Dragonball Evolution

Os milhões de fãs dos mangás e animês não são o público-alvo dessa adaptação feita para família

09/04/2009 - 15:00 - Marcelo Forlani

Quando escrevi no "Da Frigideira" que Dragonball Evolution (2009) "não era tão ruim quanto imaginava que ia ser", queria dizer que imaginava algo muito pior. Mas muita gente entendeu que eu havia gostado do filme. Como fã da série criada por Akira Toriyama, digo não há como gostar do longa-metragem. Desde o título - que mudou de Dragon Ball para Dragonball - este filme deve ser encarado como um projeto levemente inspirado nos mangás.

Como disse o próprio Toriyama: "Talvez a melhor maneira para que eu e todos os fãs possamos apreciar [o filme] é pensar nele como um Dragon Ball de uma dimensão diferente."

E bota dimensão diferente nisso! Estão ali os mesmo nomes, as tais esferas do dragão do título, o famoso golpe Kamehameha e mais algumas referências. Mas o espírito é outro. Foram embora a inocência do Goku, o desespero de Bulma por achar um namorado (lembre-se que é por isso que ela quer juntar as sete esferas) e a safadeza do Mestre Kame (que aparece de forma muito leve e até mesmo fora de contexto, mais como uma piada interna, que apenas quem acompanhava os mangás ou os animês vão entender o apertão que ele dá na Bulma). Esqueça também o senso de humor e qualquer tipo de ensinamento oriental sobre o "ki".

O que sobra é uma versão ocidentalizada e "família". Em vez de fazer direito e tentar criar uma franquia longa como os originais, os produtores jogaram fora toda a fase infantil do Goku que marca o início da série. Quando conhecemos Goku (Justin Chatwin) ele é um adolescente prestes a completar 18 anos, vítima dos valentões do colégio e com hormônios à flor da pele, babando por um segundo de atenção da bela Chi Chi (Jamie Chung).

No dia do seu aniversário, ele ganha a esfera do seu avô, que promete lhe contar no jantar a história do seu passado e o significado do tal globo que tem quatro estrelinhas. Os feromônios, porém, falam mais alto e à noite ele escapa para ir a uma festa se encontrar com a garota dos seus sonhos, que além de linda conta para ele que também treina lutas e vai participar de um campeonato. Enquanto isso, seu avô enfrenta Mai (Eriko Tamura) e seu mestre, Piccolo (James Marsters), que estão atrás das esferas para concretizar o plano de vingança depois de passar anos aprisionados.

Ao chegar em casa e ver toda aquela destruição, Goku ainda tem tempo de protagonizar a já gasta cena do último suspiro, em que seu avô diz antes de morrer o que aconteceu por ali e soltar aquela frase profética ("Sempre tenha fé em quem você é") sobre o que vai acontecer com o futuro do garoto. É nesse momento que ele conhece Bulma (Emmy Rossum), que também está atrás das esferas. Tão inteligente quanto linda, ela inventou uma máquina que consegue captar a energia emitida pelas tais globos estrelados. Antes de começar a jornada atrás das sete esferas, eles têm de passar na casa do Mestre Kame (Chow Yun-Fat), que vai ajudar Goku a desenvolver seus poderes.

Como você pode ver, é uma sinopse até empolgante, apesar de bem genérica e que, com pequenas mudanças, poderia se encaixar em vários outros filmes. Mas se você quer saber como as pessoas por trás do projeto encaram o longa, veja a sinopse oficial, presente na novelização do roteiro: "Goku pensava ser um estudante normal de colegial, até que descobriu possuir dons de artes marciais com todos os tipos de poderes malucos. Agora ele e seu novo grupo de jovens guerreiros estão numa jornada para achar as esferas antes que ela caiam em mãos erradas. Mas elas talvez já estejam! Goku deve combater o malvado e lunático Piccolo com todo seu poder para salvar o planeta Terra." Sim: Goku e seus amigos metidos em muuuuitas confusões!

E para combinar com essa sinopse "Sessão da Tarde", os efeitos especiais também têm cara de baratos, daqueles que se vê em séries de TV sem orçamento - algo que faz diferença na tela grande. As atuações acompanham o nível técnico. Justin Chatwin tem cara de perdido. Jamie Chung e Bulma são as empolgadas. James Marsters e Joon Park (Yamcha) são os careteiros, Eriko Mai a muda e Chow Yun-Fat até tenta enganar, mas está ali só para pegar o cheque.

Condense esses problemas em apenas 89 minutos e você tem em mãos um filme frenético, que não dá espaço para o desenvolvimento correto dos personagens, nem da história. Pode ser um sucesso de bilheteria? Pode. Afinal, são milhões de fãs espalhados ao redor do mundo, que já consumiram mais de 150 milhões de exemplares dos mangás. Porém, o filme não foi feito para eles (nós), mas sim para crianças que não conhecem nada da mitologia da série.

Por tudo isso, só há três formas positivas de encarar Dragonball Evolution: 1. Não sendo fã ou fingindo que não conhece a série criada por Akira Toriyama; 2. Como um veículo que vai mostrar para as crianças (o público-alvo principal do filme) que existe a série e assim vão poder se divertir lendo os mangás ou vendo os animês; 3. Esperando o reinício da franquia, algo que está tão na moda quanto as adaptações de quadrinhos.

P.S. A maioria das cópias espalhadas pelos cinemas brasileiros tem a versão dublada para o português. E nesse ponto você, fã, pode ficar tranquilo, pois a dublagem foi feita pela mesma equipe que fazia o desenho animado por aqui. Enfim algo com que você pode se identificar.

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