Lembra desse? Homem-Aranha, o seriado da TV - Guia de episódios

Lembra desse? Homem-Aranha, o seriado da TV - Guia de episódios

José Aguiar
04 de Maio de 2002

O Inevitável Guia de episódios da série do Homem-Aranha nos anos 70

[Leia o Lembra Desse? do programa, aqui]

Antes das resenhas, que tal se fazer de esperto e impressionar os amigos com um inestimável conhecimento inútil? Então saiba como diferenciar a primeira da segunda Temporada :

1. Os olhos do Aranha na primeira temporada são uma espécie de peneira, com vários furinhos por onde o ator enxergava. Na seguinte, foram substituídos por lentes espelhadas.

2. Na primeira temporada, Peter Parker se veste religiosamente com seu terno de cotoveleiras de couro e gravata. Na segunda, já usa camisetas justas e abre mão da gravata. O que cria um dilema: onde ele guardava o uniforme? No bolso?

3. O penteado de penico da primeira diminui consideravelmente na segunda, acrescido por uma mecha loira esquisita.

4. Na primeira temporada, há o personagem Capitão Barbera, que desaparece sem maiores explicações na segunda. Não que alguém sentisse por sua falta...

5. A fotógrafa, Julie Masters, só aparece na segunda temporada.

6.O tema e a abertura mudam entre as duas temporadas. Na segunda, além da música de saxofone, ao fundo temos o Aranha pulando em frente ao hoje destruído World Trade Center.

E então, sabendo tudo sobre o seus seriado preferido? Então prepare-se para mergulhar ainda mais fundo no poço em que meteram o sobrinho preferido da tia May:

PRIMEIRA TEMPORADA:

1.Homem-Aranha - O Filme -The Amazing Spider-Man

Direção: E. W. Swackhamer

14 de setembro 1977, essa é a data de estréia do primeiro longa-metragem do escalador de paredes. Uma data que, com certeza merece ser lembrada por outras coisas mais interessantes que este hediondo filme. Já na cena de abertura se entrega o jogo sobre o que vem por aí. Um Homem-Aranha perdido como uma barata tonta, vaga de um lado para outra na parede de um prédio, ao ritmo de uma musiquinha para lá de mequetrefe... O mais lógico seria parar este texto por aqui, antes que a sanidade de algum leitor fanático pelo aracnídeo se esvaia pelos poros. Mas como minha missão é trazer à tona esta pequena pérola do trash involuntário, pois bem, eis o fiapo de história :

Cidadãos comuns, de uma hora para outra, se tornam apáticos zumbis e começam a assaltar os bancos de Nova-Iorque. Não bastasse isso, os indivíduos acometidos por esse estranho mal, tem o hábito de chocar seus automóveis em becos desertos. Apenas para que o dinheiro que carregam com eles, desapareça sem mais nem menos. A polícia está atônita pois alguém chantageia a cidade em 10 milhões de verdinhas. Caso o dinheiro não seja pago, mais dez pessoas encontrarão o mesmo fim estúpido contra alguma parede inocente.

Apresentado o pano-sujo-de-fundo de nossa empolgante aventura, é hora de conhecermos Peter Parker, nosso galante protagonista. O jovem fotógrafo do Clarim não tem trabalho nem grana, mas trabalha num laboratório da faculdade em um experimento radioativo. Durante ele, uma aranha cai dentro câmara onde devia estar isolado o material. Claro, nosso futuro herói vê a bichinha mas não se toca do perigo. Tão fácil como deve ter entrado na mais que bem vedada câmara a serelepe aranhinha sai transformada da experiência. Agora dotada de uma simpática fluorescência laranja, vai se esconder no meio dos livros do astuto Parker.

Logicamente, a toupeira é picada pelo aracnídeo e, em vez correr para o posto de saúde mais próximo, segue com sua vida como se nada tivesse acontecido. Detalhe: Parker não matou a dita aranha, tanto que ela continuou no laboratório, brilhando mais faceira que nunca. Sabe Deus o que a safada não anda aprontando por aí até hoje...Não que o roteirista se importasse com isso.

LÁ VEM ELE...

Coincidentemente, quando nosso inocente protagonista chega à rua, não é que passava por ali um zumbi dirigindo um carro e louco para se espatifar numa parede alheia? Que fazer numa situação dessas? Ora, é só sair subindo pelas paredes que tudo acaba bem no final. E, assim, o simpático Peter descobriu que aquele bichinho brilhante que o mordeu não o fez apenas por carência afetiva. Mais tarde, após poeticamente sonhar com os eventos recém ocorridos, ele decide testar seus novos poderes nas paredes da casa de Tia May,que por sinal só aprece para chamar Peter Para tomar seu lanche e mais tarde na mesa com ele só para bater ponto. Provavelmente ainda sonolento, o imbecil decide fazer isso do lado de fora! Suas incríveis demonstrações de como não se deve fazer uma cena com efeito de blue screem deve ter traumatizado tanto os vizinhos que nenhum fez questão de dar atenção ao rapaz que perambulava pelo telhado e paredes de sua casinha. Ou seja, se você for fazer um filme e não tiver dinheiro para os efeitos especiais, não faça. A audiência agradece.

Provavelmente insatisfeito com o fato de que não chamou a atenção da vizinhança, o genial Parker decide escalar a parede de um edifício no centro da cidade. Nisso. Um punguista rouba a bolsa de uma moça mas se detém pasmo diante do rapaz que se esfrega no prédio. Pensando bem, quem não ficaria diante de tal cretinice? Preso o meliante, diante de várias testemunhas ele desaparece atrás de uma lata de lixo. O legal é que ninguém nota. O lamentável é que ele não fica por lá até o fim do filme.

J.J. Jameson quer fotos do tal Homem-Aranha que as pessoas comentam ter visto na rua. Esperto como ninguém , o falido Parker afirma tê-lo visto. E que até tem fotos dele. Sinta só os eruditos diálogos da dupla:

Jameson: Como ele é?

Parker: Como uma aranha!

Jameson: Quantas pernas ele tem?

Parker: Duas, claro. Ele é um homem!

Jameson: Posso pisar numa aranha. Posso pisar nele?

