A Tentação

Elenco / Direção

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A Tentação (The Ledge)

(Regular)
País: EUA, Alemanha
Duração: 101 minutos

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A Tentação | Crítica

O amor em meio ao fundamentalismo religioso

Érico Borgo
09/08/2012 - 19:00

Primeiro filme do diretor inglês Matthew Chapman em 13 anos, o independente A Tentação (The Ledge) apresenta uma mistura de drama e suspense, pontuada por um debate superficial sobre a questão do fundamentalismo religioso.

Na trama somos apresentados a um sujeito (Charlie Hunnam) que se prepara para saltar do topo de um edifício. Um policial (Terrence Howard) é enviado para cuidar do caso e tentar impedi-lo de suicidar-se. Não demora, porém (em uma excelente cena em que somos confrontados com nossos próprios pré-conceitos), para que o homem revele que sua motivação não tem nada de suicida - ele está ali na verdade para salvar uma vida - e comece a contar uma história de amor e entrega nada convencional.

Ainda que busque uma estrutura narrativa que foge do lugar-comum, com diversos flashbacks, o filme não consegue estabelecer a tensão que deveria pela sua própria premissa: por ter uma hora marcada para o suicídio, sabemos que o protagonista não fará nada até que os ponteiros do relógio que ele vê do topo do edifício marquem o meio-dia. Essa certeza tira das cenas de diálogo entre Hunnam e Howard o suspense e geram contestações de roteiro (se já sabia do horário, por que o policial esperou até o último minuto para agir?), mas dão espaço para o drama se desenvolver.

De qualquer maneira, haja drama... Chapman pesa a mão no roteiro, tentando justificar demais as histórias passadas de todos os envolvidos. Todos têm algum esqueleto no armário para amarrar seu comportamento - e frequentemente isso parece forçado. Em A Tentação ninguém é o que é por escolha, mas por imposição dos erros do passado e da realidade.

As atuações são o ponto alto do filme. Hunnam e Patrick Wilson (como um fundamentalista cristão) fazem bons debates sobre religião, mas que infelizmente alongam-se demais e parecem condenar com certo pré-conceito o personagem do segundo, o que deixa claro o que acontecerá no clímax. É curioso como, mesmo que se repita o tempo todo que o religioso tem como hábito fazer o bem, na hora de pirar é sempre o crente quem paga o pato. Por outro lado, o tempo de tela entre Hunnam e Liv Tyler é muito bem empregado. Há espaço para o relacionamento entre os dois se desenvolver de maneira realista e esses encontros geram alguns dos melhores momentos do filme (Hunnam explicando sua técnica de sedução infalível de maneira calculista é excelente).

Ao final, A Tentação não é um filme ruim, mas fica a impressão de que poderia ter sido excelente se fossem tomados alguns cuidados. Há 13 anos afastado da direção, talvez Chapman ainda esteja desenferrujando... que seu próximo filme não demore tanto.

A Tentação | Cinemas e horários

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