Somos o que Somos | Crítica

Terror com pretensões de filme indie do campo não se decide entre a ironia e a gravidade

Marcelo Hessel
12 de Dezembro de 2013

Somos o que Somos

Somos o que Somos

We Are What We Are
EUA , 2013 - 105 minutos
Terror

Direção:
Jim Mickle

Roteiro:
Nick Damici, Jim Mickle

Elenco:
Ambyr Childers, Julia Garner, Bill Sage, Jack Gore, Kelly McGillis, Wyatt Russell, Michael Parks

Regular
somos o que somos
somos o que somos

Vai longe a tradição no cinema americano dos caipiras canibais, vilões de filmes de terror que não fazem concessões, particularmente nos anos 1970, como O Massacre da Serra Elétrica e Quadrilha de Sádicos. Apesar da familiaridade, Somos o que Somos (We Are What We Are) evita essa tradição e busca se filiar com uma mais em voga em festivais, derivada dos longas de Terrence Malick: a do filme indie do campo.

Remake hollywoodiano do terror mexicano Somos lo que Hay, de 2010, o longa se ambienta nas montanhas Catskill, ao Sul de Nova York, onde o diretor Jim Mickle já havia feito em 2010 o terror de vampiros e zumbis Stake Land. Não há criaturas aberrantes em Somos o que Somos, pelo menos não à primeira vista. Na trama, a reclusa família Parker vê seus bizarros costumes ameaçados quando uma chuva torrencial atinge sua cidade, o que força as irmãs adolescentes Iris e Rose a assumir a responsabilidade e lidar com os segredos da casa.

Da escolha das protagonistas Julia Garner e Ambyr Childers, com sua fotogenia de anjo, passando pela fotografia meio sépia, até a disposição de enquadrar tudo com simetria, Somos o que Somos lembra os longas típicos de um Festival de Sundance (como Martha Marcy May Marlene, também rodado nas Catskills). O problema é que Mickle não parece ter muita vocação para esse tipo de filme (ou para qualquer outro, dados os erros de continuidade), e Somos o que Somos não vai muito além da emulação de outros estilos, indeciso ainda entre ser grave e ser irônico.

A atuação desastrosa do ator Bill Sage, uma versão sem carisma de Bruce Campbell, como o pai das duas garotas, é a síntese dos problemas de tom de Somos o que Somos. Ele procura uma dúzia de caretas diferentes para transmitir seu misto de sofrimento e predestinação, mas só parece estar imitando outros patriarcas cegos de fé, de filmes melhores. A cara do ator Michael Parks no fim do filme, incrédulo diante de tudo isso que testemunhamos, acaba sendo o que de melhor Somos o que Somos tem a oferecer.

Somos o que Somos | Cinemas e horários



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Comentários (6)

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sem avatar kauã (13/12/2013 18:32:07)   22 0
"longas típicos do festival de sundance" ... a que ponto um crítico chega. Quem prestigia o trabalho da avaliação parando para ler tem que se contentar com bobagens como essa.



Neto Neto (13/12/2013 02:00:53)   56 0
Nossa, o filme é excelente.


Sério, eu já achava que as críticas do Omelete estavam decaindo, mas quando deram - QUEM NÉ?! - 4 OVOS pra Azul é a Cor Mais Quente... foi a provação total!


Billie Billie (20/12/2013 21:25:37)   11 0
Não é as criticas que estão decaindo, é que agora só o Hessel que faz criticas e para ele tudo é ruim, tudo é um desperdício, as criticas dele dão vontade de vomitar de tão arrogantes.


sem avatar Santos D. (12/12/2013 20:38:08)   1285 0
Esse filme foi bastante elogiado pelos criticos americanos.
Os dois longas anteriores do diretor Jim Mickle(Mulberry Street e Stake Land) também foram elogiados lá fora.



Galo Galo (12/12/2013 19:52:03)   1406 0
Sei lá, ultimamente os Cozinheiros parecem estar receosos para dar 1 ovo em suas críticas.

Dou como exemplo essa e a que o Thiago Romariz fez para o game dos Cavaleiros do Zodíaco.

A crítica não fica de acordo com sua classificação.



G. brucew G. brucew (12/12/2013 19:22:32)   2204 1
Não duvido desse negócio aí do Michael Parks, o cara é muito bom ator.




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