmes foram feitos). Claro, nossa sociedade não é igual à X ou Y, mas tudo embolada, ramificada, um verdadeiro nó que junta algumas idéias desse e daquele filme.

É possível termos uma sociedade feito Admirável Mundo Novo e 1984 ao mesmo tempo, numa mesma cidade. O quê a mídia, e a própria sociedade, taxa como ''tribos'' nada mais são do que sub-sociedades que se coexistem.

E para finalizar, a série canadense Continuum se enquadraria na distopia corporativa(embora ela não seja muito presente ao longo da série), certo? E essa sociedade, por curiosidade, para vc, é boa ou ruim? Quer dizer, vc ter uma segurança de primeira, mas viver à mercê das corporações e de seus ideais(coisa que já vivenciamos, em partes), é algo bom ou ruim? Sendo isso, a protagonistas de Continuum, uma agente corporativa que haje em nome das corporações, afim de deter terrorismos de grupos radicais, pode ser considerada uma ''heroína torta''(como Raiden, em Metal Gear Soli 2, que sabe dos podres dos Patriots, ao longo do jogo, mas simplesmente não faz nada para mudar isso, para evitar que a sociedade vire caótica), ou uma ''vilã cega''?



sem avatar Eduardo (19/09/2012 19:42:29)   42 1
Também senti falta de Matrix ai. Até porque fala de tecnologia em um nível muito semelhante ao que vivemos hoje.
http://www.imagoquadratum.com/2012/09/internet-e-um-wolverine-ou-sao-dois.html



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Octavio Octavio (19/09/2012 19:38:54)   71 1
Olhaí o Admirável Mundo Novo do qual senti falta na primeira... :-)

Bem completinha e didática. Legal, Miss Gasi.



Zé (19/09/2012 19:28:15)   2477 1
Excelente artigo, eu tinha comentado há uma ou duas semanas que o gênero das distopias estava um pouco em baixa, na minha humilde opinião... Já favoritado.

Tem um tipo de distopia pós-apocalíptica em que a ênfase não está na tragédia que provocou a falência da sociedade de outrora ou a luta pelo poder nos cacos de civilização que sobraram, mas simplesmente na complacência dos seres humanos que vêem a decadência da espécie humana com placidez em atmosfera rural e os temas são mais intimistas, com veia Slice of Life... Costuma ser usado em mangá e anime como, por exemplo Yokohama Kaidashi Kikou - Quiet Coutry Cafe.



Red Leader Red Leader (19/09/2012 18:58:25)   -265 1
1984 não deveria estar nesta lista, pois deixou de ser ficção científica.

1984 é a realidade que vivemos, onde cada passo que damos é filmado pelas câmeras de "segurança" das grandes cidades. Nossas relações são monitoradas nas redes sociais.

A mídia aterroriza os cidadãos com notícias que atendem aos seus interesses, assim, temos tanto medo de violência urbana e ataques terroristas que damos de mão beijada nossa liberdade para os governos.

A elite global controla o sistema financeiro e dita as leis, aprisionando as classes menos favorecidas em um sistema escravatório invisível.

Somos escravos e não nos importamos com isso. Na verdade, nem sabemos que estamos acorrentados.

E a tendência é piorar.

Belo texto, Flávia.
Keep it up.



Zé (19/09/2012 19:16:05)   2477 1
Com a ditadura dos joinhas em que vivemos online, com Facebooks, Twitters, Youtubes, Formsprings, Tumblrs, etc. eu acho que o futuro está mais próximo de O Admirável Mundo Novo que de 1984.

Embora eu na verdade acredite que as duas visões são faces da mesma moeda, quem sabe se alternando num processo dialético.



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