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Bruno Mars - Unorthodox Jukebox | Crítica

Cantor busca inspiração nos anos 80 para fazer o melhor álbum pop do ano

Thiago Romariz
11 de Dezembro de 2012

Unorthodox Jukebox

Unorthodox Jukebox

Bruno Mars
EUA , 2012 - 34:57
Pop Warner Music

Ótimo

A ascenção da música eletrônica e do hip-hop fez com que o pop clássico fosse sublimado da cena musical. Com o intuito de agradar o maior número de pessoas possível, os cantores apelam para samples, quase sempre com a participação de algum rapper ou DJ. Este ano, ao menos, este estilo tem um representante digno de seus melhores tempos. Inspirado nos grandes nomes da década de 80, Bruno Mars consegue resgatar a essência do gênero em seu novo disco, Unorthodox Jukebox.

A colaboração de Mark Ronson, ex-produtor de Amy Winehouse, foi um dos grandes trunfos de Mars para poder acertar na escolha das dez faixas. Com um senso retrô afiado, o empresário soube focar o talento do cantor em músicas que exaltam sua voz quase sempre em falsete. Além disso, boa parte das composições têm um som com uma pegada mais analógica, longe das batidas eletrônicas e super limpas, tão comuns nos discos pops atuais.

A inspiração em nomes como Michael Jackson, The Police e Prince não são apenas uma referência que o cantor faz desde a produção do álbum. Ao escutar "Locked Out of Heaven", é como se estivesse ouvindo uma grande homenagem ao pop rock de Sting e Cia - e melhor, de uma maneira atual e muito bem feita. Em "Moonshine", um dos melhores exemplares do disco, Mars abusa da modificação na voz - como fez Lionel Richie, por exemplo - e mistura uma bateria seca com leves sintetizadores, que de imediato lembram alguns hits de Prince.

Ainda assim, o grande acerto de Jukebox não está nestas homenagens indiretas. Ao resgatar um som clássico e incluir breves e suaves toques de hip-hop, Mars faz um pop contemporâneo sem se entregar a outros estilos. "Natalie" é um R&B remodelado em alto nível, cheio de frases cortantes ditas por uma voz inspirada e contagiante. Algo parecido acontece em "Treasure", ainda que seja mais voltado para o soul e o dance dos anos 70. Ambas as faixas mostram a melodia que o cantor já havia revelado em Doo - Wops & Hooligans, seu primeiro disco, mas levam isso a um novo patamar, em que a afinação se une a um ritmo perfeito para o estilo de voz do havaiano.

Tal qual um bom exemplar pop, Unorthodox Jukebox traz baladas interessantes. Ao lado de "Young Girls", "When I Was Your Man" é uma das poucas músicas lentas do álbum. As duas seguem o padrão de qualidade das música supracitadas, mas denotam um caráter mais biográfico de Mars, que ao tocar o piano de "When I Was...", faz uma das melhores performances vocais do disco - sem economizar nos suspiros e trejeitos na voz. Mesmo que não atrapalhe o desenvolvimento do álbum, faixas como "Gorilla" e "Money Mokes Her Smile" fazem o nível cair ao dar preferência a combinação de batidas aceleradas com letras fracas. E diferente do que fez na estreia, Mars erra ao enveredar para o reggae em "Show Me", música que não tem metade da simpatia do pseudo reggae "The Lazy Song".

A segunda investida da carreira de Bruno Mars é uma das melhores surpresas do ano. Unorthodox Jukebox é uma clara e ótima homenagem ao pop oitentista. E ainda que faça referência a ritmos que um dia dominaram o mundo, seu maior desafio pode estar em agradar à nova geração, que preza por um hip-hop eletrônico e frenético sem que, necessariamente, isso tenha alguma qualidade.

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Comentários (13)

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sem avatar Fabiano (14/12/2012 23:09:34)   1 1
A 1° vez que ouvi "Locked Out of Heaven" no rádio achei que o The Police havia voltado hehe A música é muito boa e ao mesmo tempo uma bela homenagem aos 80'. Sting deve ter gostado, ...ou não.
Estou curioso para saber se o resto do disco tem a mesma qualidade.



sem avatar Paulo (14/12/2012 13:06:47)   -47 1
Boa crítica.