Claro, depois de tamanho confronto de intelectos, J.J. só podia mesmo era comprar as fotos que Parker tira de si depois que cria (do nada) o seu uniforme. Ele simplesmente aparece diante do espelho com seu galante pijama prontinho, tira a máscara e dá uma boa risada de si mesmo. Na verdade, o expectador fica com a estranha impressão de que só pode ser dele que o infeliz tira uma onda, tamanha a xaropada apresentada até então. Mas deixemos isso para lá, afinal o Homem-Aranha acaba de nascer. Meio tortinho, mas ainda assim o nosso herói. Será?

Antes disso, Parker havia conhecido, Judy (Lisa Eilbacher), a filha do zumbi acidentado. Através dela acaba sabendo que ele freqüentava um clube esquisitão, com todo jeitão de igreja e capitaneado por um sujeito com cara de sapo e discurso de livro de auto-ajuda. Eis nosso óbvio (Tcha-ram!) vilão: Byron (Thayer David ) ! Queria o quê, um supervilão decente? Eles tem mais o que fazer...

Depois de dispensados do clube, onde os sócios recebem um bottom prateado e são irradiados com mirabolantes luzes estroboscópicas , ambos se dirigem ao hospital onde o pai dela se encontra internado. Obviamente, o vilãozão manda que ele se suicide e o Homem-Aranha entra em ação pela primeira vez, diante da imprensa e do patético Capitão Barbera, que neste episódio vive com um charuto no canto da boca e fala como se fosse o marinheiro Popeye. Não fosse o fato que a cena dele escalando a parede fosse tão xumbrega a ponto de seus pés mal encostarem nela, talvez até alguém da platéia se impressionasse com o feito. A real impressão que fica, é que lavaram o edifício com manteiga, de tão deslizante que o (d) efeito é.

TANTO BATE, QUANTO APANHA

Mais tarde, o supimpa Parker percebe um estranho sinal de rádio e o segue até sua fonte. Infelizmente isso é pretexto para mais uma lamentável degradação da imagem do Aranha, agora escalando um arranha-céu de traseiro empinado, serelepe como um cachorro lambão. Ao adentrar o esconderijo de nosso vilão, de trás das cortinas (santa camuflagem!) e portas surgem três (na falta de melhor definição) espadachins japoneses, cujas ameaçadoras espadas eram feitas de bambu! A seqüência de ação que se segue é tão lamentável que chegaram ao cúmulo de acelerar a imagem para tentar dar ânimo ao mambembe combate. Um dos momentos mais divertidos fica por conta de quando nosso galante herói é atingido por uma das espadas na canela direita e grita de dor segurando a outra. Em seguida ele fabrica uma rede Semelhante a algodão doce, para aprisionar seus adversários. Porém, a engenhoca não deve ter sido muito eficiente, pois, segundos mais tarde, os vilões estavam novamente atrás de nosso herói. O legal é que o inepto herói não consegue dar conta dos adversário e termina dando no pé. Quando volta para a desforra os espertos nipônicos estão esperando por ele com um lança-chamas e derretem sua teia, fazendo-o despencar. Resultado:Vilões ridículos: 02. Herói pamonha: 0.

QUEDA LIVRE

Sabiamente, o espertalhão Byron havia dado um dos seus broches-zumbi para o intrometido Parker e o manda se suicidar pulando do edifício Empire State. Infelizmente, quis o destino que o maldito apetrecho se prendesse numa grade de proteção na hora em que o infeliz ia se jogar. Privando nosso vilão de prestar um serviço à humanidade ao encerrar a série antes do fim do episódio piloto. Acontece que Parker recobra a consciência, veste seu pijama preferido, volta ao prédio de seu incrível inimigo e quebra a antena que transmitia o sinal suicida. Bem a tempo de evitar que outros zumbis se matassem. Novamente adentrando o clube, descobre que os japoneses ficaram bonzinhos e sugestionáveis e que Byron acabara catatônico (assim como o expectador, diante de tamanha asneira), pois o sinal se reverteu para dentro do prédio de alguma maneira que só a ciência, um antena quebrada e Deus podem explicar.

O Aranha manda o bandido se entregar e ainda tira umas fotos de lembrança, abraçado com o seus queridos japoneses. Diante da delegacia, Parker entrega as fotos a um estupefato Jameson que pergunta:

_Incrível! Como pode ser você o único a conseguir fotos dele?

Parker responde: _Simples! Eu acredito! - e sai de mãos dadas com Judy (sim, ele aparentemente faturou a única garota do elenco) ao som da musiquinha tema do filme. Deixando o pobre expectador, ele sim, sem acreditar que desperdiçou quase duas horas de sua vida assistindo a esse lixo.

Se mesmo após a descrição detalhada desses horrores você ainda gostaria de assistir a essa sub-produção, saiba que o filme se encontra disponível em vídeo no Brasil.

2.O Retorno do Homem-Aranha - Spiderman Strikes Back
(episódio duplo The Deadly Dust)

Primeira exibição: 5 de abril de 1978 (parte 1)
12 de abril de1978 (parte2)

Direção: Ron Satlof

E não é que, apesar dos pesares, o filme anterior deu audiência? Prova disso é que a emissora (meio receosa) encomendou a produção de alguns novos episódios. E tratou de pôr um pouco de ordem no barraco. Sai o enredo infantilóide do piloto e entram ação, aventura e mulher bonita para encher a canoa furada. Mas quem disse que ficou bom? E olha que os produtores dessa vez se esforçaram para fazer uma aventura decente. Perseguições de carro, moto, helicóptero e muito mais pancadaria deram o tom do filme que, se não conseguiu ser grande coisa, pelo menos tem a virtude de ser bem menos pior que seu antecessor. Mas e quanto a história?

Já de cara, nosso herói impede a morte de uma suicida diante das câmeras da TV, o que chama a atenção de uma revista de Miami, disposta a entrevistá-lo. Para isso envia a repórter (e bonitona de plantão) Gail Hoffman, à redação do Clarim em busca de (adivinhe quem?) Peter Parker. Aquele rapaz que é o único a tirar fotos do Aranha, lembra?

