Ghost Rider: Spirit of Vengeance
EUA
, 2012
- 95 minutos
Ação
Direção:
Mark Neveldine e Brian Taylor
Roteiro:
Scott M. Gimple, Seth Hoffman, David S. Goyer
Elenco:
Nicolas Cage, Idris Elba, Violante Placido, Ciarán Hinds, Johnny Whitworth, Fergus Riordan, Christopher Lambert
Em Motoqueiro Fantasma - Espírito de Vingança (Ghost Rider - Spirit of Vengeance), Nicolas Cage surta como em Vício Frenético, em uma trama com ecos de Superman II filmada no melhor estilo x-games de Adrenalina e Gamer. A única coisa que o trabalho da dupla de diretores Mark Neveldine e Brian Taylor não lembra é justamente um filme do Universo Marvel.
O que não deixa de ser uma boa notícia para quem não quer Nick Fury aparecendo sempre nos créditos finais para avisar, com voz grave, que aquele filme faz parte de um contexto maior. O segundo longa do Motoqueiro Fantasma não é só muito melhor que o primeiro (piorar é que seria um verdadeiro feito), mas é principalmente um filme de ação direto e rápido como raramente se vê hoje em adaptações de HQs, que se arrastam com o peso da responsabilidade de estabelecer universos ou seguir todo o receituário da jornada do herói.
A tendência pop noventista dos diretores (lentes de contato brancas são muito anos 1990...) causa alguns ruídos, como a obrigação de "falar a língua do jovem" ao reintroduzir Johnny Blaze (no léxico skatista da dupla, fazer um pacto com o diabo é "crazy"), e parece funcionar aleatoriamente às vezes (Jerry Springer aparecendo como representante do inferno, ou a capa de Wish You Were Here do Pink Floyd reencenada pelos próprios Neveldine e Taylor em seguida). É essa liberdade de reciclar coisas, porém, que permite à dupla eliminar o que seja supérfluo (como interesses amorosos...) e aproveitar do Motoqueiro Fantasma apenas o que ele tem de essencial: seu visual e seus poderes.
Vi o filme em 2D, não saberia dizer se o 3D foi executado com competência, mas os efeitos de chama e fumaça sobre o cadavérico esqueleto são plasticamente impecáveis. A ideia de incendiar tudo o que ele pilota também rende uma ótima sequência de ação com maquinário gigante, de fazer os Transformers de Michael Bay parecerem, realmente, bonecos da Hasbro para crianças. De resto, a ação habitualmente "quente" da dupla, que filma sempre rente ao chão e consegue transmitir bem uma sensação de velocidade, encaixa-se como esperado nas perseguições esfumaçadas do Motoqueiro.
Precisa de muito mais do que isso? Tenho a impressão de que o filme desagradou o público majoritariamente nerd do Butt-Numb-A-Thon 2011 (a Sony Pictures dos EUA achou que ia arrasar fazendo a première mundial do filme no evento mas levou um revés) porque Motoqueiro Fantasma - Espírito de Vingança renega a "seriedade" e a "pureza" que os leitores de quadrinhos hoje reivindicam de seus objetos de culto. O Motoqueiro Fantasma de Cage/Neveldine/Taylor move-se como uma serpente que se move como Axl Rose, é um faraó e é também um mago vodu. Não dá pra ficar mais pop que isso.
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