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Lembra Desse? Agente 86

A comédia de espionagem sessentista de Mel Brooks, Don Adams e Barbara Feldon

Odair Braz Junior
18 de Junho de 2008

Agente 86
get smart
agente 86
get smart
get smart
don adams
agente 86
Um clássico da TV. Essa frase é perfeita para definir Agente 86 (Get Smart), a série dos anos 1960 importantíssima para redefinir o humor televisivo norte-americano e para influenciar uma geração de comediantes. Pode colocar aí Renato Aragão, só para citar um aqui pelos nossos lados.

A idéia da criação da série foi do produtor Daniel Melnick. Partiu dele a sacada de fazer uma sátira aos filmes de James Bond, que vinham fazendo muito sucesso desde 1962. O principal problema de Melnick é que ele e sua empresa, a Talent Associates, não tinham nenhuma experiência em criar programas humorísticos. Para conseguir algo que funcionasse, o produtor precisava de ajuda. É nesse momento que entra na história Mel Brooks, um roterista que vivia pulando de seriado em seriado desde 1949 e sem ainda uma grande oportunidade de mostrar todo o seu talento. Acontece que Brooks, embora com grande capacidade para o humor, era um sujeito meio desregrado e que não conseguia se organizar muito para cumprir prazos. Daí, Dan Melnick decidiu convidar um outro amigo, o também roteirista Buck Henry. Estava montado o trio que levaria adiante o projeto.

O passo inicial foi a criação do roteiro, que teria de ser bancado por algum canal de TV. O canal que fechou o acordo inicial foi a rede ABC. Mas os acontecimentos não foram lá muito felizes para o Agente 86, que acabou levando um golpe duro mesmo antes de nascer. É que o alto escalão da ABC rejeitou o roteiro por achá-lo sem graça e, pior do que tudo, anti-americano. É que a aventura inicial de Maxwell Smart tinha um vilão que queria fazer um ataque terrorista e destruir a Estátua da Liberdade. E isso durante a Guerra Fria, muito tempo antes de Bin Laden e sua turminha do barulho.

O fato é que a rede de TV não quis mesmo bancar a criação do seriado. O dinheiro do roteiro foi devolvido na íntegra pela Talent Associates e os direitos retornaram para a empresa de Melnick. Ainda bem, porque assim ainda havia a possibilidade de encontrar uma outra emissora. Foi exatamente o que Melnick fez. Ele foi atrás da NBC, que já tinha finalizado a gravação de pilotos para a temporada de 1965. Mas após lerem o roteiro e graças aos contatos de Melnick, os executivos do canal decidiram abrir uma exceção e deram sinal positivo para as filmagens do que viria a ser o primeiro episódio de Agente 86.

PROTAGONISTAS

A NBC topou levar o seriado adiante, mas antes de dar o OK final, fez uma única exigência: que os produtores mudassem o ator principal. Inicialmente, Tom Poston estava escalado para interpretar o Maxwell Smart. Para o azar dele, a NBC tinha Don Adams sob contrato. Ele estava fazendo uma série no canal que acabou sendo cancelado e tinha um ano para escolher um novo seriado. Ele não estava muito a fim de trabalhar naquele exato momento, mas como ficou sabendo que o roteiro tinha o dedo de Mel Brooks, decidiu arriscar. Gostou. E, mais uma vez, para o grande azar de Tom Poston, a NBC pediu que Don Adams assumisse o posto principal.

O roteiro de Agente 86 previa a presença de uma espiã que seria uma co-protagonista. Era a Agente 99, uma bela garota, esperta, inteligente e corajosa. O papel de 99 foi criado pelos produtores já com Barbara Feldon em mente. Ela era uma modelo e fazia comerciais de TV, o que lhe deu certa notoriedade junto ao público dos Estados Unidos. Segundo os criadores não havia outra candidata para viver 99 no seriado.

Edward Platt era o outro ator que formaria o tripé central de Agente 86. O ator foi escolhido para dar vida ao Chefe, o sujeito que comandava as ações de Max e 99 e que encabeçava a agência Controle.

A SÉRIE

Agente 86 estreou nos Estados Unidos em 18 de setembro de 1965 com o episódio-piloto intitulado "Mr. Big". A estréia já trazia boa parte dos elementos que tornariam o seriado conhecido: Vários bordões, uma certa tensão amorosa entre os protagonistas, o Controle, a Kaos e vilões engraçados.

Max era o principal agente secreto da agência de espionagem do governo conhecida como Controle. O principal objetivo dessa organização era combater a Kaos, uma agência criminosa dedicada a acabar com o mundo em geral e também com os Estados Unidos, claro. Nos anos 60, com a Guerra Fria comendo solta, obviamente, estas organizações eram uma sátira à disputa real entre a CIA e a KGB.

Todas as semanas, em geral, a Kaos surgia com algum plano sórdido que poderia ser explodir uma bomba em Washington ou simplesmente tirar a vida de Max. Não importa qual fosse a ameaça, quase que invariavelmente, era 86 quem estava na linha de frente do combate. Depois de um encontro na sala do Chefe, o agente secreto e 99 eram brifados sobre o que estava acontecendo e saiam a campo. Para ajudá-lo a se dar bem contra o adversário, Max tinha uma sacolada de acessórios e armas que deixavam claro que até 007 teria que se esforçar muito para vencê-lo. Criados pelos cientistas nos laboratórios do Controle, as bugigangas iam desde o famosíssimo sapato-fone, passando por um carro superequipado e chegando até a um revólver com cano triplo. Além disso, o espião era ainda dono de um apartamento incrivelmente bem equipado, com armas secretas espalhadas por todos os cantos.