Pois é, o mesmo se encontra indignado com um professor da faculdade, que intenciona acionar um reator atômico e criar plutônio no campus. Humor compartilhado por três colegas que tem um plano secreto para provar o perigo de tal experimento.

O genial trio planeja roubar o material e mostrar a todo mundo como é fácil para qualquer estudante construir uma bomba atômica. Fabuloso,não? E imagine se as figuras não conseguem seu objetivo com a maior facilidade do mundo... Para azar de nosso aracnídeo, que tenta chegar a tempo ao laboratório, é flagrado pelos seguranças e acaba levando a culpa do crime.

Enquanto isso, na Suíça, um milionário servido e banhado por garotas em trajes sumários lê a notícia do roubo e chama seus capangas para ir a Nova Iorque em busca do plutônio desaparecido. Eis nosso incrível (haha...) vilão: algo como o milionário dono da revista Playboy, Hugh Heffner e suas coelhinhas. Sem falar que, além de grisalho, ele tem obsessão pela cor branca. Desde o terno, passando pela limusine e até a pouca roupa de suas meninas. Menos os seus três capangas, que vestem sempre um macacão preto de borracheiro. São eles um moreno que fala pouco, um sósia do cantor Lenine que não fala nada e luta caratê e Angel, um misto do supervilão mudo, vindo da Zona Fantasma para atazanar o homem de aço em Superman II, com o eterno companheiro de Terence Hill, o grandalhão bronco, Bud Spencer. Ou seja, se o expectador tinha ainda esperanças de um filme decente, elas começam a cair por terra aqui.

Enquanto isso, nos EUA, Peter Parker se vê importunado com a presença da beldade que quer entrevistar o Aranha às suas custas e não larga de seu pé por um instante sequer. Dos diálogos dos dois, e das elucubrações de Parker sobre a vida solitária do Aranha, vem os momentos que mais vagamente lembram o original dos quadrinhos. Não que a coisa vá muito longe. Nosso intelectual protagonista dá tanta bandeira de quem realmente é, que Gail, num momento de lucidez, lhe pergunta diretamente: _Peter, você é o Homem-Aranha, não é? Mas é claro que a teoria cai por terra assim que ela olha para a cara do panaca diante dela. Afinal, Nicholas Hammond não pode ser o Aranha, pode? O fãs, assim como ela, acham que não.

O Puro Parker

Mas e os nossos colegas ladrões de plutônio? Felizes com o fruto de seu sucesso, fabricaram a tal bomba em seu apartamento.O problema é que as toupeiras não deviam saber muito sobre envenenamento radioativo, tanto que a moça da turma acaba tendo que ser internada num hospital. Enquanto isso, nosso maquiavélico vilão já chegou à cidade e está em busca de (Quem?Quem?) Peter Parker, que segundo seus informantes, é o único estudante capaz de montar a tal bombinha. Depois de fugir da cilada vagabunda armada por ele, nosso galante herói passa a noite escondido no (Tcha-ram!) quarto da bela Gail. Na manhã seguinte, o patético Capitão Barbera encontra o casal se arrumando e um Parker todo arredio, comprovando por A+B sua incompetência: _Tive que passar a noite aqui...No sofá, capitão! Tia May, se estivesse neste filme, estaria orgulhosa de seu menino...

Mas porque diabos o capitão foi atrás dele? Ora , o FBI (assim como todo mundo) acredita que o único capaz de montar a bomba... Entendeu, não é? Com uma fama dessas, ele devia era investir mais na sua carreira de cientista do que como vigilante desengonçado. Mas fazer o quê...A vida é dele. Falando nisso, Peter fica sabendo do destino de seus intrépidos colegas e vai até o hospital onde a moça envenenada está internada. Conversando discretamente no corredor, onde qualquer um poderia ouví-los mesmo sem querer, entrega de bandeja o esconderijo da bomba para o simpático Angel, que leva seu patrão ao local e se apodera da traquitana. Mas não sem um combate corpo-a-corpo cafona onde, para variar, nosso herói leva a pior, sendo arremessado do edifício por Angel. Os vilões fogem com a bomba e partem para Los Angeles a fim de concretizar seu maquiavélico plano. Qual seria? Matar o presidente (oh, quanta originalidade) em visita à cidade, detonando seu rojão num edifício próximo... Nada que um franco atirador não faria de maneira mais discreta...

A Teia Mais Besta do Oeste

Por sorte, num laivo de coerência, nosso galante herói plantou um rastreador aranha na limosine de ... e sabe do paradeiro do meliante. Parker, financiado por Jameson que o acompanha, desconfiado de que o que o garotão quer mesmo é passar um ensolarado final de semana na companhia de Gail, viajam até lá em busca do paradeiro da bomba. Graças ao rastreador aranha que Parker carrega discretamente a tiracolo (isso sim é que é manter uma identidade secreta...) perseguem os capangas até um cenário abandonado de filme de faroeste ??? O que vemos a seguir é um duelo cafona, com direito até a montes de feno no celeiro e uma versão western do tema da série, executada no melhor estilo spaggetti. Para variar, os vilões fogem das garras de nosso incansável paladino, que tem de voltar a perseguí-los como o gentil Parker.

Mais tarde, Gail é seqüestrada por Angel e levada à presença de seu branquelo patrão, que a obriga a se vestir com um generoso biquíni. Indagado pela indignada repórter ele se justifica: _Porque gosto de mulheres bonitas. Sinto-me seguro por saber que não há lugar onde possam esconder armas.

Um estrategista e um gentleman, não? Mas ele só não contava que nosso intrépido herói estava, naquele momento, tendo um aceso de Homem de 6 milhões de Dólares e invadia sua mansão (que por sinal, nem segurança tinha) num acesso de pulos em câmera lenta de causar inveja a qualquer biônico da TV da época. Após trocar sopapos com o capanga caratê, que o enfrenta munido de uma (valha-me, Deus...) vassoura, mede forças com o bom e velho Angel, para derrotá-lo simplesmente jogando-o na piscina...

