A Outra Terra

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A Outra Terra (Another Earth)

(Ruim)
País: EUA
Duração: 92 minutos

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A Outra Terra | Crítica

Dramalhão sci-fi se deslumbra com o destino e banaliza a viagem

Marcelo Hessel
10/10/2011 - 14:36

Tão velhas quanto o sonho do homem conquistar o espaço são as histórias de segundas chances e de retorno para casa. A Outra Terra (Another Earth) parte de uma premissa de ficção científica para dar uma enfeitada nesses dois tipos de trama, que ademais estão no centro de todo o cinema americano.

Na noite em que a humanidade toma conhecimento da existência da tal outra Terra, a estudante de astrofísica Rhoda Williams (Brit Marling) dirige seu carro pela orla de New Haven. Com os olhos voltados para o pequeno ponto azul no espaço, ela não percebe um outro carro parado à sua frente... O acidente causado por Rodha tira a vida da esposa grávida e do filho do compositor John Burroughs (William Mapother). Quatro anos depois, quando sai da prisão, Rodha descobre que a outra Terra está maior, mais azul e mais brilhante - e que é, na verdade, uma versão espelhada do nosso planeta.

O roteiro escrito por Marling e pelo diretor do filme, Mike Cahill, basicamente torna literal o conceito da segunda chance. Se o espectador ainda não entendeu, um narrador com voz de guru da ciência explica em off: existe uma versão sua na outra Terra, e talvez essa versão não tenha cometido os mesmos erros que você. O arco do retorno para casa entra no filme, simbolicamente, porque Rhoda se inscreve para tripular a primeira viagem em direção à Terra-2, onde a ex-condenada talvez não se sinta tão deslocada como aqui.

Seria um conceito sci-fi interessante se Cahill entendesse que o importante não é chegar no destino, e sim a viagem. Todo o processo de purgação de culpa de Rhoda é banalizado em A Outra Terra por escolhas de roteiro e pelo trabalho grosseiro de câmera do estreante em longas de ficção. O texto força a mão o tempo todo - a garota que volta pra casa e vê seu irmão descerebrado entrar na faculdade, o viúvo que era um compositor brilhante e agora vive de gorro e camiseta babada sem sair de casa - e, se não bastasse o artificialismo dessas situações, Cahill exagera em close-ups e zooms sensacionalistas que exploram a protagonista e demarcam o dramalhão.

O pior de A Outra Terra não é a clicheria em si, não é ver a bela Marling derperdiçada em uma personagem mal escrita, daquelas que sentam no chão viradas pra parede porque estão "sofrendo". O que enerva é um tipo específico de clichê, o da estética indie sci-fi, que antes encontrara expressões legítimas em filmes como Monstros e em Melancolia. Nesses filmes, a fantasia espacial invade a paisagem da Terra para potencializar nossos medos de incompreensão. Em A Outra Terra, Cahill pretendia emular esse mesmo sentimento, mas só consegue criar uma imitação ampliada, muito azul e muito brilhante dessa estética.

Leia mais críticas do Festival do Rio 2011

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