Sandro Sandro (12/12/2012 22:25:30)   1057 -1
Só os Anos 80 mesmo!!!



Bruno, u deserse this!!!



Pedro Jungbluth Pedro Jungbluth (12/12/2012 19:40:50)   302 1
Ah, esqueci de dizer, minha faixa favorita é "If I knew", que é inspirada nas boas baladas dos anos 50!


Katiúscia Skywalker Katiúscia Skywalker (15/06/2013 22:14:58)   39 0
a minha preferida também é If I Knew...ela me lembrou muito as baladas romanticas do Elvis ;)


Pedro Jungbluth Pedro Jungbluth (12/12/2012 19:37:48)   302 1
O som todo é muito bom mesmo, de alta qualidade. Porém acho que nunca vou me acostumar com o timbre do Bruno Mars.E ele podia cantar de maneira mais suave, como mostra na faixa "Natalie", mas insiste em longos agudos irritantes. Parece voz de criança, não gosto.
Música hoje em dia se resume a dois estilos: som novo plastificado, ou som inspirado no antigo, que é bom de ouvir mas não adiciona nada.
Ainda estou esperando uma nova geração surgir com um som novo, mas que tenha além da originalidade alguma sinceridade.
Bruno Mars vai por um bom caminho, sem dúvida.

Quanto ao Omelete, continuem com as críticas de música, estão muito boas e divertidas de ler!


sem avatar Fabiano (15/12/2012 00:02:50)   1 0
"Música hoje em dia se resume a dois estilos: som novo plastificado, ou som inspirado no antigo" boa frase, resume muito o que se ouve hoje em dia. Mas sabemos que ainda existe a versão piorada: som novo plastificado e ainda inspirado no antigo. Abraço


sem avatar Flavio (11/12/2012 20:51:46)   61 1
Muito boa a crítica.
Gostei igualmente do disco.
Hoje em dia, discos influenciados por grandes nomes da música dos anos 70 e 80 podem ser considerados originais, haja visto a quantidade de bobagens que são lançadas, tendo sempre a mesma "pegada" e sem nenhuma razão de ser, a não ser "comercial". Não que o fato de ser comercial pura e simplesmente seja demérito. Vide a qualidade que tem "Thriller", o álbum que mais vendeu na história. Mas, que é raro achar coisa boa no mundo pop hoje, isso é...
O álbum de Bruno Mars tem alma, e realmente parece uma sincera homenagem aos ícones pop do passado, que parecem tê-lo lapidado (o artista).
Ao contrário do crítico, gostei de "Show me". Parece ter saído de qualquer álbum de UB40.
Aposto em "Moonshine" como próximo hit a surgir no topo do Hot 100 da Billboard.



Luh Luh (11/12/2012 16:52:03)   -10 0
Legal esse crítica, mas vem k, é a primeira? Fui procurar a crítica do red da taylor swift, do warrior da ke$ha, da bosta do lotus da christina... até aquele novo album ¡Tré! do green day, num tinha '-'



sem avatar Val (11/12/2012 14:44:27)   3 0
O jogo funciona assim:

Quem determina quem aparece na mídia,quem recebe críticas boas ou não são as gravadoras.

A música de hoje é uma grande piada de mau gosto.



André André (11/12/2012 12:56:46)   67 1
achei esse álbum mais copia de estilos do que forma de inspiração,Locked Out Of Heaven lembra muito musicas do The Police,o que não é ruim,mas é algo exageradamente parecido. Moonshine é uma boa musica por ai sim conseguir homenagear,não desmerecendo Locked,que é sim uma musica bacana
pelo menos Bruno Mars tem algum futuro,diferente dos artistas em voga hoje em dia,que fazem uma musica sem expressão.


Juliano Juliano (11/12/2012 15:32:19)   252 0
Concordo, também não vejo mal em ser influenciado, todo mundo é influenciado por alguém, mas Locked Out of Heaven ficou muito The Police mesmo...


ATILA ATILA (11/12/2012 12:47:12)   -13 2
Thiago Romariz, cadê a crítica do "Music From Another Dimension", novo cd do Aerosmith? Acho que uma banda do quilate deles merecia uma resenha por parte de um site tão respeitado quanto o Omelete.



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