Mas e o patrão? Ele já instalou a bomba e está passeando de helicóptero pela paisagem, prestes a dar no pé. Nisso, é surpreendido pelo efeito especial vagabundo do aranha voando em direção a ele. Calma, é que nosso herói se jogou (vai entender porquê...) de outro helicóptero coincidentemente quando ... estava passando por ali. Aproveitando para pegar uma carona com ele. O que segue é o vilão voando com nosso heróico carrapato pendurado por uma teia e tentando derrubá-lo num dos prédios. O bacana é que o derrubam logo no telhado em que se encontra a bomba , bem a tempo do intelectual aracnídeo desligar o contador. Salvo o presidente, todos ficam felizes, inclusive Jameson, que deixar Parker passar o resto da semana no hotel às suas custas e na companhia de Gail, que agora até dá bola para ele. Coisa boa, não? Tudo acabou bem.

Mas, espere aí...E o vilão? Ora, ele fugiu.E a pobre garota envenenada com radiação, que fim levou na história? Ninguém sabe. Seus colegas, foram presos pelo crime que cometeram? Isso ninguém sabe informar também. Afinal, nosso herói estava ocupado demais passando um fim de semana na companhia da atraente Gail. Será que dessa vez ele conseguiu dormir em outro lugar que não o sofá? Isso, só Deus sabe...

Algumas Aracno-Curiosidades:

1. Joanna Cameron, a repórter Gail Hoffman, interpretou a super-heroína trash Poderosa Ísis, na série-irmã do Capitão Marvel dos anos 70.

2. Pela primeira vez aparecem os espalhafatosos cinto e lançador de teias do lado de fora do uniforme do Aranha.

3. Por incrível que pareça, algumas cenas do Aranha em ação são reaproveitamento extraído do episódio piloto.

4. O dublê de Hammond machucou-se ao colidir com um prédio na seqüência em que voa pendurado no helicóptero.

5. Peter não mora mais com sua tia May, completamente esquecida nessa continuação. Que fim levou a velhinha?Agora ele tem um apartamento só seu.

6. Esse filme virou álbum de figurinhas no Brasil, nos anos 80.

7. Este episódio é disponível em vídeo no Brasil. Porém encontrá-lo é um feito quase impossível.

3. A Maldição de Rava - The Course of Rava

Primeira exibição: 19 de Abril de 1978

Direção: Michael Caffrey

Uma exposição de arte Kalistani (seja lá o que for isso), provoca uma série de protestos por parte de um culto que venera Rava, a principal peça da esposição, como a uma divindade. Mesmo sabendo que mexer com fanáticos e ninhos de marimbondo dá no mesmo, J. Jonah Jameson, que em suas horas folga no Clarim, atua como presidente do conselho do museu, insiste que a exposição seja aberta ao público. O curador bem que tenta argumentar com o líder do grupo, Mandak (Theodore Bikel). Favor não confundir com Mandrake, o mágico, que ele agradece... Este não cede sua posição já que, além de argumentar a desonra por que passa sua divindade, possui alguns poderes telecinéticos na manga. Aí você, o fã de HQs pensa: _Oba, um supervilão!

Será? Infelizmente não é bem assim que a coisa funciona nesta série. Pois a própria estátua de Rava (uma imitação chinfrim da deusa indu, Shiva) trata de esmagar o pobre professor que pretendia exibí-la. Quem paga o pato é J.J., que leva a culpa do crime, sendo preso pelo xarope Capitão Barbera. Por sinal o nosso próximo candidato a vítima. Com o caminho livre, nada pode impedir Mandak de roubar o ídolo só para si. Nada, a não ser nosso apagado amigo da vizinhança, que mal aparecera até então.

Feito o trabalho sujo, é chegado o inevitável confronto final. Aí , quando o expectador pensa que o diretor guardou o melhor para o final, que vai rolar a maior exibição de superpoderes do vilão, é que vem a triste verdade. Nele, o maior feito de Mandak foi fazer voar papéis pela sala e arrastar a estátua de Rava de um lado a outro. O que nosso poderoso inimigo não contava é que a estátua realmente tinha vida própria e, provavelmente, farta de ser tão humilhada num episódio tão banal desta série, se volta contra seu mestre e o esmaga contra a parede. E termina aqui a maldição de Rava. Melhor para o Aranha, que não precisou nem suar a camisa. E para Rava, que se livrou do mico com um mínimo de dignidade. Agora, cá entre nós, qual a função do Aranha além de bater o ponto, nessa meleca de história?

4. A Noite dos Clones - Night Of The Clones

Primeira exibição: 26 de abril de1978

Direção: Fernando Lamas

Assim como nas HQs, o Aranha tem de enfrentar seu (quem mais?) clone. O que os quadrinhos recentemente descobriram não ser uma boa idéia, a série de TV já havia mostrado anos antes. Mas como foi que nosso simpático herói ganhou seu irmãozinho?

Tudo começa quando o comitê do Prêmio científico Toval, chega a Nova York para anunciar o grande vencedor do ano. Tudo indica que o renomado geneticista americano, o Dr. Moon (Lloyd Bochner) será o vencedor. Numa demonstração de seus experimentos para a imprensa, incluindo um certo fotógrafo bobalhão, ele clona em poucas horas um simpático sapinho.

Enquanto isso, uma misteriosa figura explode um elevador onde estavam vários membros do comitê. Sabendo do ocorrido, nosso paladino vai até a cena do crime.

Moon teria mágoas do comitê Toval por este ter desprezado seu trabalho por tantos anos. Acontece que a filha de um dos membros do conselho é atraída por Moon até um prédio abandonado. Desconfiado do perigo, adivinhe quem segue a moça até lá e impede o bom doutor de matá-la? Acontece que nosso inglório protagonista corta a mão ao dar um sopapo na cara do cientista e dá no pé com a moça. Para seu infortúnio, o malvadão recolhe uma amostra do sangue e...Tcha-ram! Fabrica um clone de Peter Parker, descobrindo aquele tão bem guardado segredo que, só quem não quer ver, não sabe.

E como em toda boa ficção científica de quinta, o tal clone é malvado por natureza. Acrescente isso ao fato de que ele tem toda a memória de sua matriz e temos o super-vilão perfeito, certo? Veremos...

