Quero Matar Meu Chefe

Elenco / Direção

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Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses)

(Ótimo)
País: EUA
Lançamento Brasil: 05/08/2011
Duração: 98 minutos

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Quero Matar Meu Chefe | Crítica

Seth Gordon e a escolinha das sitcoms

Érico Borgo
04/08/2011 - 16:00

Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, 2011) é tão ciente de suas intenções que fica até difícil criticá-lo. A comédia tem uma estrutura tão reconhecível que suas próprias referências viram piada autorreferente. A trama, afinal, pega a ideia original de Alfred Hitchcock de troca de alvos de assassinato (do clássico Pacto Sinistro, de 1951), e a aproveita como comédia, sem esquecer, elegantemente, que Jogue a Mamãe do Trem já havia feito isso em 1987.

Ao citar suas inspirações, o filme assume que não vai levar para casa o prêmio de originalidade e deixa claro ao espectador que ele não sairá do cinema impactado pela criatividade do roteiro. Como condenar algo tão honesto, portanto?

Sem o peso dessa expectativa por inovação, sobra ao texto espaço para o que os roteiristas e o elenco sabem fazer melhor: piadas. E elas vêm em ondas motivadas pelo ambiente. No bar frequentado por negros, discutem-se estereótipos; no apartamento do cocainômano, o tom é de comédia de chapados; no consultório da dentista fogosa, é o sexo que faz rir... e por aí vai.

Os roteiristas estreantes no cinema John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein e Michael Markowitz, conhecidos como atores ou escritores de seriados menores de TV, conseguem emplacar também uma das mais engraçadas e difíceis formas de humor... a piada recorrente, algo que o diretor Seth Gordon soube aproveitar muito bem (nem parece o mesmo sujeito de Surpresas do Amor). O timing da edição é perfeito (nas piadas do gato) e a direção de (descontrolados) atores é excelente quando os protagonistas disparam os diálogos com o Ferra-Mãe Jones (Jamie Foxx).

De seu lado, o trio condutor da trama, formado por Jason Bateman, Charlie Day e Jason Sudeikis, está afiadíssimo como os três subordinados frustrados profissionalmente que decidem que a única solução para suas vidas é matar seus chefes, vividos por Colin Farrell, Jennifer Aniston e Kevin Spacey (excelentes como o idiota, a tarada e o psicopata). Bateman e Sudeikis agem em sua zona de conforto, com a paspalhice esperada e treinada em tantos filmes. Cabe assim a Day, em seu primeiro papel principal fora da série It's Always Sunny in Philadelphia, a tarefa de surpreender. E ele o faz em conjunto com os demais ou sozinho (como na impagável cena da injeção).

O sujeito é histérico. Pena que seu personagem e suas motivações não sejam tão bem trabalhadas quanto as dos outros dois. As razões para o assassinato que ele deseja não fazem sentido perante sua situação (se a dentista ninfomaníaca é a única que o emprega, matá-la não daria o mesmo resultado que um pedido de demissão?) - e, pior, o assistente de dentista está disposto a matar mas é incapaz de trair a esposa com a Rachel de Friends? Que ética insana é essa? O contador vivido por Sudeikis também deixa a desejar, já que o ator não convence como galanteador e as cenas de sexo pareçam forçadas, motivadas apenas pela necessidade da trama ao final (a ausência do gravador).

Vale lamentar também o volume de piadas perdidas na tradução. As legendas simplesmente não fazem justiça à boca-suja e aos trocadilhos do original ("I'm a squirter" era ouro). Se você é fluente em inglês certamente aproveitará muito mais o filme. Trocar "Mother-Fucker" por "Ferra-Mãe", por exemplo, simplesmente não desce. O tom boca-suja, o grande trunfo da comédia, é amainado pela classificação mais abrangente. Dá pra entender o objetivo do estúdio enquanto empresa, mas não dá para ser conivente com a higienização do linguajar da obra original.

De qualquer maneira, Quero Matar Meu Chefe é um excelente exemplo de comédia que, ao mirar baixo, acaba atingindo o alvo graças à força de suas piadas. Algo que Gordon certamente aprendeu não no cinema, mas na televisão. Desde o infame Surpresas do Amor, ele fez escola em séries como Parks and Recreation, Modern Family e The Office - todas elas focadas justamente na comédia de situações e não na inovação de estrutura. Contanto que as piadas fluam, fica muito mais fácil olhar para o outro lado.

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