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Onde os Fracos não Têm Vez

Faroeste devolve a dignidade ao cinema dos irmãos Coen

Marcelo Hessel
31 de Janeiro de 2008

Onde os Fracos não Têm Vez

Onde os Fracos não Têm Vez

No Country for Old Men
EUA , 2007 - 122
Faroeste / Policial

Direção:
Ethan e Joel Coen

Roteiro:
Ethan e Joel Coen

Elenco:
Javier Bardem, Josh Brolin, Tommy Lee Jones, Kelly Macdonald, Woody Harrelson, Stephen Root, Garret Dillahunt

Excelente
no country for old men
no country for old men
no country for old men

Saiu do clássico O Homem que Matou o Facínora (1962), de John Ford, a frase que define o Velho Oeste: "Entre a verdade e a lenda, publique-se a lenda". Não importa se o personagem de James Stewart matou ou não matou Liberty Valance de verdade - enquanto houver alguém para contar a história, o mito do tiro certeiro viverá. Da mesma forma, quando um pistoleiro entra num saloon, é a imagem que fazem dele, e não sua eventual rapidez no gatilho, que vale mais.

Llewelyn Moss (Josh Brolin) tem contra si um Liberty Valance em Onde os Fracos não Têm Vez (No Country for Old Men): Anton Chigurh, o matador interpretado pelo espanhol Javier Bardem no faroeste que devolve a dignidade ao cinema dos irmãos Joel e Ethan Coen (Fargo, O homem que não estava lá). Os tempos são outros, a fronteira empoeirada com o México mudou, mas as lendas permanecem. Ao mesmo tempo em que desconstrói o herói do western, Onde os Fracos não Têm Vez constrói em Anton Chigurh um mito.

O filme abre com a prisão do matador. Entre seus pertences, um cilindro de ar comprimido, que não demora para entendermos como funciona, e para quê. Paralelamente, acompanhamos Llewelyn no descampado texano, caçando cervos. O fato de Llewelyn errar o tiro e não conseguir abater o animal ao mesmo tempo em que Chigurh vara o cérebro de sua vítima sem deixar provas é o primeiro dado que o filme nos dá para evidenciar o abismo que separa os dois personagens. Temos o assassino perfeito versus o errante sujeito sem dons, e o suspense começa quando o primeiro passa a perseguir o segundo.

Há um MacGuffin aí no meio, uma mala com 2 millhões de dólares, mas, como todo MacGuffin, ela vale tudo para os personagens e não significa absolutamente nada para o espectador. O que vale para nós é o embate de Chigurh com Llewelyn, o homem-mito contra o homem-real.

O xerife interpretado por Tommy Lee Jones entra aí como mediador. A ele cabe não apenas hiperbolizar a lenda de Chigurh como manter no chão o mundano Llewelyn. A questão da oralidade é fundamental na construção das lendas de faroeste, e Onde os Fracos não Têm Vez respeita essa lógica - no mais, a oralidade, frequentemente expressa na figura de um narrador, é ponto importante na filmografia dos Coen. Nas cenas na delegacia e no café, o xerife e seu subalterno trocam histórias tão sangrentas e bizarras quanto essa que estamos acompanhando na tela - o que é uma forma de mitificá-la ainda mais.

Que o clímax do filme nos seja apresentado em uma elipse anti-climática (o desfecho do embate visto pelos olhos do xerife) é o ponto máximo da construção da lenda. Para a posteridade ficará somente a versão das testemunhas, como em O Homem que Matou o Facínora.

No mais, há por trás do jogo de versões e perspectivas todo um contexto de época. O filme é uma adaptação do romance homônimo de 2005 do estadunidense Cormac McCarthy, que ambienta a história no Texas de 1980. Não é, vale repetir, o mesmo Velho Oeste dos colonizadores. James Stewart representava em 1962 a vitória do civilizador sobre o selvagem - o tema da superação do homem sobre o ambiente, enfim, que percorre todo o faroeste em seu período clássico. Já Onde os Fracos não Têm Vez é a desconstrução niilista do herói mítico porque hoje a civilização perdeu, os heróis perderam, o ambiente venceu.

Boa sorte a Llewelyn Moss contra o seu Liberty Valance.