Ah, e como não podia deixar de ser, o Dr. Moon é um clone também. O qual aprisionou o original em seu escritório para concretizar a vingança que papai nunca teria coragem de realizar. E a briga dos clones, sai ou não sai? Numa festa à fantasia, Peter vai vestido com a única roupinha descolada que tem. Adivinhe qual... E para sua surpresa se depara com várias pessoas fantasiadas como o vigilante aracnídeo. Até Jameson (vê se pode..) foi de Homem-Aranha. No banheiro, o aracnídeo original é rendido por sua cópia munida de um revólver, que o leva ao telhado, onde se dá o clímax. É chegada a hora da pancadaria. Mas não se empolgue.

Após uma das lutas mais anticlimáticas (e rápidas) da história dos live-actions, a cópia morre eletrocutada acidentalmente ao fugir. E o clone do Dr.? Ele envelhece e evapora de uma hora para outra, afinal, o experimento era instável. Fica a lição: o inevitável episódio onde o super-herói enfrenta seu duplo é um dos piores clichês que uma série de TV possa utilizar. Pena que o exemplo aqui apresentado não tenha impedido que outras séries baseadas em HQs viessem a cometer o mesmo pecado. Azar o deles, que não deram ouvidos ao avacalhado Aranha...

Dúvida: Será que o sapo clonado também era do mal?

Curiosidade:Este foi o último episódio da série em que apareceu a simpática tia May.

5. O Seqüestro - Escort To Danger

Primeira exibição: 3 de maio de 1978

Direção: Dennis Donnelly

Um importante chefe de estado sul-americano, o presidente Caldrone (Alejandro Rey) chega à cidade acompanhado de sua linda filha, Maria (Madeline Stowe), que por sinal participará do concurso Miss Galáxia. Acontece que irmã do estadista, auxiliada por seu capanga, um japonês com chapéu côco (e refugo inspirado num vilão da cinessérie 007) chamado Matsu (Harold Sakata), tem outros planos para ambos. Pretendem que o presidente, bom apreciador de charutos, abra mão de seu governo e, para isso, planejam pôr suas mãos maquiavélicas na delicada beldade.

Acontece que Peter Parker é o acompanhante da moçoila. O que é o mesmo que nada, já que ela é seqüestrada embaixo do seu nariz. Então nada melhor que a contraparte menos incompetente dele saia no encalço dos bandidos. Infelizmente os meliantes se escondem num armazém de porto lotado de tabaco. Substância à qual nosso vigilante é especialmente alérgico. Além de um acesso de espirros, nosso galante herói enfrenta o parrudo guarda-costas nipônico. Sendo facilmente abatido, claro. Que nada, esperto como uma raposa, ele se faz de desmaiado e parte para a desforra contra o grandão simplesmente jogando-o no mar. Herói que é bom não se suja, sai da briga com estilo... E falando nisso, nosso vitorioso protagonista entrega a mocinha em plena final do concurso, deslizando de teia com a princesa em seu braços. Romântico, não?

Curiosidades:

1. Madeline Stowe, depois desse início de carreira não muito promissor, pôde ser vista em várias produções mais relevantes como O Último dos Moicanos e Os 12 macacos.

2. Numa cena em que Parker conversa com a organizadora do concurso, pode-se ver claramente no topo da tela, um intrometido microfone.

Segunda temporada:

6. The captive Tower

Primeira exibição: 5 de setembro de1978.

Direção: Cliff Bole

Peter conhece a sua sua rival, a bonitinha repórter fotográfica Julie Masters. Ambos estão cobrindo a inauguração de um super-avançado edifício, onde Jameson, claro, é convidado de honra. O que torna o arranha-céu tão importante são os seus aparatos computadorizados de segurança, que fazem dele o mais avançado construído até então. Porém, como sempre acontece num evento desses,um grupo terrorista, formado por comandos renegados do exército, decide provar que o tão modernoso aparato de segurança não é lá essas coisas. Simplesmentes disfarçados de faxineiros, eles tomam a todos no prédio com reféns ao assumir o controle dos seus tão proclamados computadores. De quebra, exigem um resgate de 10 milhões de verdinhas pela vida dos reféns.

Sem falar que, só para garantir, plantaram explosivos em todo o local. Para o caso de algum engraçadinho não querer atender suas exigências e invadir o local.Tudo daria certo se não tivessem aprisionado um certo super-herói intrometido. Vemos então o nosso Aranha salvando limpadores de janela, fazendo cabo-de-guerra com um helicóptero e entrando triunfante pela vidraça. Nada de extraordinário. O que se segue são seqüências levemente semelhantes a uma certa produção protagonizada por Bruce Willis anos mais tarde. Certamente, o episódio preferido dos roteiristas do primeiro filme da série Duro de Matar.

7. A Matter of State

Primeira exibição: 12 de setembro de 1978

Direção: Larry Stewart

No aeroporto de Nova York, ladrões tentam surrupiar de um agente do governo os planos de defesa de um ultra-secreto projeto chamado NATO. Este, na tentativa de impedir a fuga dos meliantes, ordena a quarentena do local. A alegação oficial de que um vírus letal pode estar à solta por lá atrai a atenção de um certo casal de briguentos fotógrafos concorrentes. Que caem na lorota do governo. Tudo iria bem se Julie acidentalmente não tirasse a foto de um dos ladrões, disfarçado de policial, quando o patético Parker empurra seu braço para atrapalhá-la. O que nos leva ao inevitável seqüestro e resgate da mocinha em perigo. Pelo menos os bandidos, , por mais que não haja muita lógica nisso, tiveram o bom gosto de aprisioná-la no topo do Empire State. Afinal, isso proporcionou ao espectador uma das melhores cenas da série, onde o Aranha escala o cartão postal da cidade aos olhos dos transeuntes e de uns poucos curiosos que olham de dentro das janelas do famoso edifício. Em compensação, há outra cena onde é mais que evidente o arame que auxilia o dublê a subir uma reles parede de garagem. Afinal, é o seriado do Aranha, certo? Algo tinha que sair errado...E para dar um temperinho na trama, Rita a esperta secretária de Jameson, dá a entender para Parker que sabe do seu segredinho. Não que o espertalhão se esforçasse em esconder.

