Elenco / Direção

Um Homem de Sorte

The Lucky One
(Ruim)

Drama

  • Estreia: 4 de Maio de 2012
  • País / Ano de Produção: EUA / 2012
  • Duração: 101 minutos
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Um Homem de Sorte | Crítica

Um Amor Para Esquecer

03/05/2012 - 20:00 - Marcelo Hessel

Os horrores da guerra fazem mais uma vítima, Logan. O protagonista de Um Homem de Sorte (The Lucky One), vivido por Zac Efron, volta para os EUA cheio de traumas, depois de sua terceira incursão no Iraque. Na casa de sua irmã, quando os sobrinhos de Logan jogam videogame, a barulheira dos tiros na tela despertam as sequelas do soldado. Como estamos em uma história de Nicholas Sparks, porém, não são exatamente os tiros que incomodam o herói, embora pareça, e sim a existência do videogame em si.

Parte da popularidade dos livros de Sparks, muitos deles já vertidos para o cinema, como Diário de uma Paixão, Querido John e A Última Música, vem desse elogio do antiquado e do rústico ante as coisas da modernidade. A América Profunda de Sparks não tem rolos de feno soprados pelo horizonte, mas estão lá as máquinas pesadas a dominar (o vilão do filme usa um carro novinho não por acaso, enquanto Logan bota velharias enferrujadas pra funcionar), as lenhas a cortar e os animais a domesticar. Esse ambiente acolhe Logan em Um Homem de Sorte não porque livra-o da guerra, mas porque livra-o de viver no "complicado" século 21. Se na guerra não há heróis, pelo menos na cidadezinha de Hampton, na Carolina do Norte, o soldado Logan pode plenamente ser um.

"Perguntas complicadas têm respostas simples", resume Logan, citando o autor de livros infantis Dr. Seuss, quando questionado por Beth (Taylor Schilling) - a donzela da vez, cujo retrato o soldado carregava consigo na guerra como amuleto, embora ele não a conhecesse. Na trama, Logan atribui à fotografia o fato de não ter morrido no Iraque, e quando ele volta aos EUA sua missão é descobrir a identidade da mulher, uma jovem divorciada. Está estabelecido aí o cenário para o melodrama mais típico, em que mulheres acuadas, num mundo que aparenta ser sensível mas se revela bruto, buscam refúgio em homens que aparentam ser brutos mas se revelam sensíveis.

Há toda uma linhagem do melodrama que se escora nessa equação; no cinema hollywoodiano ela teve seu ápice nos clássicos de Douglas Sirk estrelados por Rock Hudson, como a obra-prima Tudo que o Céu Permite (1955). É numa comparação desse tipo que ficam evidentes as desvantagens de Sparks. Antes de mais nada, até Rock Hudson é mais másculo que Zac Efron, e ainda não apareceu um herói "sparksiano" no cinema que supere o Ryan Gosling de Diário de uma Paixão. Em segundo lugar, Um Homem de Sorte é tão carregado de "sensibilidade" que toda a lógica do homem-brutalizado-pelo-mundo-mas-sensível-por-dentro fica desbalanceada.

Chega a ser cômico como Um Homem de Sorte - um filme daqueles em que as pessoas "vivem intensamente" mas mal se tocam - cria uma câmara asséptica ao redor dos protagonistas contra a sujeira do mundo. Logan é um fuzileiro naval, sim, mas é também enxadrista, pianista e ótimo dançarino. Já Betty não só é uma exceção civilizada no meio dos caipiras dos EUA, como sua própria morada, literalmente, é feita de arte (a casa dela tem um livro no lugar de um tijolo...). Quando eles transam, é debaixo da água ou cobertos pelo véu do mosquiteiro, duas imagens de asseio, de pudor.

Se Diário de uma Paixão continua sendo a melhor adaptação de Sparks para as telas, é porque a própria história do filme, na sua premissa metalinguística, problematizava esse olhar hiperromanceado. Naquele filme (e nos clássicos de Sirk) fica claro que não há escolha sem renúncia, toda opção de vida implica uma consequência - cada opção é portanto um compromisso. Em Um Homem de Sorte o único conflito que se apresenta aos amantes é aceitar logo o amor puro e ideal. Tudo é tão dramático neste filme, e ainda assim tudo o que há neste filme é descompromisso.

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