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Comentários (19)

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sem avatar SENIVAL CAETANO (16/09/2014 20:45:08)   0 0
" Enquanto você perde tempo tentando recuperar o que tiraram de você, a mais coisas saindo pela porta. Com o tempo você se acostuma com o que tiraram de você " Fantástico essa visão do velhinho com a casa cheia de gatos, acho que depois dos 45 anos de idade, todo homem descobre que tem um botãozinho que estava invisível em seu corpo e que aprende a apertar, isso foi descrito pelo ex-goleiro Leão, o nome que ele deu a esse botãozinho era FODA-SE. Então foda-se todos, mas o filme foi bom kkkkkk



Billie Billie (11/12/2013 02:43:07)   11 0
MEU COMENTÁRIO CONTEM SPOILERS!!!

Filme excelente, história boa, que cria um suspense que tomam conta de você, que te prende do começo ao fim, que faz você se conectar com o filme e se indignar com os acontecimentos,acontecimentos que surpreendem pois você realmente não esperava que fosse acontecer, mas dai chega os 20 minutos finais, onde o roteiro simplesmente se enche de buracos, com acontecimentos sem explicação, com acontecimentos que você não sabe o que diabos aconteceu,com o protagonista morrendo do nada, apos ele travar um guerra pessoal com o psicopata ele simplesmente morre do nada na mão de traficantes mexicanos,sem nem sequer mostrar ele morrendo, ele simplesmente aparece morto no chão o que eu achei estupido, em seguida vários acontecimentos que ficam inacabados,tipo o dinheiro não foi explicado o que aconteceu, a esposa morreu ou não, e que diabos foi aquele dialogo em que ele não fala nada com nada? E aquele final o cara sofrendo uma acidente se quebra todo e ainda se levanta e vai embora, e depois o xerife conta o sonho dele e acaba o filme, tipo puta que pariu que final frustrantes o filmes é tão bom, pro final ser tão cagado foi frustrante que dar um chute no monitor.


sem avatar Lewis (03/06/2014 02:19:19)   1 0
primeiro coisa é saber ler o titulo do filme "No country for old men" ou onde os fracos nao tem vez.. o velho do filme o fraco do filme é o ed tom(tommy lee)e na minha visão ele é o protagonista e narrador da historia contando o que ocorreu nesse "crime".

O filme deixa algumas cenas a interpretação de quem assiste mas deixa claro o que acontece pelo menos pra mim... o dinheiro o assassino chigurth pega obviamente ele descobriu que o dinheiro estava no duto de ar no primeiro hotel.. no segundo hotel mostram a porta sem a fechadura aberta com a arma de ar... e dps mostra o duto aberto tbm ja deixa bem explicito que ele pegou.

A cena de esposa mostra que o chigurth tem um principio de dar uma chance a pessoa com o negocio da moeda, mas a mulher nao escolhe e isso foi contra o principio dele nao dando outra opção alem de mata-la e tem a importancia da cena que ele sai da casa e limpa os sapatos, voltando um poco no filme qndo ele mata o carson wells o otro assassino ele nao deixa o sangue sujar as botas dele mostrando que ele nao gosta de sujeira... deixa a entender que ele mata a mulher contra sua vontade ja que ela nao escollhe o lado da moeda e tbm acaba sujando as botas. E vem a cena do acidente ou seja karma/azar por ir contra os seus principios.

A cena do sheriff pode se entender diversas coisas mas uma coisa é bem clara ele se aposenta vendo que ele chegou bem perto da morte (chigurth) e os crimes a violencia era uma coisa que um dia iam acabar matando ele e ele não estava preparado para isso.

E ai vem o titulo NO COUNTRY FOR OLD MEN(ONDE OS FRACOS NAO TEM VEZ).

Tem as analogias sobre os sonhos que são bem interessantes mas é basicamente isso pra entender o filme.


Cezar Cezar (04/07/2013 21:17:20)   323 0
Só nao gostei do final , eu prestei muita atenção e nao entendi porra nenhuma , mais foda-se o filme é muito bom !


Billie Billie (11/12/2013 02:45:47)   11 0
O final foi frustrante, deixou a história cheia de buracos, cheia de coisas inacabadas, o filme inteiro foi tão bom,a historia foi bem feita para chegar o final e ser totalmente cagado. O filme realmente mereceu o oscar pelo começo e meio do filme, pois se fosse pelo final.....