8. Con Caper

Primeira exibição: 11 de novembro de 1978

Direção: Tom Blank

James Colbert, um político corrupto é solto da prisão após cumprir sua sentença e é recebido no portão por Rita, secretária do Clarim e velha amiga sua. Indignado com as condições da prisão, pede a ela que interceda com Jameson para que o ajude numa campanha pela reforma carcerária na prisão em que esteve. À princípio relutante, o editor decide ajudar, contanto que o Clarim fique com a cobertura exclusiva do evento, claro. Para variar, Parker é mandado para cobrir a história e sofre um atentado na prisão. Não, não era nenhum fã do Homem-Aranha indignado com a qualidade da série... Mais tarde, durante um concerto onde Rita torturava os ouvidos dos prisioneiros com seu violão, dois prisioneiros, por sinal colegas de cela de Colbert, escapam numa explosão. Enfim, a pobre Rita fora enganada por seu amigão que queria apenas libertar seus colegas para realizar um estrambólico assalto a banco. Provavelmente contaminada pela estupidez das demais personagens da série, Rita até então a única dotada de um mínimo de intelecto, vai até o bandido para perguntar o porquê de tamanha farsa. Logicamente ela é feita prisioneira só para dar algum trabalho para nosso herói que até então pouco fez de interessante neste episódio. Por sinal, uma das melhores cenas do dublê do Aranha se encontra exatamente nele: Nosso herói se balança de sua teia do alto de uma das torres de vigilância da prisão, pousando sobre a capota de um carro em movimento. Tudo sem efeito mequetrefe nenhum para atrapalhar. Em compensação, este é considerado um dos (se há como medir) piores episódios da série.

9. O Fantasma de Kirkwood-Kirkwood Hauting

Primeira exibição: 30 de dezembro de 1978

Direção: Don McDougall

Lisa, uma viúva amiga de Jameson, é atormentada pelo fantasma de seu marido, cuja vontade é que ela abra mão de sua fortuna. Desconfiado e talvez não querendo gastar com um detetive profissional, o editor do Clarim manda (quem mais?) Peter Parker investigar os fatos. Chegando lá, nosso simpático fotógrafo investigador, descobre que a residência de madame Kirkwood não é apenas lar de almas penadas, mas também de animais selvagens e exóticos que tomam conta do lugar. Mesmo as feras temem a aparição sobrenatural, que é fotografada por Parker, sem falar que o próprio Aranha quase perece diante do espectro do outro mundo, que o fere com um som de alta frequência. Após sessões espíritas para conversar com o falecido através do médium Eric Ganz e de ver alguns objetos se movendo sozinhos e até o quadro do defunto caindo no chão, todos acreditam que a casa só pode ser mesmo mal-assombrada. Mas nosso intelectual protagonista, não se convence fácil. Afinal, como qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, ele sabe que assombração é algo tão infundado quanto um sujeito de colante colorido combatendo o crime. Num acesso de Sherlock Holmes, ele descobre a armação e vai desmascarando os truques dos malandros que queriam tirar proveito da crédula velhota. De quebra, nosso herói enfrenta a chicotadas um leão e encara um mano-a-mano com um simpático urso que não parecia muito interessado na briga. Scooby Doo, cadê você? Só faltou ele para desmascarar o falso fantasma.

10. Photo Finish

Primeira exibição: 7 de fevereiro de1979

Direção: Tony Ganz

Ao entrevistar Weldon Gay, um famoso colecionador, nosso desatento herói é atingido com uma coronhada na cabeça. Sentido de aranha, cadê você quando mais é preciso? Ao recobrar a consciência, ele descobre que sua câmera fora usada para tirar fotos da ex-esposa de Gray roubando o local. Certo da maracutaia para incriminar a mulher, ele se recusa a dar as fotos à polícia até que possa determinar como elas foram parar com ele. Resultado?

Parker vai preso por obstrução à justiça e permanece à espera de julgamento. Mas quem disse que uma mera prisão pode deter o sobrinho da tia May? Convicto de que Wilson é quem o meteu nessa enrascada, ele veste seu uniforme, dobra as barras da sua cela e parte para esclarecer os fatos. Legal, não? Agora me diga, como foi que ele levou seu uniforme à prisão? Provavelmente, na época ainda não era praxe revistar prisioneiros em busca de armas, colantes azul-vermelho ou lançadores de teia ...

Mas a sorte de nosso escalador de paredes não é das melhores, pois chegando ao escritório, se defronta com Gray e seus capangas. Durante o combate é atingido por uma corrente no rosto, que lhe arranca a máscara. Revelando ao desonesto colecionador sua verdadeira identidade.

Obrigado a fugir, retorna a sua cela para não despertar suspeitas. Agora fica o dilema, como convencer o vilão que ele e o Homem-Aranha não são a mesma pessoa? Mas nem tudo é tristeza na vida de nosso azarado herói, afinal, Jameson nestá mais do que determinado a limpar a barra do garotão, demonstrando uma consideração até então inédita por seu (aparentemente único) repórter fotográfico. Mas o melhor é que começa a rolar um climinha romântico entre Parker e sua até então rival, Julie, que o visita na prisão para dar aquele apoio moral ao injustiçado boa-praça.

Curiosidade: Geoffrey Lewis, o ator que interpreta Weldon Gray, é o pai da atriz Juliette Lewis.

11. Wolf Pack

Primeira exibição: 21 de fevereiro de 1979

Direção: Joseph Manduke

David, um amigo de Peter Parker, conduz um experimento com drogas que induzem ao relaxamento. Além de usar a si mesmo como cobaia, aplica a substância em sua colega Guinea e na secretária do Clarim, Rita. Esta por sua vez, cria acidentalmente um novo composto, que deixa o trio num estado sonâmbulo onde são suscetíveis a comandos externos. Isso durante a visita de George Hansen, um espertalhão representante da companhia que financiava o experimento. O malandro decide tirar proveito da situação mandando os zumbis roubarem alguns artefatos históricos de considerável valor. Porém, eles são presos ao tentar cometer o crime. Cabendo a você sabe quem, provar a inocência dos estudantes e impedir o astuto Hansen de tirar proveito da droga que tem em mãos. Enfim, um episódio mais xarope do que a média da série. Tão eficiente quanto qualquer campanha anti-drogas do governo.