Em suas aventuras, 86 e 99 enfrentaram diversos vilões, da Kaos ou não. A maioria dos inimigos era mesmo da agência inimiga. Eles se revezavam nas batalhas e os roteiristas sempre tentavam criar um mais estranho que o outro, mais perigoso e cruel. Geralmente vestidos de pretos, os homens da Kaos seguiam ordens de seus superiores e não mediam esforços para cumprir seu dever. Claro que ao longo dos cinco anos do seriado, os vilões variaram entre muito bons, médios e ruins, mas o destaque principal vai, sem dúvida, para Siegfried (interpretado por Bernie Kopell). Ele era um nazista enérgico, bravinho e que tentava ser muito ruim. Ao seu lado estava o também nazista e igualmente atrapalhado Shtarker (vivido por King Moody). Ambos apareceram em vários episódios e conseguiram gerar alguns dos momentos mais divertidos de Agente 86.

Uma outra característica muito forte da série eram os bordões que Max dizia. Havia uma boa variedade deles e alguns dos mais lembrados são: "Você acreditaria...?", "Desculpe por isso, Chefe!", "O velho truque...", "E vou adorar" entre outros.

AMOR NO AR

Além de muita ação, Agente 86 também foi marcado pelo romance entre Max e 99 (caso você não saiba, o nome verdadeiro dela jamais foi revelado). Os dois parceiros de Controle sempre demonstraram uma quedinha pelo outro, isso desde o episódio-piloto. Ao longo das cinco temporadas, os dois flertavam adoidado, apesar de muitas vezes Max - esperto do jeito que era - nem perceber que estivesse rolando algo. Mas 99 realmente era caidinha pelo sujeito e tentativa, dentro das "limitações" de uma mulher dos anos 60, demonstrar o que sentia por ele. O casal esteve próximo de se beijar em várias oportunidades, mas algum motivo sempre os impedia de chegar lá.

Os dois só foram mesmo dar um beijinho no primeiro episódio do quarto ano. Foi um artifício usado pelos produtores para voltar a despertar interesse pela série. Sabe como é, o quarto ano havia chegado, as melhores piadas haviam sido contadas e ninguém queria perder o emprego. Com o primeiro beijo, começou o namoro entre eles e logo passaram a pensar em casamento. O enlace rolou ainda no quarto ano, tudo direitinho e de papel passado, como mandava o manual do bom comportamento sessentista. Mas não pense você que o casório rolou na boa: enquanto se preparava, a dupla continuou enfrentando os criminosos da Kaos.

O quinto ano foi marcado pela chegada dos filhos de Max e 99. Nasceram gêmeos, um menino e uma menina.

BALANÇO GERAL

Agente 86 foi um seriado importantíssimo para a TV justamente por trazer um tipo de humor que ninguém estava acostumado a ver na época. Foi um sucesso tanto nos EUA quanto em outros países, inclusive no Brasil, onde foi transmitido a partir de 1966 pela Rede Record. A Band também o exibiu e as reprises aconteceram até o início dos anos 80.

A série foi muito inventiva e teve excelentes episódios. O primeiro e segundo ano foram sensacionais e tiveram momentos ótimos que levou muita diversão a seus telespectadores. O terceiro ano, na média, também foi bem, mas no quarto ano começou a dar sinais de fraqueza. Tanto é que os produtores, obrigados pela emissora, lançaram mão do recurso do romance entre os protagonistas. A alternância de qualidade custou caro aos produtores, o que levou a NBC a cancelar o seriado. Rapidamente, a Talent Associates fechou acordo com a CBS e conseguiu prolongar o programa por mais uma temporada. Mas não havia mesmo mais muito o que fazer. Agente 86 deu conta do recado e fez o que tinha de ser feito, colocando na TV um novo estilo de humor. Havia deixado sua marca e era mesmo hora de sair de cena.

Mesmo com o fim da série, Maxwell Smart não saiu da mente de seus fãs. Por isso mesmo, o personagem ganhou ainda mais dois longas-metragens. Em 1980, o agente voltou à ação no filme A Bomba Que Desnuda. A produção é muito fraca, com uma história confusa e apenas com Don Adams do elenco original fazendo parte da história. Em 1988 foi lançado Agente 86, De Novo?, feito diretamente para a TV. Este sim, muito mais fiel à série e com vários atores da televisão participando. É um longa que consegue divertir.

Em 1995 houve uma tentativa de ressuscitar a série de TV. Foi a Fox que colocou Don Adams e Barbara Feldon de volta em seus personagens. Agora Max era o chefe do Controle, 99 uma congressista e o filho deles - Zack Smart - era um agente a serviço de seu pai. Infelizmente a idéia não deu certo e apenas sete episódios foram produzidos.

Soma dali, subtrai daqui e o resultado é que Maxwell Smart deixou um grande legado para a TV. Tão forte que fez com que retornasse em 2008 num filme simpático e muito bem feito. Provavelmente é um feito maior do que seus criadores poderiam prever. Don Adams, que nos deixou em 2005, deve estar contente.

Leia mais no ESPECIAL AGENTE 86

 

Odair Braz Junior é autor do livro Agente 86 - O velho truque do livro cheio de curiosidades.

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