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O Moinho e a Cruz | Crítica

Irreverência e reverência se misturam em filme sobre a criação de A Procissão para o Calvário

Marcelo Hessel
14 de Junho de 2012

O Moinho e a Cruz

O Moinho e a Cruz

The Mill and the Cross
Suécia/Polônia , 2011 - 92 minutos
Drama

Direção:
Lech Majewski

Roteiro:
Michael Francis Gibson, Lech Majewski

Elenco:
Rutger Hauer, Michael York, Charlotte Rampling, Joanna Litwin

Ótimo
o moinho e a cruz
o moinho e a cruz
o moinho e a cruz

Diante da perseguição religiosa e política que os invasores espanhóis impõem à comunidade flamenga na Flandres do século 16, Nicolaes Jonghelinck (Michael York), um rico mercador da cidade de Antuérpia, amaldiçoa a impiedade do tempo. "Se ao menos pudéssemos pará-lo, poderíamos combater esse instante sem sentido até o fim", diz.

Interromper o tempo não deixa de ser uma das vantagens da pintura - e em O Moinho e a Cruz (The Mill and the Cross) o diretor Lech Majewski imagina como teria sido o processo de criação de A Procissão para o Calvário, tela de 1564 de Pieter Bruegel sobre a realidade de Flandres da época. Rutger Hauer interpreta o pintor no filme, e nele explica a seu mecenas, Nicolaes, as suas escolhas de composição e o sentido que ele busca dar à obra.

Inicialmente, o filme de Majewski parece mesmo uma visita guiada de aula de história da arte. Como tal, deve colocar as coisas em contexto, e O Moinho e a Cruz adere a uma das interpretações recorrentes do quadro: Bruegel, artista obcecado por temas bíblícos (como sua famosa Torre de Babel) mas também pelas trivialidades do seu tempo, transpõe em A Procissão para o Calvário a crucificação de Jesus para Flandres, como forma de equiparar a perseguição religiosa na Roma antiga à opressão dos católicos espanhóis na era das navegações.

Temos aqui, então, não só um filme que desconstrói e renova o eterno discurso da arte-contra-a-barbárie (se a barbárie move o mundo, como a inexorabilidade das pás de um moinho, só uma perspectiva de fora, deslocada no tempo e no espaço, pode impedi-la), mas também uma encenação bastante curiosa de um dos eventos mais retratados da história, a Paixão de Cristo.

É uma pena que O Moinho e a Cruz não tenha sido feito em 3D; a forma como Majewski combina a encenação com fundo falso e as paisagens pintadas teria ainda mais impacto nesse formato. De qualquer forma, é o trabalho de design de som que no fim acaba sobressaindo. Na tela, explica Bruegel, a posição elevada do moinho, entre as nuvens, visa substituir a figura de Deus. O barulho que faz a moenda durante o calvário, que parece mastigar todos os sons do mundo (pelo menos os sons que constituíram aquele mundo ao longo do filme, do vento aos animais), seria a demonstração do desígnio de Deus.

Há um exagero calculado nisso, porém. É como se, ao pintar com cores tão berrantes a professada onipotência divina, Majewski misturasse irreverência e reverência, até o ponto em que esses opostos se tornassem indistinguíveis. É nesse equilíbrio que O Moinho e a Cruz opera (o caos das crianças sobre a cama e os populares se bolinando na rua versus o peso dos passos na escadaria do interior do moinho, que em si já tem muito de cômico), emulando o próprio talento de Bruegel para descontextualizar a religião oficial, e criticá-la.


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Comentários (15)

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Nelson Nelson (17/06/2012 12:35:33)   176 0
Puro deleite visual.



Thiago Thiago (15/06/2012 09:59:58)   6 -5
Comentário mal avaliado pelos leitores. Clique para ler.

Carlos Carlos (15/06/2012 13:20:24)   189 6
Que nada, a moda agora é ser rasinho como um pires, como você. Parabens, você está na moda.

Vagner Fernando Vagner Fernando (15/06/2012 15:59:55)   6 -2
Thiago, você acredita em uma era de dominação dos trolls?

sem avatar Rafael (15/06/2012 22:57:20)   1 1
Ô Thiago, não sei se respondo a sua crítica ou se te denuncio, vá gostar de escrever besteira, assim, nos inferno!
Ainda fala por todo mundo. "Ninguém tem mais saco para o cult". Se é meu filho tinha uma surra garantida em casa...

Zack Blazer Zack Blazer (16/06/2012 02:29:14)   228 1
puta que pariu thiago nada com nada , e que doidera é essa de '' cult '' que mierda é essa cara ? escrevendo como se cult você uma tribo ou um ideal seja o que for você esta incluido e infectado por esses virus modernos tenha personalidade cara e pense um pouco antes de escrever é tão patetico que nem sei como interpretar como você usou o termo cult seja como for você não sabe de nenhuma forma o que significa

Nelson Nelson (17/06/2012 12:43:55)   176 0
"Mamãe, quero causar!"


sem avatar Marco A (15/06/2012 03:31:36)   501 0
Com Vingadores (em alguns cinemas), MIB, Branca de Neve e Prometheus, este filme não vai passar em nenhuma sala!!!


sem avatar Bruce (15/06/2012 09:49:52)   127 2
Também tô decepcionado aqui. Aliás, queria bater no Hessel agora por me deixar com vontade de ver esse filme. :P


sem avatar Bruce (14/06/2012 23:32:22)   127 0
A crítica não está das melhores, mas gostei de terem sido ressaltados a sonoplastia e a fotografia - principalmente porque esse filme lembra "Andrei Kublev", de Tarkóvski, também sobre um pintor. Pensava até que esse filme nem ia estrear no Brasil. Quero conferir na telona mesmo.



sem avatar Richardson Eduardo Nunes Costa (14/06/2012 22:59:33)   28 -2
pra esses filmes que ninguém vê o hessel é só elogios.


LordMarcio LordMarcio (27/07/2012 04:40:51)   63 0
kkkkkkkkkkkkk
verdade!!!
Vou baixar esse e avaliar nosso amigo cozinheiro.


LordMarcio LordMarcio (14/06/2012 22:30:16)   63 0
Pode crer!
O Hessel baixa de um amigo da Europa. Manda o link Hessel = )



Raul Raul (14/06/2012 21:17:27)   2210 5
Hessel, por onde você assiste esses filmes Europeus? Difícil encontrar pra ver..


Nelson Nelson (17/06/2012 12:42:55)   176 0
Pois é. Vi há um tempo atrás naquela "locadora" que todos recorrem nesses momentos, mas adoraria muito revê-lo nos cinemas e não encontrei onde ele poderia estar em cartaz.



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