12. O Desafio do Dragão - Chinese Web

Primeira exibição: 6 de julho de 1979

Direção: Don MacDougal

Também lançado em vídeo no Brasil nos anos 80 com o escabroso título Homem- Aranha e o Dragão do Kung Fu, este especial foi o episódio derradeiro da série. Por sinal, é um dos mais interessantes de todos justamente pelo fato de boa parte da ação se passar no oriente. Mas a troco de quê nosso herói sairia de seu ambiente natural? A impressão que o filme passa é que, sabendo do iminente cancelamento do seriado, a equipe juntou o resto de dinheiro que tinha e decidiu passar umas férias comendo pastel na fonte. Mas como não podiam dar na cara, voltaram como este filmeco debaixo do braço. Sinta só a desculpa para a coisa toda:

Mi Lo Chan, um ex-espião e agora ministro da indústria do governo chinês, visita seu velho amigo dos tempos de colégio, um certo editor de jornal nova-iorquino. A este pede que o ajude a encontrar três marines que atuaram na segunda guerra e que podem inocentá-lo da acusação de que vendera informações secretas do governo de seu país a estrangeiros.

Coincidentemente, um certo você-já-deve-estar-careca-de-saber-quem, acabara de fazer uma matéria com um ex-mariner e se vale da amizade com este para levantar informações do possível paradeiro do trio.

Nisso, Mi Lo Chan já está sendo perseguido pelos homens do Sr. Zeda, um milionário americano radicado na China que quer mais é que o ministro se dê mal, pois ele é o único obstáculo para que ele consiga fechar um contrato bilionário com o governo chinês para a construção de uma usina de aço. Para tanto, envia seus ineptos capangas aos EUA a fim de dar cabo do pobre homem injustiçado.

Incompetência Mascarada

No arquivo-morto do Clarim, ele é salvo pelo nosso querido herói, que usa de um fardo de jornal para deter o assassino. Isso depois dele quase apanhar feio do refugo de capanga, no combate mais mongolóide da história. Mas vá lá, pelo menos Mi Lo Chan continua vivo. E isso é o que vale. Levado ao hotel, junto de Parker e sua sobrinha americana, Emily, o infeliz ministro sofre novo atentado. Parker sai correndo e volta à cena com sua roupinha especial de socar malfeitores, impedindo o pior. Detalhe: na cena anterior ele usava justíssimas camiseta e calça boca de sino. O que levanta a questão: Onde estava o uniforme do Aranha? No beco? Ou na carteira?

Mas deixando os preciosismos para trás, nosso azarado herói só não contava com o fato que Mi Lo Chan era cardíaco. Emily o leva às pressas para o hospital, não sem antes acusar nosso herói de ser um covarde ao ter fugido. Pronto, aí temos uma boa desculpa para algumas cenas de crise existencial onde Hammond pôde exibir toda a sua canastrice com louvor. Mas a fatalidade se transforma num trunfo de nosso herói, que forja a morte do ministro, que é noticiada na primeira página dos jornais.

Ao interrogar um dos capangas que perseguia Parker, o Aranha fica sabendo do paradeiro de um microfilme que pode inocentar o embaixador e vai ao metrô, onde o filme estava escondido embaixo de um banco de vagão. Acontece que dois outros capangas de Zeda já haviam pego o filme. O que fazer então? Ora, roubar o cobiçado rolo dos pilantras e dar no pé. Tal qual um trombadinha amador, nosso agora nada galante defensor, corre com seu furto em mãos quando é facilmente alvejado (Na cabeça! Na cabeça!) no ombro (ah...) pelos seus inimigos. Acordando a tempo de não ser atropelado por um trem ele segue a pista dos marines. Fica outra dúvida : Quem é mais incompetente? O herói, incapaz de nocautear dois insignificantes bandidos? Eles, incapazes de acertar num órgão vital, um homem com uma roupa berrante, em um tiro quase à queima roupa...Ou o maquinista, que não acelerou o trem o suficiente para encerrar essa palhaçada por ali mesmo?

Mas voltando ao mistério dos Marines, um deles é, coincidentemente, Fleming, um ex-professor de Parker, que vive sob nova identidade. Ele tem em mãos uma carta escrita por um colega seu, que confessa ser o verdadeiro traidor. Carta esta que pode inocentar o ministro. A princípio relutante, ele concorda em viajar com Parker e Emily a Hong Kong a fim de esclarecer as coisas e limpar o seu nome e o de Chan.

Férias Filmadas

O que se vê em seguida são intermináveis seqüências de documentário, bem ao estilo Globo Repórter, onde vemos nossos amigos passeando numa boa por templos, ruas e praças de Hog Kong, dando toda a bandeira para que os vilões venham ao seu encalço. E é justamente o que acontece numa esteriotipada feira, onde o Professor é seqüestrado enquanto seus seguranças fingem que lutam caratê com os capangas nativos de Zeda. Segue-se a mais monótona perseguição de lancha jamais vista. Acontece que o motor do barquinho de nosso herói quebra e ele perde o professor de vista.

Mas como aprendeu um truque ou dois durante a série, ele pôs um rastreador no bolso de Fleming. Parker e Emily seguem de helicóptero o sinal até o interior, onde ele é levado até um templo típico chinês.

Eis que nosso herói entra em ação e desce a teia em dois sentinelas kung fu. Afinal, pra quê sujar as mãos? Pensamento semelhante devem ter tido os bandidos que tranqüilamente o acertam com um dardo e lhe dão as costas com indiferença. Afinal, que maneira melhor de se lidar com um maluco fantasiado do que deixá-lo morrer afogado bem longe deles? Detalhe: dá para ver nitidamente o fio que conduz o dardo até o braço de nosso amigo mascarado. E pior: ele reage ao tiro antes do dardo atingí-lo... Seria o sentido de aranha lembrando que existe?