Ivan Ivan (10/09/2012 00:12:41)   -416 0
Eu realmente não gosto das críticas do Omelete, são extremamente superficiais; um texto desse não corresponde à crítica de um filme desse.



sem avatar Hugo (03/08/2012 02:11:29)   1 1
Erra quem simplesmente inclui esse genial filme na categoria de faroeste. Esse é um dos filmes mais incompreendidos que conheço. A verdade é que o enredo é difícil, é preciso prestar bastante atenção para entender sua mensagem. O tema central não é o embate entre um assassino psicopata e profissional contra um homem "comum", mas sim a crise de valores da pós-modernidade. Explico. Atente para o constante cotejo entre passado e presente, mostrando uma degradação moral da sociedade, que se reflete na violência. Interessantes diálogos sobre dinheiro e deus estão presentes no enredo. Note que, na penúltima cena, o acidente de carro conclui perfeitamente a tese do filme: o evento foi apresentado como mero casuísmo, não como uma espécie de punição divina (o que atribui sentido ateu ao filme, na minha opinião); em seguida, o dinheiro que o assassino dá ao menino já provoca uma pequena discórdia com seu amigo. Em suma, os valores morais do passado (deus , condutas éticas etc) foram perdidos, entrando em seu lugar a mera busca pelo dinheiro (que faz que os meios passem a justificar os fins, como mostra o diálogo do assassino com o outro assassino loiro no hotel, antes de matá-lo). Não consegui compreender ainda o significado dos dois sonhos do delegado no final. Alguém se aventuraria em uma tese?


Lucas Lucas (22/02/2014 21:44:19)   5484 2
Os dois sonhos do xerife no final são basicamente o que você disse no comenário. Eles correspondem a situação e lembranças felizes que ele teve no passado, até chegar a frase ''E aí eu acordei'' que mostra a realidade degradada e violenta em que ele e a sociedade se encontram durante o filme, a nossa realidade.


sem avatar Edson (26/03/2012 00:21:31)   2 0
Excelente! Não sou muito fã de filmes de tiroteio ou policial, mas este prendeu minha atenção do início ao fim. Apesar de não ter um final muito digno, mostra as atitudes de um psicopata. Recomendo.


sem avatar John (22/07/2012 19:12:31)   -5 0
Eu recomendo que você se informe melhor. Não existe filme de tiroteio. E outra coisa: Esse filme NÃO é faroeste!
Ele tá mais pra um Drama/Suspense/Policial.
Se quiser assistir um filme de FAROESTE de verdade, procure pela: Trilogia dos Dólares com Clint Eastwood.


sem avatar steve (21/02/2012 12:01:53)   3 -2
dormi quaze o filme todo,perdi meu tempo,esse filme devia se chamar tedio infadonho de tão chato que é.


sem avatar Edson (26/03/2012 00:19:10)   2 1
pra quem espera um filme melozo e com final feliz não é indicado mesmo. Não é a toa que este filme ganhou 4 Oscars. Ao contrário do colega é um filme empolgante.

sem avatar John (22/07/2012 17:45:42)   -5 -1
Achei a história interessante, porém mal abordada. Muito vago, sem explicação para várias coisas, como por exmplo: Quem eram aqueles mexicanos? De quem era e de onde veio o dinheiro? Informações precisas e importantes era o que eu queria, mas não ocorreu isso no filme.
Muito vago, pode-se deduzir várias coisas, mas não a resposta concreta. E o personagem, nem é apresentado da maneira certa, somente uma coisinha aqui e outra informaçãozinha ali, e o modo como deram fim nele, nem se fala. Está conversando com uma mulher, depois acontece algo sem explicação e pronto.
Sinceramente, gosto muito de filmes neste estilo, porém esse deixou a desejar, não por atores ou algo do gênero, mas pelas informações que faltaram para se ter um entendimento completo da história.
O livro deve ser bem melhor.


Orlando Orlando (07/02/2012 15:07:34)   1993 1
Show de bola esse filme. O livro então nem se fala, o Cormac McCarthy escreve muito...

E os irmãos Coen foram a melhor escolha para dirigir essa adaptação sem sombra de dúvidas.


sem avatar Edson (26/03/2012 00:19:45)   2 1
Muito bom mesmo!


Gabriel Gabriel (28/02/2011 22:48:54)   32 1
Po Edgar, tu ta em todas hein '-'


Luiz Luiz (25/02/2012 22:12:51)   250 0
Pensei a mesma coisa kkkkkk

Sempre que venho dar uma olhada na critica de um filme "antigo", adivinha quem chegou primeiro???? kkkkkkkkkkk


edgar edgar (28/02/2011 12:13:40)   146 3
um dos melhores filmes que vi!
Javier Barden pode sim ser comparado com o Heath Ledger diria até que foi no mesmo nível.
a direção,fotografia,edição de som,PERFEITOS...
Clássico,Clássico,Clássico...
1000 Ovos de ouro pro filme.


sem avatar John (22/07/2012 19:09:17)   -5 -4
Comentário mal avaliado pelos leitores. Clique para ler.


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