Elenco / Direção

(Bom)

Suspense

  • Estreia: 9 de Dezembro de 2011
  • País / Ano de Produção: EUA / 2011
  • Duração: 105 minutos
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Margin Call - O Dia Antes do Fim | Crítica

Filme sobre a madrugada que decidiu a crise financeira de 2008 tem nos estudos de personagem sua força e sua fraqueza

08/12/2011 - 21:00 - Marcelo Hessel

Não espere entender a crise financeira de 2008 por meio de Margin Call - O Dia Antes do Fim. O drama escrito e dirigido pelo estreante J.C. Chandor trata a rotina do mercado financeiro como se fosse de conhecimento geral, sem explicações demais - e nos EUA, onde o escândalo dos créditos imobiliários ajudou a levar à recessão, talvez já seja de conhecimento geral mesmo.

Chandor está mais interessado em conhecer as pessoas, dentro da hierarquia de um banco de investimentos, responsáveis pela crise. Não são citados nomes, mas a trama se passa visivelmente na versão ficcional do Lehman Brothers - um dos bancos que mais faturavam em cima de papéis podres (empréstimos feitos a pessoas que dificilmente poderiam pagá-los) e que, da noite para o dia, decidiu vender todos para impedir um caos de liquidez que arruinaria o banco.

Como se viu na realidade, inundar o mercado com papéis podres pode ter salvo alguns pescoços (que mantiveram seus pescoços e também seus bônus) mas provocou a paralisia de todo o sistema financeiro. Essa discussão ética - cair sozinho ou adiar a queda enquanto os outros caem primeiro - está no centro de Margin Call e afeta desde o mais inexperiente operador de Bolsa (Penn Badgley) até o presidente do banco (Jeremy Irons), nas 12 horas desde o diagnóstico do problema até a decisão de livrar-se dos papéis.

Talvez por transcorrer ao longo de uma madrugada, o que sobressai ao longo do filme é a solidão. Corredores vazios e janelões que dão vista para uma Nova York impassível assistem à passagem de personagens que se encontram diariamente mas mal se comunicam. A conversa padrão é tentar descobrir quanto o outro lucrou nos últimos 12 meses. Para incentivar diálogos improváveis na hierarquia de uma grande corporação (o chefe trocando confidências com o novato), o filme toma até liberdades criativas como sugerir que o diretor usa o banheiro comum da empresa, e não um privativo, para se barbear de manhã.

Esse estudo de personagens é a força e também a fraqueza de Margin Call. Força porque dá espaço para nomes como Paul Bettany, Stanley Tucci, Kevin Spacey e Demi Moore construírem os seus com propriedade (Spacey, que divide certo protagonismo com o operador interpretado por Zachary Quinto, sai da inércia de seus outros papéis recentes e se destaca). Mas é uma fraqueza porque Chandor se força a transformar alguns desses personagens em tipos específicos - cada um deles exemplificando um "mal" que a vida no mercado financeiro pode fazer às pessoas.

E aí a narrativa de Margin Call, que inicialmente parece aberta a entender as motivações dessas pessoas, se confunde com lição de moral. Tem a executiva que abriu mão da maternidade para se dedicar à profissão, tem o sujeito decente que vai terminar se ferrando porque pagou a casa com ações do banco, e tem, finalmente, o funcionário com décadas de serviço prestado que não subiu na hierarquia por ser ético e que viu, nesse tempo, seu casamento desmoronar.

Chandor se concentra, ao final do filme, nesses funcionários mais antigos (Demi, Spacey, Tucci) e larga Quinto e Badgley meio que pelo caminho porque o primeiro grupo serve melhor ao seu propósito de mostrar o lado desalmado do mercado, aquele que leva anos mas consome o indivíduo por completo. Margin Call parece ignorar toda uma parcela cinza entre esses opostos: aqueles que souberam entrar no jogo, enriquecer rápido e sair - que afinal é o propósito de quase todo estagiário que se aventura em um banco de investimento, com ou sem crise. Aliás, foi esse tipo de ganância de curto prazo que a provocou.

Margin Call - O Dia Antes do Fim | Trailer
Margin Call - O Dia Antes do Fim | Cinemas e horários

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