Mas voltando ao que interessa, salvo por pescadores, nosso inepto herói é levado por Emily até um acunpunturista que o desmascara diante da estupefata moçoila. Oh, será que ela ainda achava coincidência que o Homem-Aranha estivesse em Hong Kong???

Nem Um Pouco a Fim de Briga

Refeito, o incansável herói corre para resgatar o professor no alto de um arranha-céu, onde fica o escritório de Zeda. Lá chegando, encontra novo capanga-kung-fu e desce a teia no infeliz. Ao encarar mais dois, provavelmente indignado com a qualidade dos adversários disponíveis e se negando a brigar com alguém melhor do que ele, o Aranha se vale mais uma vez de sua redinha esperta para pôr os chineses fora de ação. Mas ainda resta um sósia fajuto de Bruce Lee para encarar. E após meia dúzia de solavancos, a divina teia intervém novamente em favor do paladino americano. Afinal, ficava feio arriscar uma surra logo no último episódio da série. E o cachê nem devia ser tão bom para arriscar algo assim.

Galantemente o Aranha pula de trás de uma cortina e desliza de barriga (?!) numa mesa, atingindo o último capanga de Zeda, que é nocauteado com uma pancada de porta. Livre, o Professor registra seu espanto:

_Homem-Aranha, não sabia que trabalhava fora de Nova York!

Santo Deus! Será que ninguém suspeita da coincidência de Parker, o fotógrafo exclusivo do Aranha, estar ao mesmo tempo que ele em Hong Kong?

Mas como exigir coerência num filme desses é apelar demais, o melhor é deixar claro que os vilões foram presos e que Emily prometeu não revelar o segredo de Peter a ninguém. Além de trocar um singelo beijo no mocinho na despedida do aeroporto, claro. Afinal, ela decidiu ficar na China. E o seu tio? Bem, ele nem mais é citado na história. Sabe Deus se morreu ou se o professor ajudou a inocentá-lo. Este por sua vez, também nem dá as caras na plataforma de embarque. Ah, como faz falta um roteirista...

Mas afinal, qual era o tal desafio do Dragão no título? Quem era o tal dragão ? Ora, caro leitor, dragão é no que se transformou o irado espectador ao fim da fita. E o desafio, meu caro, é ter sobrevivido a tamanha barbaridade até o fim. E foi o fim mesmo para as televisivas aventuras de Nicholas Hammond como escalador de paredes.

Curiosidades:

1. O mariner que dá dicas a Parker no início do filme é interpretado por Ted Danson, hoje mais famosos pelo filme Três Solteirões e um Bebê e por seu seriado.

2. Rosalind Chao, que interpretou Emily, é rosto conhecido dos fã de duas séries de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração e Deep Space nine, onde interpretou Keiko OBrien, a esposa do engenheiro da Enterprise.



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Comentários (3)

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sem avatar Robert (14/07/2012 22:59:50)   0 0
A verdade é que esse seriado teve a função primordial de estabelecer o Aranha como heroi preferido dos brasileiros. Como aquele seriado abestalhado dos anos 60 do Batman impediu o cancelamento da revista deste nos Estados Unidos. Este seriado com Nicolas Hammond aumentou as vendas das revistas em quadrinhos do heroi no Brasil. Confesso que conheci o Aranha pela televisão enquanto ainda estava de fraudas e depois comecei a comprar as revistas anos mais tarde quando recebi mesada,eu nem piscava em frente a Tv, um aranha silencioso sem falar todas aquelas bobagens dos gibis, tinha um certo charme, e sei que as cenas de ação eram ridículas, mas em contrapartida varias referencias foram criadas neste seriado, que podem ser notadas no novo filme do aranha com Andrew Garfield. Os lançadores e o cinto de cartuchos sobre a roupa, que os quadrinhos tambem emprestaram anos mais tarde, a parte das lentes espelhadas na mascara, o lance com o Empire State, e Parker como um gênio da Ciência que renega seus dons, que agrada tanto os nerds. Note a casa da tia May e do tio Ben no novo filme se não é identica aquela da cena ridicula e mau feita de Hammond testando seus poderes no filme que deu origem a serie, veja o corte de cabelo de Andrew, apesar de mais modernoso é parecido com o de Hammond na segunda temporada da serie, tirando aquela mecha estranha. A semelhança física de Hammond e Garfiel é intencional na minha opinião. Apenar das basbaquices, esse seriado despertou o Aranha em mim e em diversos hoje fãs dele no Brasil. Note que esse seriado ficou por anos sendo exibido aqui na terrinha, anos 70 e 80 foi exibido na Globo e depois substituído pela serie A Gata e o Rato, que era insuportável, nos anos 80 e 90 na Manchete e final de 90 num canal que deixou de existir chamado OM Brasil que exibia filme pornô na teve aberta. Isso demonstra audiencia. Sei que a sensação de ve-lo hoje não é a mesma de ve-lo na antiga TV Telefunkem de minha casa. Mas sinto falta de ver o Aranha no parapeito do prédio com uma musica de suspense ameaçando cair, e falando em musica, a da segunda temporada ficou pra sempre como referencia pro aranha até hoje, na trilha do novo filme ela esta lá quase imperceptivel numa mixagem, mas esta. Sem bater na tecla obvia do clone, que tornou-se hoje uma coisa obvia quando se lembra do heroi. Não nego as partes babacas e mal feitas do seriado, mas não se pode negar sua contribuição para a difusão do Aranha como heroi mais querido dos brasileiros. As crianças talvez não gostem do novo filme, por que eles so viram aquela porcaria com Tobey Maguire, que causa mal estar a quem algum dia leu o Homem Aranha de Stan e Romita. Confesso que so gostei do novo filme porque assisti um dia esse seriado e inconscientemente sabia de sua contribuição para a concepção do heroi nos anos apos sua exibição.



Simone Simone (18/02/2012 21:02:51)   13 0
Quando criança, me lembro de ficar impressionada ao ver o Homem-Aranha subindo pelas paredes.
Achava que era tudo real.



Sergioguto (NP - Nerd Power) Sergioguto (NP - Nerd ... (28/01/2011 07:56:22)   26 0
Cara... eu adorava essa série. Agora, anos mais tarde, vejo o quanto eu era inocente!!!




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